Inflação e custos elevados ampliam o apelo por produtos ilegais, apontam especialistas e dados oficiais
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A pirataria voltou a crescer no país em meio à disparada dos preços de bens e serviços – um cenário que tem levado consumidores a buscar alternativas mais acessíveis, mesmo que ilegais. Especialistas afirmam que a combinação de inflação e retração do poder de compra torna o mercado de produtos piratas cada vez mais atrativo.

O preço alto de produtos e serviços são a principal causa para o aumento da pirataria. foto: pexels
Percalços econômicos e explosão da pirataria
Segundo dados do Anuário da Falsificação 2025, elaborado pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), o Brasil perdeu cerca de R$ 471 bilhões em 2024 com contrabando, falsificação, pirataria e sonegações fiscais — um aumento de 27% em relação ao ano anterior. Esse montante inclui prejuízos em setores como bebidas alcoólicas (R$ 86 bilhões), vestuário (R$ 51 bilhões) e combustíveis (R$ 29 bilhões).
Um levantamento do Fórum Nacional Contra a Pirataria (FNCP) mostra que os prejuízos anuais em 2021 atingiram R$ 300 bilhões, quase o triplo dos R$ 100 bilhões estimados em 2014.
A alta de preços como alavanca da pirataria
Para muitos consumidores, o preço elevado é o principal motivador da escolha por produtos ilegais, no caso a pirataria . Uma pesquisa da Fecomércio-RJ apontou que 75% dos consumidores de produtos piratas mencionaram o preço acessível como razão principal para suas compras.
Em comunidades online, usuários relatam que, com a multiplicação dos serviços de streaming e uma série de aumentos nas mensalidades, retornaram à pirataria como alternativa mais viável. Um deles comentou:
“No momento que criaram trocentas plataformas e cancelei tudo e voltei pro torrent.”
Outros destacam o encarecimento dos games como fator-chave:
“Não tem como pagar R$350 em um jogo se o cara ganha 1–2 salários mínimos.”

Mario kart World chegou ao Brasil a 500 reais, tornando sua compra inviável foto: Divulgação
Impactos sociais e econômicos da pirataria
A pirataria não causa apenas prejuízo financeiro: ela reduz a arrecadação de impostos, mina a competitividade das empresas legais e freia a criação de empregos.
Em 2022, estudo da CNI, Firjan e Fiesp estimou perdas de R$ 453,5 bilhões em impostos e setor privado, além da eliminação de cerca de 370 mil postos de trabalho.
Especialistas como Celso Grisi, da USP, ressaltam que a desigualdade social incentiva a busca por produtos ilegais:
“O mercado ilegal oferece preços extremamente convidativos para quem compra (…) seduzido pelo valor.”
Cenários que exigem respostas urgentes
A escalada da pirataria em razão da alta dos preços demanda ações coordenadas. Campanhas de conscientização e políticas tributárias que tornem produtos legítimos mais competitivos são fundamentais.
Como observa Edson Vismona, presidente do FNCP:
“Se o produto ilegal avança no mercado, é porque é muito barato. Precisamos repensar a tributação sobre produtos originais.”
Além disso, reforçar a fiscalização, tanto nas fronteiras quanto no comércio eletrônico, e punir a distribuição e o consumo ilegal são passos necessários.
Futuro gera cautela
O Brasil enfrenta uma combinação perigosamente propícia à pirataria: inflação elevada, preços dos produtos originais em alta e acesso facilitado ao mercado ilegal. O resultado é um ciclo que penaliza empresas legalmente estabelecidas, o erário público e reduz a qualidade dos produtos disponíveis ao consumidor.
Sem políticas estruturadas e uma abordagem que considere o aspecto econômico e social do consumidor, o crescimento da pirataria tende a persistir. É hora de enfrentar o problema com estratégia, educação e regulação inteligente.
Saiba mais: Artigo do Tecnoblog sobre Pirataria
e leia também: Pirataria nos Streamings
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