Telefonema de Washington nessa manhã indica uma reaproximação dos países e abre espaço para soluções diplomáticas
A Casa Branca fez uma ligação ao Palácio do Planalto às 10 horas de hoje (6). O contato entre os presidentes foi mantido em sigilo por ambos os países. Durante 30 minutos de ligação, Lula e Trump debateram sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos em produtos brasileiros. Durante a Assembleia da ONU no dia 23 de setembro, o líder estadunidense afirmou que teve uma “química excelente” com o petista, e que poderia estar aberto ao diálogo com a diplomacia brasileira.
Segundo apuração da CNN Brasil, Trump apresentou um tom mais cordial durante o telefonema. A ligação teria ocorrido em duas etapas: uma conversa direta entre os dois presidentes, seguido por uma rodada de discussões entre as equipes técnicas de cada país. Foram debatidos a possibilidade de novos encontros presenciais que, segundo o veículo de comunicação, poderiam acontecer na Itália, Malásia ou nos próprios Estados Unidos.
Ligação de bilhões

Na Assembleia Geral da ONU, que aconteceu em Nova Iorque no dia 23 de setembro, Trump comentou que encontrou o presidente Lula no corredor da organização e reforçou com entusiasmo as suas primeiras impressões positivas do líder brasileiro [Reprodução/Agência Brasil]
Duas semanas atrás, Donald Trump afirmou na Assembleia da ONU que seu primeiro contato com Lula havia sido positivo, e que “quando gosta de alguém, está aberto a negociações”. Este foi o primeiro aceno público a uma retomada diplomática desde a imposição de cerca de 40% de taxas para produtos brasileiros, o chamado “tarifaço”.
Desde lá, certos mercados nacionais, como o de carnes, o agronegócio e as bebidas alcóolicas, sofreram impactos econômicos, o que causou a diminuição de 18,5% das importações para os EUA durante o primeiro mês de vigência da medida. No entanto, com o aumento das exportações para países como China, México e Argentina, o cenário surgiu com certa positividade, com a balança comercial atingindo um superávit de US$6,13 bilhões.
A resiliência do mercado brasileiro e a aproximação com mercados alternativos podem ter pressionado as decisões de Trump por uma reconciliação. Em nota, o governo Lula afirma que pautou a ligação com as inconsistências do tarifaço, reforçando a relação diplomática de dois séculos entre as nações e enfatizando a balança comercial entre os países. O Brasil é um dos três participantes do G20, grupo das 20 nações mais ricas do mundo, em que os EUA mais exportam que importam, o que caracteriza como um comércio lucrativo para Washington.
Desdobramentos políticos do telefonema

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou a ligação do presidente dos Estados Unidos como “muito positiva” ao ser abordado por jornalistas na saída do Palácio do Planalto [Reprodução/Metrópoles]
O secretário de Estado americano Marco Rúbio seguirá com as negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da fazenda Fernando Haddad. A equipe de Lula afirmou a necessidade da retirada do tarifaço e concordou com um encontro presencial entre os dois líderes. As principais possibilidades são nos Estados Unidos e na Cúpula de Asean, na Malásia. O líder brasileiro ainda reiterou o convite para a COP30, em Belém (PA).
Em postagem na rede social Truth Social, Donald Trump afirmou que teve “uma conversa telefônica muito boa”, que os pretende se encontrar com Lula em um futuro próximo, “tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos” e que espera que ambos os países possam crescer juntos. A aproximação entre o republicano e o petista penaliza a extrema direita liderada por Eduardo Bolsonaro, que busca aliados na Casa Branca e no parlamento americano que pressionem o governo Lula a anistiar o ex-presidente Jair Bolsonaro.












