Obra traz relatos de dez mulheres negras que disputaram as eleições de 2024 e seguem atuando na luta por direitos
O Instituto Marielle Franco promove neste sábado (22), às 17h, o lançamento do livro Rosas da Resistência: trajetórias e aprendizados de mulheres negras não eleitas. O evento acontece na Casa Comum, em Brasília, e representa mais um passo na ampliação da participação política de mulheres negras no país.

A publicação reúne as histórias de dez mulheres negras que disputaram as eleições de 2024 e, mesmo sem terem sido eleitas, permanecem atuantes em seus territórios e movimentos sociais. O objetivo é dar visibilidade às experiências dessas lideranças, evidenciar a força de suas atuações e destacar os desafios impostos pela violência política de gênero e raça.
O lançamento também celebra o legado de Marielle Franco e reforça o compromisso do Instituto em fortalecer práticas políticas baseadas no cuidado, na memória e na defesa de direitos.
Dados recentes da União Interparlamentar (UIP) e da ONU Mulheres mostram que a igualdade de gênero na política avança lentamente no mundo. O Brasil segue entre os países com pior desempenho: ocupa a 133ª posição no ranking global de representação parlamentar feminina e a 53ª colocação em representação ministerial. Apesar de as Américas terem a maior proporção de mulheres no parlamento (35,4%), o Brasil está muito abaixo dessa média e apenas 18,1% da Câmara e 19,8% do Senado são compostos por mulheres. Nos ministérios, o índice atinge 32,3%, com dez mulheres à frente de 31 pastas.
Esse cenário reforça a relevância de iniciativas que ampliem a presença de mulheres na política, especialmente mulheres negras, que enfrentam desigualdades ainda mais profundas.
O livro nasce de uma pesquisa qualitativa desenvolvida no âmbito do projeto Fundo de Respiro, fruto da parceria entre o Instituto Marielle Franco e a Fundação Rosa Luxemburgo. A obra reúne as trajetórias de Andreia de Lima, Ayra Dias, Bárbara Bombom, Camila Moradia, Dani Nunes, Débora Amorim, Flávia Hellen, Joelma Andrade, Lana Larrá e Mayara Batista, mulheres que enfrentam os obstáculos da política institucional e seguem atuando pela transformação social em seus territórios.
Mais do que registrar vivências, Rosas da Resistência evidencia a luta dessas lideranças por um futuro mais justo, uma atuação que ultrapassa a representatividade nas instituições e reafirma o papel central das mulheres negras na construção democrática do país.
O prefácio do livro é assinado pela deputada federal Benedita da Silva, que destaca que a obra mantém viva a memória de Marielle e de todas as mulheres negras que sonharam um futuro melhor. Para ela, as dez histórias funcionam como um farol de coragem e mostram que cada dificuldade fortalece a caminhada rumo a um amanhã mais justo.
Para Luyara Franco, diretora executiva do Instituto e filha de Marielle, o livro é também um gesto de cuidado e continuidade:
“Rosas da Resistência é um gesto de cuidado e de memória. A política feita por mulheres negras não começa nem termina nas urnas. Mesmo diante da violência, seguimos criando caminhos de esperança, continuidade e luta. Esse livro demonstra que o legado da minha mãe vive em cada mulher que resiste e transforma seus territórios.”
Luyara reforça que a obra vai além do registro histórico e se consolida como uma ferramenta de fortalecimento emocional e político para futuras lideranças.
Por Ana Paula Batista | 20 de Novembro de 2025











