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Israel admite ataque a hospital em Gaza que matou jornalistas e fala em “tragico acidente”

Bombardeio ao Hospital Nasser deixou pelo menos 20 mortos, incluindo cinco jornalistas, segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza; Reuters e AP exigem investigação independente

Pelo menos 20 pessoas morreram, entre elas cinco jornalistas, em um ataque israelense ao Hospital Nasser, em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, no início da semana. Entre as vítimas estão repórteres que trabalhavam para Reuters, Associated Press (AP), Al Jazeera e outros veículos.

Segundo a Defesa Civil de Gaza, além dos cinco jornalistas, um integrante da corporação morreu no ataque, ocorrido nesta segunda-feira (25). Entre os profissionais mortos estão Husam al Masri (Reuters), Mariam Abu Dagga (AP), Mohammed Salama (Al Jazeera), Moaz Abu Taha (freelancer) e Ahmed Abu Aziz (Middle East Eye). O fotógrafo Hatem Khaled, da Reuters, ficou ferido.

Para Thiago Tanji, presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, o que ocorre em Gaza é inédito na história dos conflitos armados. Ele defendeu o papel das organizações humanitárias e dos sindicatos, tanto Brasil quanto no exterior, e lembrou que existem normas como o Direito Internacional Humanitário e as Convenções de Genebra, que determinam a proteção de civis, imprensa, equipes médicas e trabalhadores humanitários.

Organismos, como os sindicatos, por exemplo, têm papel fundamental na luta por salários, boas condições de trabalho e, sobretudo, segurança. Entendemos que é essencial proporcionar um ambiente sem violência, assédio ou ataques virtuais e físicos. O que acontece hoje, especialmente na Faixa de Gaza, não tem precedentes”, afirmou.

Thiago Tanji – presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo – (Foto: Fábia Medeiros)

A Reuters informou que transmitia imagens ao vivo do hospital quando o sinal foi interrompido no momento do ataque. A câmera operada por Hussam al Masri foi encontrada entre os destroços.

O Hamas negou que os palestinos mortos no bombardeio fossem militantes, como alegou o Exército israelense em comunicado que listava seis supostos integrantes do Hamas e da Jihad Islâmica entre as vítimas.

Em carta ao governo israelense, Reuters e AP afirmaram que os repórteres estavam em missão profissional e cobraram “respostas claras e prestação de contas urgente e transparente”.

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos reiterou que jornalistas e hospitais não podem ser considerados alvos militares. O diretor da agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini, disse que o ataque representa “calar as últimas vozes que denunciam a morte silenciosa de crianças vítimas da fome”.

Governos estrangeiros também reagiram. O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou o bombardeio como “intolerável” e pediu respeito ao direito internacional. Reino Unido e Alemanha exigiram investigação imediata.

Segundo a ONU, quase 200 profissionais da imprensa , entre jornalistas e fotojornalistas, foram mortos desde o início da guerra.

Tanji lembrou que, mesmo em conflitos de longa duração, como a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, o número de mortes de jornalistas não se aproximou do que ocorre hoje em Gaza.

“O número de colegas mortos não se viu na Primeira Guerra Mundial, na Segunda Guerra, nem nas guerras da Coreia e do Vietnã, em que milhões morreram. O que acontece agora em território palestino é inédito”, disse.

Desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, foram registradas 1.219 mortes em Israel, segundo dados oficiais, a maioria civis. Já a ofensiva militar israelense deixou 62.744 mortos em Gaza, também em sua maioria civis, de acordo com números do Ministério da Saúde local, considerados confiáveis pela ONU.

Em 29 de fevereiro de 2024 o Sindicato Jornalistas do Estado de São Paulo, associações e federações enviram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Manifesto – Ato Contra o Massacre dos Jornalistas na Faixa de Gaza.

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