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MasterChef Brasil renova o seu formato com baixa no ibope e alta no digital na 12ª temporada

[Divulgação/Band]

Sem apresentador e com mais foco às redes sociais, o programa buscou um modelo que apela ao formato tradicional de outros realitys

Nesta última terça-feira (2), a 12ª temporada de cozinheiros amadores do reality show MasterChef Brasil chegou ao fim. O troféu e as típicas premiações foram para a fluminense Daniela Dantas, 49, em cima do conterrâneo Felipe Bruzzi, 33. O ambiente, porém, não é de vitória para os números da emissora do programa, a Band: o programa registrou a pior audiência ao vivo da história, com uma média de 1,5 pontos na Grande São Paulo, balançando no segundo e terceiro lugar, segundo índice da Kandar Ibope Media.

O que se manteve em alta foi os espectadores online, tanto pelo YouTube, disponibilizado no dia seguinte de cada episódio em cinco partes, quanto no HBO Max, que consta os episódios nas sextas, além de outras produções da emissora. O formato de visualização do programa vêm sendo alterado ao longo dos anos. Com um horário pouco atrativo – às 22:30 nas terças, com a final chegando até a uma hora da madrugada –, o espectador médio têm se afeiçoado a escolher o horário ideal para ver cada episódio.

E agora, com a chegada do MasterChef ao streaming, mesmo com um certo atraso, essa possibilidade se apresenta como uma realidade. Enquanto na televisão o pico de visualização para a Grande SP foi de 2,3 pontos no Índice do Ibope (equivalente à aproximadamente 460 mil espectadores), o vídeo no YouTube da primeira parte do episódio final somava mais de 1,2 milhões de espectadores na noite de quinta-feira. 

Programa renovado

Com a eliminação dupla, o grupo de Guilherme e Taynan ficou desfalcado, o que foi visto com uma vitória para os internautas espectadores de MasterChef [Reprodução/YouTube]

Com a eliminação dupla, o grupo de Guilherme e Taynan ficou desfalcado, o que foi visto com uma vitória para os internautas [Reprodução/YouTube]

Com a mudança do perfil do espectador para o mundo digital, o programa também está buscando se adaptar. A equipe optou por não colocar nenhum apresentador para ocupar a cadeira deixada pela jornalista Ana Paula Padrão. Ao invés disso, deram mais protagonismo aos três chefs jurados – Henrique Fogaça, Helena Rizzo e Érick Jacquin –, que por um lado ganhavam no carisma e no entrosamento, mas tiravam a dinamicidade e firmeza característica da antiga apresentadora.

A falta de organização e os problemas de comunicação entre o staff e o ao vivo ficaram claros com o episódio final, transmitido parte ao vivo. Falas desinteressantes, perguntas mal formuladas e o descompasso com as necessidades dos anunciantes deixaram evidente a importância de um comunicador para momentos como esse no MasterChef.

As provas também sofreram impactos. Alguns desafios impostos aos participantes provocavam certos conflitos emocionais entre os participantes, como a divisão que Taynan precisou fazer no 4º episódio dessa temporada entre os participantes “apimentados” e “insossos”. Nessa parte, os espectadores receberam o entretenimento típico de realitys.

A tradicional trama dos “bonzinhos contra os malvados” foi muito financiada pela edição, com o seu clímax atingido na dupla eliminação de Sofia Jungmann e Felipe Miyasaka para o gelatinoso Aspic. Enquanto as redes sociais balançavam com animosidade contra o pequeno grupo de jovens cozinheiros, as provas antes engenhosas e criativas parecem ter perdido o fôlego para situações mais simples ou até reprisadas de outras temporadas. 

Digital em foco

As redes sociais do MasterChef tiveram um certo privilégio. Novos conteúdos oficiais foram criados e, seguindo a linha da última edição, os perfis oficiais dos participantes foram impulsionados. Essa estratégia – a chamada transmedia – dá a sensação de interesse e ajuda a construir uma imagem de cada integrante mesmo fora das telas. Porém, como um caso de escândalo, facilitou a veiculação de mensagens de ódio principalmente contra Sofia e Felipe M., que reclamaram publicamente sobre desgastes de sua imagem por conta da participação e da edição dos episódios. 

Mais do que nunca, o MasterChef Brasil busca estratégias cada vez mais digitais para se reinventar. Neste ano, o resultado da vencedora foi divulgado primeiro por meio de um vídeo reels no instagram oficial do Ifood, antes mesmo do ao vivo dar a informação. Entrevistas e falas exclusivas feitas pelo YouTube, Instagram e TikTok geraram mais engajamento que algumas cenas e provas realizadas na gravação.

Embate de cozinhas

O programa da Globo alcançou 16 pontos no Ibope na Grande São Paulo, mas não emplacou nos trending topics do X ou nas principais hashtags do TikTok como o MasterChef [Divulgação/Globo]


Outro fator que pode ter influenciado seja a concorrência com a TV Globo. Por anos, MasterChef foi o principal programa de gastronomia, o que incomodou a gigante da televisão brasileira, que até ofereceu comprar os direitos de exibição e puxar o tapete do grupo Bandeirantes. Porém, sem sucesso, lançou o programa “Chef de Alto Nível” – com estrelas como Ana Maria Braga e Alex Atala –, que ameaça o reinado do reality da Band. De qualquer forma, a popularidade do programa já não pode ser medida apenas pelos espectadores na televisão, e a digitalização do programa deve acompanhar outras ações da Band com seus programas principais.

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