Home / Economia / Nova linha de crédito habitacional impulsiona o mercado imobiliário

Nova linha de crédito habitacional impulsiona o mercado imobiliário

Governo amplia teto de financiamento, flexibiliza regras e permite uso do FGTS, estimulando construção civil e movimentando toda a cadeia produtiva

O governo federal oficializou uma nova linha de crédito habitacional voltada à classe média, que promete impulsionar a construção civil e movimentar a economia. Com teto ampliado, regras mais flexíveis e permissão para uso do FGTS, a iniciativa chega em um momento de alta na demanda por imóveis e de recuperação do setor, que cresceu 3,2% no segundo trimestre de 2025, segundo o IBGE.

A reforma moderniza as regras do sistema de poupança e empréstimo e amplia o limite de financiamento para até R$ 2,25 milhões, fortalecendo ainda mais o setor da construção civil.

A cerimônia de lançamento ocorreu em 10 de outubro de 2025, em São Paulo, onde o governo apresentou o novo modelo de crédito imobiliário com foco na ampliação da oferta e do acesso à moradia. A medida reformula a lógica das operações atuais, modernizando o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

A mudança beneficia principalmente operações realizadas dentro das regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), voltadas ao público de classe média. A expectativa é de que a medida estimule a expansão da construção civil e gere novos empregos — o setor já ultrapassou a marca de 3 milhões de empregos formais no país.

“As coisas acontecem neste país quando há um governo disposto a ouvir e a fazer as coisas andarem para frente. É preciso continuar promovendo políticas de inclusão social, para que as pessoas subam mais um degrau na escala social e construamos uma sociedade de classe média”, afirmou o presidente Lula durante a cerimônia.

Créditos: Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Novas regras de financiamento

Antes da mudança, 65% dos depósitos da poupança precisavam ser obrigatoriamente aplicados em créditos imobiliários, cerca de 20% eram recolhidos de forma compulsória pelo Banco Central e 15% tinham aplicação livre.

Esse modelo, no entanto, limitava a expansão do crédito em períodos de queda nos saldos da poupança. Com as novas regras, será possível elevar gradualmente o percentual destinado a financiamentos, até que 100% dos saldos da poupança possam ser aplicados em crédito imobiliário.

Na prática, quanto mais recursos forem depositados na poupança, mais crédito estará disponível para financiamentos de imóveis. As instituições financeiras também poderão aplicar parte dos recursos de forma mais rentável, desde que cumpram as exigências de direcionamento do crédito.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o novo modelo foi concebido com base na sustentabilidade e na segurança, resultado de um trabalho conjunto entre o governo e o setor financeiro.

“O Banco Central apresentou um modelo estrutural que substitui penduricalhos da poupança por um sistema que canaliza o dinheiro mais barato da economia para a produção na construção civil”, explicou Haddad.

“O modelo traz todas as salvaguardas necessárias para garantir um financiamento sustentável e seguro do ponto de vista financeiro”, completou.

Programa para famílias de baixa renda

Na véspera do anúncio, em 9 de outubro, o governo lançou uma linha de crédito voltada à reforma de moradias para famílias de baixa renda, integrada ao programa Minha Casa, Minha Vida, dentro do novo PAC. Os financiamentos variam entre R$ 5 mil e R$ 30 mil, com juros reduzidos e prazos de 24 a 60 meses para pagamento.

O objetivo é promover o direito à moradia e reduzir a inadequação habitacional em áreas urbanas, permitindo que famílias realizem melhorias estruturais em suas residências.

Entre as principais mudanças anunciadas no novo modelo estão:

  • Valor máximo de financiamento ampliado de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões;
  • Juros de até 12% ao ano;
  • Financiamento de até 80% do valor do imóvel pela Caixa Econômica Federal;
  • Uso do FGTS como entrada ou amortização, antes restrito a imóveis populares.

“Mais crédito significa mais negócios. Com o teto ampliado e condições mais acessíveis, o mercado volta a respirar e a gerar oportunidades”, afirma Noé Santiago, CEO da ANIDEA.

A solicitação do crédito poderá ser feita por famílias com renda bruta mensal de até R$ 9.600, divididas em duas faixas:

  • Faixa Melhoria 1: renda de até R$ 3.200, com juros de 1,17% ao mês;
  • Faixa Melhoria 2: renda entre R$ 3.200,01 e R$ 9.600, com taxa de 1,95% ao mês.

Ainda para o público de classe média, o governo estima que essa nova faixa de crédito venha a beneficiar cerca de 120 mil famílias em 2025 — anteriormente o aumento de alcance do programa já era estimado em até 250 mil famílias.

“Estamos modernizando o sistema brasileiro de poupança e empréstimo. Isso vai representar mais casas e mais empregos para a população”, destacou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin.

Impactos na economia

O efeito positivo do novo financiamento vai além do setor imobiliário. Cada imóvel movimenta dezenas de segmentos — como engenharia, arquitetura, decoração e serviços de manutenção — criando um efeito multiplicador na economia.

Segundo estudo da CBIC, para cada R$ 1 milhão aplicado em construção civil podem ser gerados cerca de 13 empregos (diretos, indiretos e induzidos).

“A construção civil é um dos setores que mais multiplica renda, e esse tipo de incentivo tem reflexo direto em toda a cadeia produtiva”, reforça Noé Santiago.

O setor da construção civil já gera mais de 3 milhões de empregos formais. Quando novas linhas de crédito ampliam o volume de obras e financiamentos habitacionais, esse número tende a se expandir ainda mais. Isso significa não apenas mais moradias, mas também mais geração de renda, formalização de empregos e fortalecimento da atividade econômica local.

Transição gradual e perspectivas

A implantação do novo modelo será gradual, com previsão de plena implementação até janeiro de 2027, acompanhada de liberação progressiva de recursos pelo Banco Central.

“O momento é de planejamento. Com mais instituições competindo, quem se antecipa pode garantir taxas melhores e crédito mais saudável”, observa Noé Santiago.

A nova linha de crédito reforça a estratégia do governo de estimular o setor imobiliário, ampliar o acesso à moradia e fortalecer a economia nacional. Com regras mais flexíveis, maior participação do FGTS e alcance ampliado para a classe média, a medida oferece segurança, novas oportunidades de negócio e incentivo ao crescimento sustentável.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *