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Japão às vésperas das eleições: governo Ishiba em xeque com apoio em queda e oposição em ascensão.

Com popularidade em declínio, o premiê Ishiba enfrenta pressão crescente enquanto partidos opositores ganham força e desafiam o equilíbrio político do país.

Com eleições programadas para o dia 20 de julho para a escolha da Câmara Parlamentar Japonesa, o cenário político no Japão aponta para uma guinada histórica. Pesquisas recentes apontam que o apoio ao governo do primeiro-ministro Shigeru Ishiba e ao seu Partido Liberal Democrata (LDP) atingiu seu nível mais baixo em mais de uma década, abrindo espaço para partidos da oposição e o fortalecimento de partidos populistas.

Segundo pesquisas da NHK divulgadas nesta semana, apenas 24% dos eleitores expressam apoio ao LDP, enquanto mais de 33% se dizem indecisos ou não alinhados a nenhum partido. O parceiro de coalizão, Komeito, também sofre desgastes e pode não garantir os votos necessários para manter a maioria de cadeiras na câmara alta, composta por 248 integrantes.

O primeiro-ministro Ishiba, no cargo desde setembro de 2024, vem enfrentando uma onda de insatisfação popular. Sua proposta de conceder um auxílio único às famílias, em resposta ao aumento do custo de vida, foi mal recebida. A maioria dos eleitores prefere medidas estruturais, como a redução sobre impostos sobre consumo, atualmente em 10%.

Enquanto isso, oposicionistas do Partido Democrático Constitucional (CDP) crescem em intenções de voto, ao lado de grupos conservadores emergentes como a Sanseito, que defende uma política monetária mais expansionista e reforço do protecionismo econômico. O Sanseito tem atraído jovens eleitores com discursos nacionalistas e com a promessa de reindustrialização.

As eleições em 20 de julho ganharam ainda mais importância após a coalizão governista perder a minoria na Câmara Baixa no pleito de outubro passado. Caso a LPD-Komeito sofra um revés neste domingo, o Japão entrará em uma fase de governo minoritário, um cenário raro em sua história parlamentarista recente.

A incerteza política também gera preocupação no setor financeiro. O Banco do Japão (BoJ), que ensaia desde o início do ano um processo de normalização monetária e pode enfrentar obstáculos para levantar os juros gradualmente. Parlamentares de oposição já sinalizaram resistência a qualquer medida que encareça o crédito.

O resultado eleitoral poderá forçar Ishida a buscar alianças improváveis ou mesmo considerar uma renúncia antecipada, caso o governo fique paralisado diante do novo equilíbrio de forças. Os próximos dias vão ser decisivos para o futuro político e econômico do país.

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