Saúde, educação e eletricidade de graça? País sem exército e sem McDonald’s? Checamos os principais boatos sobre a vida islandesa.
A Islândia é uma ilha vulcânica no Atlântico Norte, situada entre a Europa e a América do Norte. Famosa por seus vulcões, geleiras e paisagens quase intocadas, o país tem despertado a curiosidade de internautas. Circulam nas redes sociais publicações afirmando que lá saúde, educação e eletricidade seriam gratuitas, que o país não tem exército e que McDonald’s está fora do mapa. Mas será que tudo isso é verdade ou apenas mito?
Conheça a Islândia
Em 2025, a população é de cerca de 389 mil habitantes e deve chegar a 432 mil até 2050. O idioma oficial é o islandês, uma língua germânica do norte que se manteve praticamente inalterada desde a época dos vikings. Apesar disso, a maioria da população fala inglês fluentemente. Nas escolas, além do islandês, o ensino de inglês e dinamarquês é obrigatório, tornando grande parte da população bilíngue ou até trilíngue.
O clima é subpolar e oceânico, com invernos frios e verões frescos. A Corrente do Golfo ajuda a manter o clima mais ameno do que outras regiões na mesma latitude.
Reykjavik, a capital, concentra museus, galerias e eventos como o Festival de Cinema de Reykjavik e o Iceland Airwaves, voltado para a música. A economia se apoia na pesca e no turismo, que atrai visitantes à Lagoa Azul, ao Parque Nacional Thingvellir e às auroras boreais.
A Islândia é reconhecida pelo seu alto padrão de vida, sistema de bem-estar social eficiente e políticas de transparência e igualdade de gênero. A colonização começou no final do século IX, com vikings noruegueses. Em 930 d.C., foi criado o Alþingi, uma das assembleias parlamentares mais antigas do mundo. A independência veio apenas em 1944.

Saúde é gratuita?
Parcialmente. O sistema de saúde islandês é baseado em coparticipação. O paciente paga uma pequena taxa e o restante é financiado pelo governo. Crianças e adolescentes até 18 anos têm direito a atendimento gratuito. Visitantes precisam de seguro-viagem, com cobertura apenas para emergências.
O sistema é eficiente, garantindo uma das maiores expectativas de vida do mundo. Mas não é 100% gratuito, como o nosso querido SUS.
E a educação?
A educação é gratuita em todos os níveis. O ensino pré-escolar é financiado pelos conselhos locais. A educação obrigatória vai dos 6 aos 16 anos. Após essa etapa, os jovens podem continuar no ensino secundário sem custos.
As universidades públicas são gratuitas para islandeses e cidadãos da União Europeia. Para estrangeiros de fora do bloco, há taxas — ainda assim, bem menores que em outros países. Além disso, o governo oferece bolsas de estudo para atrair pesquisadores e estudantes internacionais, fortalecendo o setor acadêmico.
Eletricidade de graça?
A eletricidade não é de graça, mas é barata. Graças à energia geotérmica e hidrelétrica, a Islândia é referência mundial em energia limpa e sustentável. A matriz energética é tão eficiente que algumas indústrias de alumínio se instalaram no país para aproveitar os baixos custos.
O país é seguro?
Sim. Em 2024, a Islândia foi eleita o país mais pacífico do mundo pelo Índice Global da Paz, ocupando essa posição desde 2008. A criminalidade é mínima, e casos de violência são raros.
Direitos humanos são respeitados e políticas de inclusão para população LGBTQ+ são destaque. Reykjavik tem um dos desfiles do orgulho mais importantes do norte da Europa.
País sem exército?
Correto. A Islândia não possui forças armadas permanentes. A segurança é feita pela Guarda Costeira, que realiza operações de busca e resgate. A defesa é garantida por alianças internacionais, especialmente com os Estados Unidos.
E o McDonald’s?
Não existe mais no país. A rede deixou a Islândia em 2009, durante a crise financeira global. Os custos de importação inviabilizaram o negócio. No lugar, surgiu a rede Metro, que usa ingredientes locais e mantém cardápio parecido.
O último cheesebúrguer vendido na Islândia está exposto em uma casa no sul, junto com batatas fritas originais. A peça virou atração turística e tem até transmissão ao vivo pela internet para quem quiser acompanhar sua “conservação”.
A Islândia não é um paraíso de gratuidade, mas se destaca pelo equilíbrio entre qualidade de vida, segurança e sustentabilidade. O país é exemplo de como políticas públicas bem estruturadas podem garantir bem-estar social.












