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Quando a música tem cor, forma e cheiro: artistas que vivem com sinestesia

Crédito da capa: Pixabay

Músicos como Pharrel Williams e Lady Gaga revelam como enxergam sua arte além da audição.

Você já ouviu sua música favorita e pensou que ela é amarela e tem cheiro de chocolate? Para algumas pessoas, isso é tão natural que nem percebem que essa mistura de sentidos tem nome: sinestesia.

O nome dessa condição neurológica surge do grego, sendo a junção das palavras “união” (syn) e sensação (aisthēsis). O cérebro dos sinestésicos entrelaça o campo sensorial de forma que sons, cores e até cheiros se conectam de maneira involuntária.

Estima-se que aproximadamente 4% da população mundial possua sinestesia, que pode se manifestar de diferentes formas. A mais comum é a Grapheme-color em que o indivíduo atrela cores a sequências, como dias da semana, letras ou números. Há ainda a Cromestesia, mais comum em músicos, em que o som pode fazer a pessoa visualizar cores, formas ou movimentos.

No mundo da música, diversos artistas já revelaram como a sinestesia influencia seu processo criativo. Confira alguns nomes que sentem a música além do som:

Alessia Cara

A cantora canadense achava que todos “enxergavam” os sons como ela. Em entrevista para a UMUSIC, Alessia disse que considera a sinestesia um bom casamento com seu processo de criação musical, pois a ajuda a visualizar se todos os elementos se encaixam perfeitamente na composição.

“Me ajuda a saber se todo o aspecto de uma música faz sentido, pois se o som de um tambor soa roxo, e a música é roxa, eu sei que eles combinam. Realmente me ajuda a entender toda a música e o que eu quero fazer nos clipes musicais.”

Billie Eilish

Billie Eilish, assim como seu irmão e até o seu pai compartilham da mesma condição. Em entrevista ao Jimmy Fallon, relatou que a condição ajuda nas inspirações para seu trabalho criativo.

“Todos os meus vídeos e artes, pela maior parte, têm relação com a sinestesia. As cores usadas para cada música, são as cores daquela música especificamente.”

A cantora conta que, às vezes, tem debates com seu pai sobre a cor ou formato correto dos dias da semana, percepção que varia até entre sinestésicos.

Charli XCX

Crédito: Instagram / Charli XCX

Charli revelou à BBC que entregou o hit “I Love It” para a dupla Icona Pop, pois não conseguiu relacionar a cor da música ao seu estilo. A cantora também afirmou que têm preferência para certas tonalidades de sons.

“Eu vejo música em cores. Eu amo música que é preta, rosa, roxa ou vermelha — mas eu odeio músicas que são verde, amarela ou marrom.”

Frank Ocean

Em entrevista à MTV, Frank explicou que vê cores associadas aos tons da música. No entanto, não considera a condição um fator essencial para o seu processo criativo.

“É só algo que eu sempre tive. Eu acho que meu processo criativo seria o mesmo, não importa se eu visse cores ou cabras. É só algo legal de se dizer, que os tons que eu ouço têm uma paleta de cores.”

Lady Gaga

Lady Gaga já revelou que, durante a composição, enxerga suas músicas como uma pintura. Em entrevista à Elle, descreve como a sinestesia impactou os elementos visuais de seu último álbum, Mayhem (2025).

“Toda música tem uma tonalidade diferente. Muitas músicas desse álbum têm uma cor bordô e marrom. ‘Bad Romance’ era assim — era avermelhado.”

Lorde

Crédito: Instagram / Lorde

Em um perfil da New York Times Magazine, a cantora compartilhou que possui sinestesia e enxerga sua música de maneira totalmente visual. Em seu processo criativo, ela organiza as cores de cada elemento musical até chegar na combinação que considera certa.

“Do momento em que eu começo algo, eu consigo ver a música finalizada, mesmo que longe e borrada (…) É sobre fazer o produto final soar com o que eu estou vendo”.

MARINA

Crédito: Instagram / MARINA

Marina descreve sua sinestesia como uma sensibilidade aguçada para as cores, em que as associa a certas notas ou dias da semana. Para The Sydney Morning Herald, ela disse que às vezes também sente certos cheiros sem razão aparente.

“Todo número de um dígito tem uma cor e números de dois dígitos são uma combinação deles. O número três é um verde empoeirado e o quatro é um amarelo quente. Isso significa que 34 é um amarelo-esverdeado.”

Pharrell Williams

Crédito: Instagram / Pharell Williams

Pharrell é conhecido por falar abertamente sobre o tema. Em entrevista para a NPR, confessou não gostar do uso do termo “condição médica” para se referir à sinestesia. Ele também usa seu dom para identificar quando a música está dentro do tom, através da combinação das cores.

“Se eu contar para todo mundo agora imaginar um caminhão vermelho, você vai ver um. Mas tem um de frente a você na vida real? Não. Esse é o poder da mente. Nós pessoas com sinestesia não percebemos até que alguém diga ‘Bem, eu não vejo cores quando eu ouço música’, e é quando você percebe que é diferente.”

Em seu documentário “Piece by Piece” (2024), animado pela LEGO, Pharrell conta sua história de vida e traz reflexões sobre seu processo criativo, mostrando como sua percepção única do mundo influencia sua arte, sendo uma parte integral do seu trabalho. Ele também explora as dificuldades da sinestesia, mostrando como a condição pode causar uma sobrecarga sensorial de estímulos.

Para quem vive com sinestesia, o mundo é uma interligação incrível de sentidos. No meio artístico, isso pode se transformar em inspiração, identidade e criação.
E você, já parou para pensar qual seria a cor da sua música favorita?

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