O ex-presidente se retira do cargo após votação de impeachment
Cinco dias após o Conselho Deliberativo aprovar seu impeachment, Julio Casares renunciou ao cargo de presidente do São Paulo na tarde desta quarta-feira (21). A decisão foi oficializada por meio de uma publicação em suas redes sociais.
Ao renunciar, Casares se antecipou à Assembleia Geral de sócios, que teria o poder de decretar sua saída definitiva. Com o gesto, o dirigente preserva seus direitos políticos: ele continua apto a ocupar cargos na instituição e poderá concorrer à presidência novamente em 2029. Caso o impeachment fosse ratificado pelos sócios, Casares ficaria inelegível por uma década.
O comando do clube passa agora para Harry Massis Junior, de 80 anos. Vice-presidente desde o início da gestão, em janeiro de 2021, Harry assumirá o mandato tampão até o final de 2026.
Trecho da carta de Julio Casares em que se defende das acusações:
“O que se iniciou como versões frágeis e boatos foi sendo reiteradamente reproduzido, amplificado e, gradativamente, tratado como verdade, mesmo sem a apresentação de fundamentos consistentes ou provas robustas.
Formou-se, assim, um contexto de grave contaminação do debate, no qual ilações passaram a ocupar o lugar dos fatos e suposições foram apresentadas como certezas, em um processo que, aos poucos, transformou versões construídas em verdades aparentes.
Não afirmo, neste momento, autoria, métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes. Contudo, é impossível ignorar que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama política ardilosa, marcada por interesses, traições institucionais e expedientes incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube – fatos que o tempo e a história haverão de registrar.
Esse cenário afetou profundamente a governança do clube e, de forma absolutamente inaceitável, ultrapassou os limites da esfera institucional, alcançando minha família e minha vida pessoal.”
Relembre as polemicas envolvendo Casares no comando tricolor
O Ministério Público e a Polícia Civil conduzem, desde o final de 2025, investigações sobre supostas fraudes financeiras no São Paulo. O foco recai sobre depósitos que somam R$ 1,5 milhão nas contas do ex-dirigente, realizados de forma fracionada — prática conhecida como “smurfing”, utilizada para burlar mecanismos de controle. Após o alerta, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) passou a monitorar as contas de Casares. Em nota, a defesa de Julio Casares afirmou que todas as movimentações têm origem lícita e legítima.
Outro caso que abalou a diretoria são-paulina envolve a comercialização irregular de camarotes durante shows no estádio do Morumbis. Em áudios vazados, Douglas Schwartzman (então diretor adjunto da base) e Mara Casares (ex-diretora feminina e ex-esposa de Julio Casares) discutem o repasse clandestino de ingressos a terceiros. Ambos foram afastados de suas funções e são alvos de investigação da Polícia Civil do Estado de São Paulo, que nesta quarta-feira (21) cumpriu mandados de busca e apreensão em suas residências.












