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Petroleiros iniciam greve nacional após impasse em negociações com a Petrobras

Petroleiros entram em greve nacional por tempo indeterminado

A paralisação começou à meia-noite de 15 de dezembro, após assembleias e rejeição de contraproposta no ACT.

Petroleiros de todo o país iniciaram greve por tempo indeterminado à meia-noite desta segunda-feira, 15 de dezembro, em unidades da Petrobras, após meses de negociações sem acordo coletivo, segundo sindicatos.

Greve começa após meses de negociações

Petroleiros entram em greve nacional por tempo indeterminado
(Reprodução/Freepik)

A greve nacional dos petroleiros teve início na madrugada de segunda-feira, após a conclusão de assembleias realizadas em bases onshore e offshore da Petrobras. A decisão ocorreu depois da rejeição, pelos sindicatos, da contraproposta apresentada pela companhia durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Segundo as entidades representativas, as negociações se estenderam por mais de três meses, sem consenso sobre pontos considerados centrais do ACT. Diante do impasse, a paralisação nacional foi aprovada na última sexta-feira, com início definido para a madrugada de segunda.

A mobilização dos petroleiros ocorre em todo o território nacional e afeta unidades administrativas, plataformas e refinarias da Petrobras. De acordo com os sindicatos, todas as ações seguem os trâmites legais previstos na Lei de Greve.

Aprovação expressiva nas assembleias

Na base do Sindipetro-NF, as assembleias foram encerradas na sexta-feira, 12 de dezembro. O resultado consolidado indicou 96,10% de aprovação da greve por tempo indeterminado, considerando trabalhadores de unidades offshore e onshore.

Representantes sindicais com base offshore se reuniram no domingo, 14 de dezembro, para alinhar as estratégias finais antes da deflagração do movimento. A paralisação ocorre de forma unificada entre as diferentes regiões do país.

De acordo com os sindicatos, a elevada adesão expressa a insatisfação da categoria com medidas recentes adotadas pela gestão da companhia, classificadas pelas entidades como ações unilaterais.

Reivindicações apresentadas pelos sindicatos

Petroleiros entram em greve nacional por tempo indeterminado
(Reprodução/Freepik)

Entre os principais eixos da pauta está a defesa de um Acordo Coletivo de Trabalho considerado compatível com o porte da empresa. Os sindicatos também reivindicam uma distribuição mais equilibrada dos resultados financeiros e o fim dos Planos de Equacionamento de Déficit da Petros.

As entidades defendem ainda o reconhecimento da chamada Pauta pelo Brasil Soberano, que inclui a suspensão dos desimplantes forçados. As reivindicações foram reiteradas ao longo das rodadas de negociação.

Em nota, a Federação Única dos Petroleiros afirmou que a contraproposta rejeitada não avançou nos pontos aprovados pela categoria. Segundo a entidade, direitos retirados em gestões anteriores permanecem sem retomada.

Salários, aposentados e fundo de pensão

No campo salarial, os sindicatos criticam o índice apresentado pela empresa. A proposta prevê reposição da inflação do período com ganho real de 0,5%, totalizando 5,66%, enquanto a categoria reivindica reajuste de 9,8%.

A situação de aposentados e pensionistas também integra a mobilização nacional. Grupos realizaram vigílias em frente à sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, em protesto contra os descontos relacionados ao equacionamento do fundo de pensão.

O Plano de Equacionamento de Déficit prevê contribuições adicionais quando há insuficiência de recursos previdenciários. Os descontos atingem trabalhadores da ativa, aposentados e pensionistas. A Petros é responsável pela previdência complementar dos empregados da estatal.

Unidades afetadas e adesão inicial

Petroleiros entram em greve nacional por tempo indeterminado
(Reprodução/Freepik)

A greve dos petroleiros afeta plataformas, refinarias e áreas administrativas da Petrobras. Na manhã de segunda-feira, trabalhadores de seis refinarias aderiram ao movimento sem realizar a troca de turno.

Estão entre as unidades afetadas as refinarias Regap, Reduc, Replan, Recap, Revap e Repar. Segundo os sindicatos, a adesão ocorreu de forma coordenada.

Houve ainda a entrega das operações a equipes de contingência no Espírito Santo e no Norte Fluminense. No Terminal Aquaviário de Coari, no Amazonas, a adesão foi registrada como integral pelas entidades sindicais.

Em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, houve registro do uso de spray de pimenta pela Polícia Militar durante uma manifestação de trabalhadores.

Posição das entidades e trâmites legais

Os 14 sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros participam da mobilização nacional. A federação afirma cumprir integralmente os dispositivos da Lei nº 7.783, que regulamenta o direito de greve.

Segundo a FUP, cerca de 25 mil trabalhadores estão mobilizados em unidades responsáveis por parcela significativa das operações da Petrobras. A articulação ocorre de forma coordenada entre os sindicatos.

O coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, afirmou que os sindicatos definiram previamente os critérios que orientam a mobilização e que a greve responde à ausência de recuos da empresa, à falta de solução para os equacionamentos da Petros e à não apresentação de um ACT compatível com a dimensão da Petrobras, com controle operacional e parada de produção.

Empresa não se manifestou

A Petrobras foi procurada por veículos de imprensa, mas não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para posicionamento da companhia.

A paralisação ocorre enquanto seguem reuniões em Brasília, com a participação de representantes da categoria, do governo e de comissão específica. A greve permanece por tempo indeterminado.

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