Alegando prazo e ato oposto, PM recusa apoio; organizadoras denunciam omissão do Estado
Polícia Militar comunicou à deputada que solicitou apoio que não haveria policiamento para a manifestação convocada pelo Movimento Nacional Mulheres Vivas, marcada para domingo, 7 de dezembro, no vão livre do MASP, sob o argumento de que o pedido de segurança foi protocolado fora do prazo mínimo exigido por decreto estadual e que já havia ato rival registrado para o mesmo dia e local.
O protesto do Movimento Nacional Mulheres Vivas tinha por objetivo dar visibilidade à escalada de casos de violência e feminicídios em São Paulo e exigir respostas do Estado.
Em ofício enviado à parlamentar Sâmia Bomfim (PSOL), a Polícia Militar justificou a recusa afirmando “que eventos com público esperado superior a 300 pessoas precisam ser comunicados com antecedência mínima de cinco dias”, prazo que, segundo a corporação, não teria sido cumprido.
Além disso, a PM apontou que já existia registro, com data anterior, de uma manifestação de caráter antagônico para o mesmo horário e local: um ato pró-anistia política convocado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nas redes sociais, a deputada federal Sâmia Bonfim (Psol-SP) destacou a relevância da mobilização. “Nós vamos tomar as ruas para dizer um basta à violência contra as mulheres.
A decisão da PM ocorre em meio a um contexto alarmante: em 2025, a capital paulista registra a maior marca de feminicídios desde o início da série histórica, com 53 casos entre janeiro e outubro, números que já superam o mesmo período de 2024.
As críticas à corporação vêm de diversos setores. Para movimentos de mulheres e organizações de direitos humanos, a negativa reforça a percepção de que o Estado falha em garantir segurança justamente quando ela é mais necessária, tornando vulneráveis as vítimas e as vozes que protestam contra a violência de gênero.
Enquanto isso, as políticas instituídas para proteção às mulheres , como as salas de atendimento da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o aplicativo de denúncia e o monitoramento de agressores com tornozeleiras eletrônicas, são destaque nas estratégias oficiais. No entanto o episódio de recusa de apoio à manifestação demonstra que, na prática, o aparato de segurança ainda falha em situações de mobilização social.
Mobilização, segurança pública e visibilidade
A negativa da PM provoca questionamentos sobre o papel do Estado na garantia tanto da liberdade de expressão quanto da segurança de manifestantes, especialmente quando se trata de protestos por direitos humanos, com caráter de urgência social.
Para ativistas, a recusa evidência a contradição de um Estado que, por um lado, proclama combater a violência de gênero; por outro, se recusa a proteger mobilizações que exigem essas mudanças. Já para autoridades, a justificativa está na lei que regula manifestações públicas e no risco de conflito entre atos antagônicos.
Independentemente dos embates legais, o ato segue convocado e o desfecho dependerá, além da articulação dos movimentos sociais, da pressão pública por uma resposta que combine segurança, proteção e respeito aos direitos civis.
Veja os locais onde os atos serão realizados neste domingo (7):
Brasília (DF): 10h, Feira da Torre de TV
São Paulo (SP): 14h, vão do Masp
Rio de Janeiro (RJ): 12h, Posto 5 – Copacabana
Curitiba (PR): 10h, Praça João Cândido – Largo da Ordem
Cuiabá (MT): 14h, Praça Santos Dumond
Campo Grande (MS): 13h, em frente ao Aquário do Pantanal
Manaus (AM): 17h, Largo São Sebastião
Parnaíba (PI): 16h, em frente ao Parnaíba Shopping
Belo Horizonte (MG): 11h, Praça Raul Soares
Porto Alegre (RS): 17h, Praça da Matriz
São José dos Campos (SP): 15h, Largo São Benedito
Salvador (BA): 10h, Barra (do Cristo ao Farol)
São Luís (MA): 9h, Praça da Igreja do Carmos (Feirinha)
Belém (PA): 8h, Boulevard Gastronomia
Teresina (PI): 17h, Praça Pedro II












