Estudo analisou mais de 10 mil artigos e mostrou crescimento acelerado das pesquisas a partir de 2010; Brasil aparece em 11º lugar no mundo, liderando na América Latina.
O maior levantamento já realizado sobre estudos científicos relacionados ao uso terapêutico da cannabis medicinal revelou avanços significativos em diversas áreas da saúde. A pesquisa, conduzida pelo Centro de Tecnologia e Inovação da Cannabis (CTICANN), analisou mais de 10 mil artigos científicos e apontou várias evidências promissoras para o tratamento de epilepsia refratária, esclerose múltipla, transtornos mentais e sintomas decorrentes de tratamentos oncológicos.
De acordo com o relatório, intitulado Análise Sistemática Global da Produção sobre Cannabis nas Principais Bases de Dados, o número de pesquisas cresceu de forma consistente desde 2010, com uma explosão de estudos a partir de 2021. O levantamento mostra que a cannabis medicinal tem ganhado nas áreas de neurologia, psiquiatria e oncologia, reforçando a necessidade de investimentos em pesquisas de alto nível.
Entre as evidências destacadas, o canabidiol (CDB) mostrou eficácia na redução de crises convulsivas em pacientes com epilepsia refratária e alívio da espasticidade em casos de esclerose múltipla. Já o tetrahidrocanabinol (THC) apresentou resultados positivos no controle de náuseas e vômitos, além de estimular o apetite e aliviar dores e mal-estar em pacientes em tratamento contra o câncer. Também há evidências de benefício no tratamento de ansiedade, depressão, estresse pós-traumático, distúrbios do sono, dores crônicas e inflamações.
“O tratamento mostrou que os canabinóides são eficazes em diferentes condições clínicas e que a cannabis medicinal precisa ser incorporada de forma mais sólida na prática médica, com base em evidências científicas e não em preconceitos”, afirma a médica Amanda Medeiros, certificada internacionalmente em medicina endocanabinoide.
O levantamento identificou que os Estados Unidos lideram em número de pesquisas, seguidos por Canadá, Reino Unido, Alemanha, Itália e Espanha, com destaque para Israel, pioneiro na área. O Brasil aparece em 11° lugar no ranking mundial e é o país mais atuante da América Latina, principalmente graças à produção acadêmica da USP e da Unifesp.

Além da contribuição científica com apoio da Associação Brasileira de Cannabis Medicinal (SBEC) e utilizou ferramentas de inteligência artificial e bibliometria rigorosa para organizar 10.577 artigos únicos, após eliminar mais de 17 mil duplicações de bases como PubMed, Scopus, SciELO, Redalyc, Google Acadêmico e BDTD.
Segundo Thiago Ermano Jorge, pesquisador interdisciplinar e revisor da análise, a sistematização fortalece o campo científico e pode subsidiar políticas públicas: Separar mitos de evidências é fundamental para garantir segurança aos pacientes e apoiar legislações baseadas na realidade científica.
O relatório completo será disponibilizado a universidades, hospitais, empresas e órgãos reguladores interessados em aprofundar o uso responsável da cannabis medicinal.












