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População negra é a mais afetada, segundo levantamento feito pela Fiocruz.
O 1° Informe epidemiológico realizado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) sobre a situação da juventude brasileira: violências e acidentes, trouxe novos dados em relação ao bem estar social da população jovem no Brasil.
Em relação a idade :
- Até o final da adolescência, entre 15 a 19 anos, jovens sofrem mais agressão, especialmente física, além de serem vítimas de conflito.
- Grupos da faixa etária de 20 a 24 anos, estão mais sujeitos a morte violenta.
Um dos pontos da pesquisa revelou que a faixa etária é um fator de risco mais do que a localização geográfica para violências e acidentes, tanto em áreas metropolitanas como em cidades do interior.
Estudo com apoio do IBGE e SUS
Segundo os dados divulgados, 65% dos falecimentos desta faixa são resultado de causas externas, como violências e acidentes.
- A taxa de mortalidade por causas externas para jovens é de 185,5 mortes para cada 100 mil habitantes
- A taxa é mais alta em jovens entre 20 e 24 anos
- Mais de um terço dos casos de violência notificados no SUS vitimaram jovens
A pesquisa utilizou dados do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022 e 2023, para determinar o número de mortes e incidência da população jovem na idade de 15 e 29 anos ao redor do país. O levantamento feito pela Agenda Jovem Fiocruz (AJF) e da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/ Fiocruz), a taxa de mortalidade por violência e acidentes entre jovens é maior do que a da população nos estados e no Distrito Federal. Essa diferença, em alguns casos, é maior que 50 %.
“No curso da vida juvenil, as questões de saúde, incluindo as violências, incidem de maneira diferente se a pessoa jovem está no início, no meio ou no fim desse ciclo. É fundamental identificar, portanto, as necessidades em saúde mirando as distintas subfaixas de idade”, aponta André Sobrinho, coordenador da AJF.
Pessoas negras são as mais atingidas.
O fator da raça também é um determinante: 73% das mortes por causas externas são de jovens negros. Em 2022 e 2023, esse número foi de 61.346 óbitos.
Mortes violentas atingem mais os jovens do sexo masculino, cuja taxa de mortalidade é oito vezes maior do que a das mulheres jovens. Homens entre 20 e 24 anos são os mais atingidos, com 390 óbitos para cada 100 mil habitantes. No entanto, são as mulheres as maiores vítimas de violência registradas pelo SUS, na faixa etária de 15 a 19 anos. O Distrito Federal e o Espírito Santo apresentam taxas de um caso para cada cem habitantes, 1.022 e 993 respectivamente.
Jovens negros (preto e pardos) representam mais da metade (54,1%) das vítimas jovens notificadas.
- O risco de morte por causas externas entre jovens homens negros chega a 227,5 para cada 100 mil habitantes, que é 22% maior que a taxa do conjunto da população jovem (185,5), e mais do que 90% maior que a taxa de mortalidade de jovens homens brancos e amarelos.
Essa diferença é ainda mais grave nos mais novos, entre 15 a 19 anos:
- As taxas de mortalidade por causas externas para negros 161,8 obitos para cada 100 mil habitantes
- Indígenas apresentam 160,7, quase o dobro das taxas para brancos (78,3) e amarelos (80,8).
Mulheres representam maior número de casos de agressão
Homens jovens são os que mais morrem, enquanto as mulheres jovens são as principais vítimas de agressões.
A pesquisa mostrou que o sexismo aparece como a motivação mais alegada em relação a violência contra jovens nas notificações do SUS, com porcentagem de 23,7% dos casos.
- Mulheres jovens entre 25 e 29 anos são os principais alvos
- Enforcamento, estrangulamento e sufocação, são as causas mais frequentes em óbitos de mulheres
- As mulheres são mais assassinadas dentro de casa, correspondendo a 34,5% dos casos, contra 9,6% dos homens
- Para homens jovens o maior risco de morte ocorre nas ruas (57,6%)

Jovens com deficiência também são afetados
Jovens com deficiência (PCDs) representam um quinto das notificações de violências pelo SUS.
Esses grupos foram 20,5% das notificações de violências no SUS. As vítimas com deficiência equivalem a 17,6 % na população.
Os tipos de deficiência mais vitimadas foram relacionadas à saúde mental: transtornos mentais, comportamento e deficiência intelectual.
“É extremamente necessário trazer dados e reflexões sobre como a violência se apresenta de maneira distinta em relação à idade, gênero, raça e localização geográfica. Isto ajuda a compreender como agressões e acidentes são associados às condições de vida e trabalho das juventudes brasileiras”, enfatiza a pesquisadora da EPSJV/Fiocruz, Bianca Leandro.
Armas de fogo, motocicletas e ação da Polícia, são os principais fatores
Cerca de 47 % dos jovens brasileiros sofrem com agressão física, seguida de 15,6% por violência psicológica/moral e de violência sexual 7,2%. Quanto mais velha a vítima, maior a proporção de violência psicológica. Quanto mais jovem, maior a proporção de violência física.
- 84 % das mortes por acidentes de transportes matam principalmente homens
- 53 % dos casos foram por motocicleta
- Para homens e mulheres, agressões de arma de fogo, constituem a principal causa de morte.
- 3% dessas mortes é referente a ação da polícia.
Estados Brasileiros com maiores índices de mortalidade juvenil
As regiões Nordeste e Norte apresentam os maiores risco de morte para jovens. O destaque foi para o Amapá, na faixa de 20 e 24 anos, com 447 óbitos para cada 100 mil habitantes e na Bahia com cerca de 403 falecimentos.
As Unidades de Federação com as maiores taxas de violência juvenil por cem mil habitantes, foram:
- Distrito Federal (696,1 )
- Espírito Santo (637, 8)
- Mato Grosso do Sul (629, 5)
- Roraima (623,5)
O estudo feito pelo Fiocruz foi publicado na segunda (25), sendo o primeiro de um ciclo de informes epidemiológicos sobre a situação de saúde das juventudes que os pesquisadores da AJF e da EPSJV/Fiocruz planejam lançar em 2025.
Confira a reportagem do G1 sobre a mortalidade dos jovens no Brasil.












