Primeiro, foi a Nutella com leite Ninho. Depois, o pistache gourmetizado e milimetricamente instagramável. Agora, é o morango do amor: um pedaço de fruta coberto por uma camada de açúcar caramelizado vendido a quase R$50 nas mãos certas. O preço não assusta, ao contrário, atrai. Porque, hoje, mais do que sentir sabor, as pessoas querem sentir que pertencem.
Bonito, crocante, fotogênico. Um doce simples que virou símbolo de status. É isso que ele representa agora. O morango do amor, que por anos foi vendido em festas populares por R$6, foi reembalado e promovido à categoria de “experiência”. E quem come, exibe. Quem exibe, pertence.
A verdade é que não temos fome de açúcar. Temos fome de aceitação. De ser visto. De estar na trend. No mundo em que tudo se mede por likes e visualizações, até a sobremesa virou código social. Se você está segurando o morango certo, no lugar certo, na hora certa, parabéns, você existe. Mas só até o próximo viral.
Porque tudo vira trend, e tudo se esvai. O que hoje é febre, amanhã é só mais um resto açucarado no fundo da bolsa. A necessidade de se diferenciar criou um mercado onde o comum é embalado como luxo. Onde o que importa não é o gosto, mas o post. E onde muita gente mastiga compulsivamente o próprio vazio.
Talvez seja isso, o morango do amor não é um doce, é um disfarce. Um símbolo de uma geração que não sabe mais o que sente, mas precisa mostrar que sente alguma coisa nem que seja um pouco de inveja no feed de quem vê.
Imagens: Receiteria












