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IBGE propõe metodologia para mapear Áreas Verdes Urbanas no Brasil

IBGE apresenta metodologia para mapear Áreas Verdes Urbanas

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou em 8 de setembro de 2025 uma proposta metodológica para mapear Áreas Verdes Urbanas em todo o território nacional.

O estudo, de caráter experimental, foi aplicado em Guarulhos (SP) e Palmas (TO), duas cidades escolhidas pela diversidade regional, climática e de formação urbana. 

A iniciativa busca estabelecer critérios técnicos para identificar e classificar espaços verdes urbanos, com o objetivo de subsidiar políticas públicas de planejamento territorial e monitoramento ambiental.

Segundo a Diretoria de Geociências do IBGE, a metodologia se apoia em bases legais como o Código Florestal Brasileiro, em referências internacionais da ONU-Habitat e em dados de cartografia colaborativa aliados a imagens de satélite. 

O trabalho foi divulgado para promover debate entre pesquisadores, gestores públicos e sociedade civil sobre a padronização desse tipo de levantamento em todo o território nacional.

A metodologia aplicada no projeto-piloto 

De acordo com o IBGE, a proposta considera Áreas Verdes Urbanas como espaços públicos ou privados de vegetação natural ou recuperada, destinados a usos diferentes de loteamentos e moradias.

Nessa definição entram parques, praças, canteiros e outras áreas que oferecem serviços ecossistêmicos, como regulação climática e recreação.

O mapeamento seguiu delimitações urbanas baseadas em densidade demográfica e continuidade territorial, em conformidade com padrões da ONU-Habitat.

Foram usados insumos de cartografia colaborativa, que identificam áreas verdes a partir de dados abertos, cruzados com imagens de satélite capazes de indicar a presença de vegetação.

Para a responsável técnica, Manuela Mendonça de Alvarenga, lançar o estudo em caráter experimental permite testar a aplicabilidade da metodologia em diferentes contextos urbanos.

Em entrevista divulgada pelo IBGE, ela explicou que o retorno de especialistas e gestores poderá orientar melhorias até que o método esteja apto a ser replicado nacionalmente.

Resultados do mapeamento de Áreas Verdes Urbanas em Guarulhos (SP)

IBGE apresenta metodologia para mapear Áreas Verdes Urbanas
(Divulgação/Reprodução/IBGE)

No município paulista, o estudo identificou 7.096,37 hectares de áreas verdes, o equivalente a 45% da área urbanizada quando considerado o entorno de 800 metros do centro urbano.

Ao analisar apenas a área intraurbana, o total foi de 6.036,73 hectares, correspondendo a 38% do espaço urbanizado.

Esses resultados ajudam a compreender a influência do entorno imediato das cidades na composição do mosaico de áreas verdes. Em Guarulhos, a presença significativa de vegetação no perímetro próximo ao centro reforça a importância de políticas que conciliem urbanização e preservação ambiental.

Resultados do mapeamento de Áreas Verdes Urbanas em Palmas (TO)

IBGE apresenta metodologia para mapear Áreas Verdes Urbanas
(Divulgação/Reprodução/IBGE)

Em Palmas, o levantamento identificou 5.137 hectares de áreas verdes urbanas, representando 49,11% do total das áreas urbanizadas da cidade. Porém, quando observada apenas a área intraurbana, o número caiu para 977,99 hectares — cerca de 10% da mancha urbana.

Essa diferença de quase 80% entre áreas periurbanas e intraurbanas se explica pela presença de grandes matas ciliares associadas aos rios tributários do Tocantins.

Embora exerçam funções ambientais importantes, essas regiões não se enquadram como áreas urbanizadas, já que possuem baixa densidade populacional e ausência de moradias ou construções.

Planejamento urbano e sustentabilidade

O objetivo do projeto vai além da mensuração de áreas verdes. O IBGE pretende fornecer bases técnicas para que gestores locais consigam alinhar o crescimento urbano ao uso sustentável do território.

Mapear Áreas Verdes Urbanas pode orientar a criação de novos parques, a preservação de corredores ecológicos e o aumento da qualidade ambiental nas cidades brasileiras.

Com um banco de dados padronizado, também será possível acompanhar transformações urbanas ao longo do tempo, identificar perdas de vegetação e propor medidas de recuperação.

Além disso, os resultados podem ser associados a informações socioeconômicas do Censo Demográfico, ampliando as análises sobre acesso da população a espaços verdes.

Inteligência artificial e futuras atualizações

A pesquisa considera como referência o ano de 2022, quando havia maior disponibilidade de insumos cartográficos. Segundo o IBGE, essa base inicial poderá ser atualizada de forma periódica, aproveitando inclusive recursos de inteligência artificial.

A técnica Manuela Mendonça de Alvarenga explicou que o mapeamento experimental, ao ser validado, pode servir como dado de treinamento para algoritmos de IA.

Dessa forma, seria possível automatizar parte do processo e atualizar o mapeamento em escala nacional de maneira mais ágil.

Essa perspectiva coloca o Brasil em sintonia com tendências internacionais de uso de tecnologia para monitoramento ambiental e gestão urbana.

Perspectivas para replicação do mapeamento de Áreas Verdes Urbanas em outras cidades

IBGE apresenta metodologia para mapear Áreas Verdes Urbanas
(Reprodução/Freepik)

A proposta metodológica apresentada abre espaço para que outros municípios adotem critérios semelhantes. Com a padronização, torna-se viável comparar realidades regionais distintas e construir indicadores nacionais de cobertura vegetal urbana.

Além de Guarulhos e Palmas, futuras aplicações devem contemplar cidades de portes e biomas diferentes, permitindo avaliar como fatores climáticos e históricos influenciam a distribuição de áreas verdes.

O papel de pesquisadores e gestores

O IBGE destacou que a consolidação da metodologia depende da participação ativa de pesquisadores, órgãos ambientais e gestores municipais. A proposta foi apresentada em caráter experimental justamente para receber contribuições técnicas que possam aprimorar os critérios adotados.

Para especialistas em planejamento urbano, a discussão sobre áreas verdes não se limita ao aspecto ecológico. Ela está diretamente ligada à saúde pública, à redução de ilhas de calor e ao bem-estar das populações urbanas.

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