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ONU celebra 80 anos sob crise de legitimidade e pressão por reforma

Assembleia Geral em Nova York reúne líderes de 150 países, discute reconhecimento da Palestina e busca fortalecer multilateralismo em meio a guerras e crise financeira

A Organização das Nações Unidas abriu nesta segunda-feira (22) a Semana de Alto Nível de sua Assembleia Geral, em Nova York, marcada pela comemoração dos 80 anos da entidade, por apelos ao fortalecimento do multilateralismo e pela expectativa em torno do reconhecimento do Estado da Palestina.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a paz deve ser tratada como “a busca mais corajosa, prática e necessária de todas”. Ele contestou a visão de que a paz seria “ingênua” e defendeu que a organização seja fortalecida “com clareza, coragem e convicção” para cumprir sua missão.

Na mesma linha, a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, disse que não se trata de um dia de celebração, mas de coragem. Ela lembrou os horrores da Segunda Guerra Mundial, que motivaram a criação da ONU em 1945, e alertou para os desafios atuais, como a guerra em Gaza, a violência sexual no Sudão, o conflito na Ucrânia e a crise no Haiti.

“Os tempos parecem novamente sombrios”, afirmou.

A questão palestina domina os bastidores da assembleia. Mais de 150 países já reconheceram formalmente o Estado da Palestina, incluindo França, Bélgica, Luxemburgo e Malta, que oficializaram a decisão nesta segunda-feira. A entrada da Palestina no sistema ONU, no entanto, depende do Conselho de Segurança, onde os Estados Unidos, aliados de Israel, têm poder de veto.

O fortalecimento do multilateralismo e a reforma da ONU também estão no centro dos debates. Entre as propostas, estão a ampliação do Conselho de Segurança e a substituição do veto por um sistema de quórum qualificado. O Brasil, que já se apresenta como candidato a membro permanente, defende a mudança.

As discussões ocorrem em um momento em que a ONU enfrenta dificuldades financeiras, agravadas pelo atraso nos pagamentos de países-membros. Os débitos somam mais de US$ 2 bilhões, dos quais US$ 1,5 bilhão é referente aos Estados Unidos. Para lidar com a crise, Guterres anunciou o plano “UN80”, que prevê cortes de gastos, redução de equipes e reorganização de escritórios.

A Semana de Alto Nível terá, além do debate geral, conferências sobre igualdade de gênero, mudança climática e inteligência artificial. Para a ONU, a data não apenas marca oito décadas de história, mas também serve de oportunidade para renovar compromissos e reimaginar o futuro da governança global.

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