Com o Brasil registrando queda no número de leitores, autor busca tornar a poesia mais acessível ao público
Em meio à crescente presença das telas e à diminuição do hábito da leitura no Brasil, o poeta e educador Rudá Ventura aposta na literatura como forma de conexão humana. Para divulgar seu novo livro de poesia, Ária, publicado pela Editora Patuá, o autor tem percorrido escolas, centros culturais, instituições públicas, privadas e eventos literários com saraus, palestras e projetos educativos.
Seus encontros misturam performance poética, leitura crítica e reflexão histórica, com o objetivo de reaproximar o público brasileiro da literatura e da leitura. O segundo lançamento de Ária, em São Paulo, está marcado para acontecer no dia 1º de novembro.
Queda na leitura preocupa educadores e artistas
Apesar de iniciativas individuais como a de Rudá Ventura, o cenário da leitura no Brasil segue alarmante. Segundo a mais recente edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 53% dos brasileiros não leram sequer parte de um livro impresso ou digital no último ano. Se considerado o número de pessoas que leram um livro inteiro, o índice cai para 27%.
Entre os principais motivos apontados estão a presença constante dos meios digitais, a falta de tempo e o desinteresse. A pesquisa também identificou uma queda significativa na percepção da escola, justamente um dos espaços que Rudá tenta atingir, como espaço de incentivo à leitura, o que acende um alerta para educadores e gestores públicos.
Estímulo à leitura e contato com a poesia
É nesse contexto que Rudá propõe um caminho diferente. Em suas apresentações, o poeta mescla textos autorais com obras de escritores consagrados, como Castro Alves, Federico García Lorca e Pablo Neruda. A proposta é promover uma experiência sensível com a literatura, valorizando tanto a estética poética quanto os contextos históricos e sociais das obras.
“A poesia não é escrita simplesmente…a poesia é vivida”, afirma o autor. “Está no olhar, na forma como percebemos o mundo e como isso nos transforma.”
A proposta tem chamado atenção de estudantes e professores. As atividades acontecem em diversos espaços e são marcadas pela oralidade, diálogo aberto e acesso democrático à literatura. O autor busca ampliar o alcance da poesia, especialmente em regiões e comunidades com menor acesso a bens culturais.
Para Rudá, o contato com a arte e com a leitura deve fazer parte do cotidiano escolar e social. “É necessário compartilhar a poesia como uma expressão artística, para além do ensino tradicional, pois, quando recitada, ela emociona, gera reflexões e também estimula a leitura”, diz. “Quando um estudante abre um livro, ele também abre uma janela… cujas imagens vistas permanecem em sua mente, maturando sua percepção. Democratizar a cultura é acima de tudo abrir janelas.”
Ária: um mergulho nas letras e na existência
Junto das atividades propostas por Rudá vem a divulgação de seu novo livro, Ária. Lançada em 2025 durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a obra reúne 102 poemas que exploram temas como tempo, existência, memória, natureza e relações humanas.
O livro propõe um mergulho simbólico e sensorial. A sinopse oficial define a narrativa como “existencial, que reflete sobre a vida e seu propósito, sobre vicissitudes e percalços, sobre a finitude – que todos silencia – e a perenidade – ressoando de momentos singulares.” Nos espaços em que Rudá frequentou para falar sobre a narrativa, entrou em contato com diversos públicos que evidenciam a importância da disseminação da poesia e literatura em geral:
“Ao compartilhar a linguagem poética num contexto artístico, ela ressoa e toca os estudantes. Em meu percurso como educador, percebo claramente que os jovens gostam, sim, de poesia; só é preciso torná-la mais acessível.”

Quem é Rudá Ventura?
Rudá Ventura é poeta, músico e educador, natural de São Paulo. Formado em História e pós-graduado em Ciências Humanas pela PUCRS, também possui formação em Canto pela Etec de Artes.
Publicou seu primeiro livro, Preamar, em 2017, pela editora Laranja Original. Em 2019, integrou a antologia Encontro de Utopias, da Editora Patuá. Seus poemas já foram publicados em revistas literárias do Brasil, Portugal e Moçambique.
Atualmente, o autor se dedica à divulgação de Ária e à realização de oficinas, recitais em escolas e eventos culturais para a democratização da literatura.













