Home / Política / Por que deveríamos olhar com carinho para a Lei de Incentivo ao Esporte

Por que deveríamos olhar com carinho para a Lei de Incentivo ao Esporte

(imagem/reprodução: TV Globo)

O dia 16 de julho deve ser lembrado, noticiado e, quem sabe, até comemorado por todos que consomem e trabalham com esporte no Brasil. O Senado aprovou nesta quarta-feira o Projeto de Lei Complementar 234/2025, que torna permanentes os incentivos fiscais para projetos esportivos por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. A proposta, aprovada por unanimidade na Câmara e rapidamente também pelo Senado, agora aguarda a sanção presidencial para entrar em vigor.

A legislação atual perderia validade em 2027 e vinha enfrentando impasses constantes por conta da disputa entre diferentes áreas pelo mesmo limite de dedução no Imposto de Renda (IR). Na prática, isso significava que projetos esportivos, culturais, sociais e de reciclagem competiam entre si pelo apoio de pessoas físicas e empresas — o que dificultava o financiamento e limitava o alcance dessas iniciativas.

Com a atualização, essa sobreposição foi corrigida: a partir de agora, os projetos de reciclagem (ProRecicle) deixam de concorrer diretamente com os da área esportiva, ganhando um espaço próprio dentro do limite de deduções. A mudança representa um avanço porque amplia as possibilidades de captação de recursos para mais setores, sem que um precise “tirar espaço” do outro, isso por que a nova lei corrige as porcentagens de dedução: pessoas físicas que contribuírem financeiramente com iniciativas desportivas poderão abater até 7% do Imposto de Renda. Para empresas, o limite de dedução será ampliado de 2% para 3%.

A medida beneficia especialmente o esporte, que até então dividia seu teto de incentivo com várias outras frentes e agora terá mais previsibilidade e autonomia para garantir patrocínios. A deputada federal Laura Carneiro, atual presidente da Comissão do Esporte no Senado, celebrou a decisão:

“Não tenho nenhuma dúvida da importância da aprovação da Lei de Incentivo ao Esporte. Na verdade, consolida a sustentabilidade de muitos projetos em todo o nosso país. Estamos falando de 384 bilhões de reais por ano, 1,69% do nosso PIB, segundo dados do relatório da ONG Sou do Esporte. Significa dizer que são mais de 3 milhões e 300 mil pessoas empregadas. Portanto, é absolutamente necessária a aprovação dessa lei. Isso já se deu no Senado, e eu tenho certeza que se dará mais tarde na sanção presidencial.”

Quando o incentivo vira oportunidade;

A consolidação do novo formato da lei deve trazer novos investimentos e, consequentemente, melhores condições para formar atletas em todo o país. Retomando o que disse no início, é, sim, motivo de comemoração ver algo como isso acontecer. Muitos dos nossos medalhistas e jogadores de futebol nasceram dentro de projetos sociais. Precisa de exemplos? Vamos lá:

Rebeca Andrade, maior medalhista olímpica do Brasil, com seis conquistas, iniciou a carreira no projeto social “Iniciação Esportiva”, em Guarulhos (SP).

 (imagem/reprodução: TV Globo)
(imagem/reprodução: TV Globo)

Isaquias Queiroz, com cinco medalhas olímpicas, começou sua trajetória na canoagem por meio de um projeto social em Ubaitaba, na Bahia.

(imagem/reprodução: TV Globo)
(imagem/reprodução: TV Globo)

Rafaela Silva, judoca campeã olímpica e mundial, deu os primeiros passos no Instituto Reação, no Rio de Janeiro, aos oito anos de idade.

 (imagem/reprodução: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO)
(imagem/reprodução: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO)

A lista pode crescer muito mais. Os nomes fortes do esporte brasileiro, em grande parte, vêm da periferia. Cafu, ao levantar a taça do penta, estampava “100% Jardim Irene” na camisa, orgulhoso de suas origens. Aqui, fazemos do esporte combustível e veículo ao mesmo tempo: ele dá ânimo para viver e também condições de vida.

Quanto maior o incentivo, mais vitórias teremos — não só em medalhas e troféus, mas como sociedade. Jornalistas esportivos, como eu, continuarão tendo atletas e campeonatos incríveis para cobrir. A torcida brasileira terá ainda mais motivos, e pessoas, para torcer. Já a sociedade como um todo, além dos milhares de empregos gerados — como bem destacou a deputada Laura Carneiro — verá suas crianças mais seguras e longe da tão atrativa criminalidade.

A deputada reforça:

“O maior impacto é a segurança jurídica e, ao mesmo tempo, a possibilidade de cada vez mais investimentos para ter, através do esporte, ainda mais inclusão, fortalecimento do esporte de base, capacitação de atletas brasileiros, de alto rendimento, para que a gente possibilite cada uma das medalhas que os brasileiros comemoram — e que elas vão se multiplicar. Hoje, o Brasil é um Brasil do esporte.”

Batemos nessa tecla porque sabemos, temos tesouros escondidos em muitos cantos do Brasil. A consolidação de um incentivo permanente, com correção percentual e livre de concorrência é a segurança jurídica que faltava para sustentar as doações e ampliar o alcance dos projetos sociais.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *