Home / Cultura / Itaú Cultural Play celebra a diversidade rítmica do Brasil com a segunda temporada de ‘As Cores do Som’

Itaú Cultural Play celebra a diversidade rítmica do Brasil com a segunda temporada de ‘As Cores do Som’

Com nove documentários e curadoria que vai do funk ao samba de raiz, a mostra gratuita mapeia a identidade musical brasileira; o espectador conta ainda com playlist exclusiva no Spotify

Desde o dia 27 de fevereiro, a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita dedicada ao cinema nacional, apresenta a segunda temporada da mostra “As Cores do Som”. Composta por nove filmes documentais de diferentes épocas e regiões, a seleção constrói um mosaico da riqueza sonora do país, abrangendo gêneros como bossa-nova, tropicália, forró, arrocha e o batuque dos blocos afro. Contando a história do compositor Dorival Caymmi (um dos pilares da música popular brasileira), do sanfoneiro Dominguinhos e do sambista Paulinho da Viola. Para ampliar a experiência sensorial, o público também pode acessar uma playlist exclusiva no Spotify do Itaú Cultural, com 27 faixas inspiradas nas obras exibidas.

Navegar pela música brasileira é, antes de tudo, entender a formação da identidade de seu povo. É sob essa premissa que “As Cores do Som Vol. II” chega ao catálogo da IC Play. A mostra reúne produções que tratam a música não apenas como entretenimento, mas como ferramenta de afirmação social, resistência política e preservação de memórias afetivas. Na plataforma é possível ver de forma gratuita várias produções nacionais, que incluem: documentários, filmes, séries, programas de TV, festivais e mostras temáticas.

Créditos: Reprodução/Freepik

Grandes Mestres e Tradição

Entre os destaques da programação está o longa-metragem Dorival Caymmi – Um homem de afetos (2020), dirigido por Daniela Broitman. O filme oferece um olhar íntimo sobre o compositor baiano, explorando sua relação com o candomblé e o mar. No mesmo tom de reverência, o documentário Dominguinhos (2014) utiliza a voz do próprio sanfoneiro para narrar sua trajetória, enquanto Partido Alto (1982), de Leon Hirszman, traz Paulinho da Viola como guia pelas raízes do samba de improviso.

Periferia, Identidade e Inclusão

A mostra também mergulha em movimentos contemporâneos e regionais. A Batalha do Passinho (2013) registra o fortalecimento do funk como linguagem das periferias cariocas, enquanto Mexeu Comigo (2024) investiga o fenômeno do arrocha no interior de Sergipe.

Créditos: https://www.pressenza.com/pt-pt/2020/09/a-batalha-do-passinho/
Créditos: https://ajn1.com.br/urbano/itau-cultural-play-exibe-filme-sergipano-mexeu-comigo-em-selecao-do-festival-curta-cinema/

A inovação e a inclusão social ganham espaço com O Som da Pele (2024), documentário pernambucano que acompanha um grupo musical formado por pessoas surdas, desafiando as noções convencionais de audição ao utilizar o corpo e o tato como instrumentos de criação.

Memória Regional e Ficção

A diversidade geográfica é representada por obras como Concerto de Quintal (2025), que resgata a memória musical de Porto Velho (RO), e Poesia Azeviche (2018), que destaca a potência estética dos blocos afro de Salvador. Para quem busca uma linguagem híbrida, a comédia musical Corações a Mil (1983) mistura ficção e realidade ao acompanhar uma turnê de Gilberto Gil sob o olhar de um acadêmico atrapalhado.

Créditos: https://sendaproducoes.com.br/o-som-da-pele/

Ficha e Sinopse dos Filmes

A batalha do passinho
de Emílio Domingos (Documentário, 72 min, Rio de Janeiro, 2013)

Gemini said
A segunda temporada da mostra "As Cores do Som", disponível gratuitamente na plataforma de streaming Itaú Cultural Play, celebra a diversidade da música brasileira através de um mosaico documental que une tradição e contemporaneidade. O catálogo apresenta desde o legado de ícones como Dorival Caymmi, Dominguinhos e Paulinho da Viola, até movimentos vibrantes como o passinho carioca, o arrocha sergipano e a inclusão sensorial do grupo pernambucano "Os Batuqueiros do Silêncio". Com curadoria que abrange diferentes regiões e gêneros — do samba de partido-alto à efervescência dos blocos afro —, a mostra reafirma a música como ferramenta de resistência e identidade, oferecendo ainda uma experiência transmídia com uma playlist exclusiva no Spotify para complementar a imersão sonora do público.
Créditos: https://www.primevideo.com/detail/A-Batalha-do-Passinho/0GGJ35SEPY7ZH1E9CSX3C52WUP

Classificação indicativa: 10 – Linguagem imprópria e violência

Sinopse: Nascido nas comunidades cariocas, o passinho explodiu em 2008. Desde então, ele vem mudando a periferia do Rio de Janeiro. Uma nova forma de dançar o funk, o passinho é a manifestação cultural carioca mais importante dos últimos dez anos. Conquistou gerações de jovens que nele encontram uma forma de expressão, luta e identidade. Premiado no Festival do Rio de 2012, o documentário acompanha de perto o movimento do passinho carioca. Realizado num momento de efervescência da dança nas periferias da capital fluminense, registra com intimidade e frescor, na contramão do preconceito, as batalhas e os sentidos culturais e políticos do passinho.

Concerto de quintal
de Juraci Júnior (Documentário, 80 min, Rondônia, 2025)

Classificação indicativa: A12 I Drogas lícitas e linguagem imprópria

Sinopse: Manuseando antigas fitas K7, o músico rondoniense Silvinho Santos escuta num tocador composições feitas por seu pai, que também era músico. Entre cenas e lembranças da infância, Silvinho vai revelando histórias e a riqueza de uma expressão artística local. Esta cena é o ponto de partida para uma viagem afetiva pela história da música de Porto Velho.

O filme percorre referências, estilos, gêneros e estéticas dos tantos sons ouvidos por diferentes gerações na cidade. Exibido em diversos festivais brasileiros, o documentário é fruto de intensa pesquisa conduzida pelo cineasta Juraci Júnior sobre a música na capital rondoniense. A partir de um acervo particular com registros e gravações do passado, surge uma galeria de ícones locais, como os compositores Jorge Andrade, Torrado e Manelão. A recuperação da memória local ainda se combina à trajetória de um filho em busca da figura paterna.

Corações a mil,
de Jom Tob Azulay (Comédia musical, 90 min, Rio de Janeiro, 1983)

Elenco: Gilberto Gil, Regina Casé, Joel Barcellos, Caetano Veloso, Paulo César Pereio

Classificação indicativa: A10 – Drogas lícitas

Sinopse: Interessado pelos mistérios da comunicação de massa na música brasileira, um pesquisador acadêmico sai a campo para provar suas teses. Seu “objeto” de análise será a turnê de um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos – nada menos que Gilberto Gil. Deslocado com a rotina dos shows, atrapalhado com os hábitos da juventude que quer estudar, o acadêmico logo se apaixona por uma fã bem especial de Gil. 

Depois de dirigir a histórica empreitada de Os Doces Bárbaros (documentário sobre o show de Caetano, Gil, Gal e Bethânia, em cartaz na IC Play), Jom Tob Azulay realizou esta deliciosa comédia musical que mistura ficção e documentário de maneira habilidosa e despojada. Regina Casé e Joel Barcellos formam o par romântico que acompanha as andanças e performances de Gil pelos palcos do país. 

Dominguinhos,
de Joaquim Castro, Eduardo Nazarian, Mariana Aydar (Documentário, 87 min, São Paulo, 2014)

Classificação indicativa: Livre

Sinopse: Neste documentário que conta com imagens de arquivo e registros exclusivos, Dominguinhos narra sua trajetória e sucesso junto de outros ícones da música brasileira. O sanfoneiro revive sua história em uma experiência sensorial repleta de autenticidade e, claro, de muito forró. Uma viagem no tempo através da vida e da obra de um dos maiores mestres da música popular brasileira. 

Exibido na competitiva nacional do Festival É Tudo Verdade, o filme se constrói a partir da palavra e da voz do próprio artista e reúne preciosos documentos e cenas que imortalizam o seu legado. Grandes nomes da nossa cultura, como Gilberto Gil, Elba Ramalho, Luiz Gonzaga e Gal Costa, se unem para celebrar o que há de melhor no forró, no baião e no xaxado. Admiradora da obra de Dominguinhos, a cantora Mariana Aydar assina a direção do documentário.

Dorival Caymmi – Um homem de afetos 


de Daniela Broitman (Documentário, 93 min, São Paulo, 2020)

Classificação indicativa: AL – Drogas lícitas, linguagem imprópria

Sinopse: Uma viagem irresistível pelo universo do cantor e compositor baiano que revolucionou a canção no Brasil, influenciando gerações de músicos, e abrindo caminho para a Bossa Nova e a Tropicália. Traduzindo sensorialmente os versos de Caymmi, o filme passeia pela atmosfera vibrante dos pescadores baianos, pelas referências de raiz africana, pela religiosidade e a espiritualidade no candomblé, e pelas muitas histórias de amor.

Exibido em mais de 20 festivais dentro e fora do país, eleito o Melhor filme pelo Júri Popular no In-Edit Brasil, o documentário reúne farto material de arquivo, depoimentos do próprio Caymmi, e contribuições de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Nana Caymmi. Uma das principais atrações do documentário é uma entrevista inédita dada pelo artista em 1998, aos 84 anos de idade, na qual ele discorre sobre filhos e netos, a convivência com Carmen Miranda, as aventuras amorosas e sua relação com a natureza. Um retrato de corpo e alma de um gênio da cultura brasileira.

Mexeu comigo


de Danilo Rodrigues, J. Hiago Oliveira, Sara Maylyne (Documentário, 23 min, Sergipe, 2024) 

Classificação indicativa: A10 I Linguagem imprópria, drogas lícitas

Sinopse: No interior do estado de Sergipe, um ritmo musical arrebata corações e mentes – o arrocha. Sofrência, traição, desilusão amorosa e paixões avassaladoras são alguns dos ingredientes do imaginário poético do gênero, que hoje embala festas em diversas partes do Brasil. Exibido em diversos festivais brasileiros, o filme colhe depoimentos e impressões dos mais diversos amantes e compositores do arrocha. Também retrata como suas canções são feitas e comercializadas para o público, para além do circuito tradicional de gravadoras, plataformas digitais e rádios.

Partido alto
de Leon Hirszman (Documentário, 23 min, Rio de Janeiro, 1982)

Classificação indicativa: Livre

Sinopse: Versos simples e improvisados marcam este samba com origem na batucada baiana. O partido-alto vai além de um ritmo, é a própria comunicação na sua forma mais livre. Para os seus sambistas, o lema é a diversão. Não tem hora nem lugar: a vida é o palco para o espetáculo da música. Herança cultural brasileira, o samba de partido-alto percorre décadas de tradições e ritmos com raízes na batucada baiana. Concebido em colaboração com Paulinho da Viola, este documentário retrata, nas palavras de Candeia, “a expressão mais autêntica do samba”. Wilson Moreira, Argemiro da Portela e outras figuras da música brasileira estão presentes nesse registro repleto de comunhão e partilha, dirigido pelo olhar sensível de Leon Hirszman.

Poesia azeviche,
de Ailton Pinheiro (Documentário, 20 min, Bahia, 2018, 20 min)

Créditos: https://borboletasfilmes.com/poesia-azeviche/

Classificação indicativa: Livre

Sinopse: Das ruas, vielas e comunidades de Salvador para todo o país, os blocos afro da Bahia deixaram um legado inapagável para a música popular brasileira. Através das memórias e histórias contadas por seus compositores e letristas, o documentário revela a importância destas expressões culturais para a afirmação da identidade negra e para a luta contra o racismo no Brasil. Imagens de arquivo e depoimentos dos principais artistas envolvidos com a cena musical dos blocos afro-brasileiros entre as décadas de 1970 e 1990 são as grandes atrações deste curta-metragem exibido em diversos festivais do Brasil e do mundo. Passado e presente se combinam numa narrativa sensível em revelar toda a riqueza de um momento artístico. 

O som da pele
de Marcos Santos (Documentário, 22 min, Pernambuco, 2024)

Créditos: https://cinemais.art.br/o-som-da-pele/

Classificação indicativa: AL

Sinopse: Irton Mário é fundador do “Os batuqueiros do silêncio”, grupo musical formado por pessoas com surdez total ou parcial. Também conhecido como Mestre Batman, o músico e educador utiliza a arte como ferramenta de integração e inclusão social. Desafios e conquistas mostram como a expressão artística rompe barreiras e transforma existências. Neste documentário, o coletivo “Os batuqueiros do silêncio” desconstrói o que entendemos por escuta convencional. Mestre Batman cria música a partir de metodologias táteis-visuais, utilizando o corpo como percussão e cenário de criação. Com forte influência da música e cultura afro-brasileira, promove encontros com jovens surdos na periferia e ensina a arte como instrumento de inclusão e pertencimento.

Como Assistir

O acesso à plataforma é totalmente gratuito. O público pode assistir aos filmes pelo site itauculturalplay.com.br, em Smart TVs (Samsung, LG, Android e Apple TV), além de aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e plataformas parceiras como Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.

Acesse a playlist inspirada no Spotify:  open.spotify.com/user/itaucultural 

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *