Moraes afirma que Jair Bolsonaro tentou romper a tornozeleira e tinha indícios de fuga
Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, foi preso neste sábado, dia 22 de novembro, em sua casa em Brasília. O réu estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto de 2025, quando foi acusado de incitar a tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (art. 359-L do Código Penal) e de obstrução da justiça.
Moraes afirmou em decisão que a tornozeleira de Bolsonaro foi violada por volta da meia-noite de hoje, indicando uma possível fuga do réu. Outro ponto que foi abordado na decisão da prisão preventiva foi a possível vigília solicitada por meio de um vídeo postado na rede social X, antigo Twitter, pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente. Embora a vigília tenha sido descrita como uma ação para torcer e rezar pela melhora da saúde do ex-presidente, Moraes afirmou em seu texto a seguinte frase: “a conduta indica a repetição do modus operandi da organização criminosa liderada pelo referido réu”.
A polícia chegou à casa de Bolsonaro por volta das 6 da manhã e encontrou o réu sozinho em casa. A PF afirmou que o réu estava tranquilo e que o comboio que o levava chegou à Superintendência às 6h45. Bolsonaro está na “Sala de Estado”, onde acusados de alto escalão ficam até serem julgados.

Vídeo de Flávio Bolsonaro
Ontem, por volta das 17 horas, o senador do Rio de Janeiro e filho de Jair Bolsonaro postou uma chamada em seu perfil na rede social X, convocando os apoiadores do ex-presidente a comparecerem a uma praça que fica perto da casa de Bolsonaro para orarem pela saúde de seu pai e pela liberdade do Brasil, segundo ele, “dos verdadeiros bandidos que estão no poder”.
Em postagem, Flávio escreveu: “Vamos invocar o Senhor dos Exércitos! A oração é a verdadeira armadura do cristão. É por meio dela que vamos vencer as injustiças, as lutas e todas as perseguições”.
Essa postagem foi uma das provas que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, ressaltou em sua decisão. Segundo Moraes: “O tumulto causado pela reunião ilícita de apoiadores do réu condenado tem alta possibilidade de colocar em risco a prisão domiciliar imposta e a efetividade das medidas cautelares, facilitando eventual tentativa de fuga do réu”.
Possibilidade de fuga
Moraes apontou ainda em seu texto que a tornozeleira foi danificada e que isso poderia ser uma tentativa de fuga. Em sua decisão, Moraes relembrou três casos de pessoas próximas ao ex-presidente que tiveram tentativas de fuga do Brasil: Carla Zambelli, na Itália; Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos; e Alexandre Ramagem, também nos Estados Unidos.
Moraes ainda relembrou o pedido de asilo político feito a Javier Milei, presidente da Argentina, pela nora de Bolsonaro; esse arquivo de 33 páginas foi encontrado no celular do réu.
Em comunicado, os advogados de defesa disseram que sua prisão causou “profunda perplexidade”, tendo em vista que o que seria uma “vigília de oração” é garantido pela Constituição brasileira no âmbito do direito à liberdade religiosa.

Advogado de Donald Trump rebate a prisão
Sem citar o nome de Bolsonaro, Martin de Luca, advogado de Donald Trump e da plataforma de mídia social Rumble, afirmou que Alexandre de Moraes “acabou com a diplomacia de Lula”. Ele citou que Lula e Alckmin estavam fazendo um trabalho “incansável” para a estabilização da relação Brasil–Estados Unidos e que, com apenas uma decisão, Moraes prejudicou toda uma negociação.
De Luca mencionou a queda dos tributos impostos ao Brasil, que aconteceu nesta quinta-feira, e a decisão que Donald Trump havia tomado sobre a não taxação de produtos agrícolas que favoreceriam o Brasil.
Donald Trump não falou sobre a prisão de Jair Bolsonaro até o momento.












