Com avanço de mais de 70% nas operações, empresas brasileiras intensificam a consolidação para inovar, cortar custos e ganhar competitividade em um mercado guiado por algoritmos
A inteligência artificial (IA) tornou-se o principal vetor de consolidação no setor de tecnologia no Brasil. Segundo dados do portal Fusões & Aquisições, o volume de operações no segmento cresceu 71,1% no primeiro semestre de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior — a maior alta entre todos os setores econômicos.

O movimento acompanha uma tendência global de expansão das transações envolvendo empresas de IA, que registraram aumento de 123% em 2025, o que marca este ano como sendo o marco para a onda das fusões e aquisições no setor de inteligência artificial, de acordo com levantamento da consultoria Mergermarket. Para especialistas, a busca por inovação, sinergia tecnológica e aquisição de algoritmos estratégicos tem guiado a nova onda de fusões e aquisições (M&A) no país. Este setor movimenta cerca de US$ 3,4 trilhões por ano, com um volume de 40 a 50 mil transações.
Apesar dos desafios impostos pelos setores, políticos e econômicos, o setor segue com potencial de crescimento, o que impulsiona ainda mais o uso da IA. De acordo com Alexandre Cracovsky, CFA, professor do M&A Advanced Program da Trevisan Escola de Negócios e também vice-presidente da Advisia Investimentos, “a IA está alterando significativamente etapas essenciais dos processos de M&A, como due diligence – investigação de riscos financeiros, tributários, trabalhistas e outros pontos cruciais para a viabilidade da transação”, explica.

Ainda explica que a IA tem trazido contribuições para a elevação das taxas de sucessões, e melhorar a assertividade das análises que facilitam a integração no pós-fusão. Com a tecnologia, as falhas tendem a ser mitigadas.
“O sucesso de um M&A depende da integração eficiente e do alcance das metas traçadas. A IA tem se mostrado aliada importante para aumentar essas chances em todas as etapas do processo”, conclui Cracovsky.
Em vários âmbitos, a tecnologia tem um papel de grande relevância, e o setor de aquisição é um deles. Com as ferramentas da IA, é possível fazer o cruzamento de grandes volumes de dados e redes de contatos, como sugerir candidatos com base nas tendências do mercados e critérios já pré-definidos.
Grandes Bigtechs como Google, Microsoft, Anthropic, OpenAI, mediante as mudanças deixadas pelas IAs, vem redesenhando o que conhecemos de tecnologia. A partir de alianças estratégicas que ultrapassam o mercado americano que é uma superpotência econômica, para o Brasil, as portas se abrem à procura de talentos que acabam sendo sinalizados através dos movimentos, não visando apenas os produtos.

Para as startups brasileiras, isso é uma oportunidade gigantesca, pois desenvolvem diversos nichos que atendem a uma diversidade de público. Os ramos de saúde, agricultura, finanças e educação, são os nichos que mais recebem investimentos e parcerias.
Uma outra vantagem para as empresas no Brasil, é que isso acaba impulsionando a capacidade de inovação, e ao adotar a IA, há um fortalecimento na governança. Em se tratando do mercado, ele não está apenas competitivo, mas cada vez mais exigente.
“Entramos em uma nova fase no Brasil. As aquisições agora miram a inovação e não apenas a escala”. “Empresas que dominam IA, automação e análise de dados se tornaram alvos prioritários.”, destaca Vitor Sá, especialista em fusões e aquisições da Armada Capital.

A IA não somente traz benefícios, mas também tem seus riscos, como a concentração de mercado, ter mais dependência tecnológica e assimetria de poder. Por isso, ter políticas públicas, além de reforçar a sua importância, traz contribuições significativas para o desenvolvimento local e das lideranças que apostam na sua própria inovação.
“O futuro não pertence só a quem compra ou vende, mas a quem constrói propósito em meio à corrida tecnológica”, explica Alberto Kastro.
IA reduz tempo de due diligence e eleva valor das empresas
Um relatório da Valore Brasil aponta que o uso de IA pode reduzir o tempo médio de due diligence — processo de auditoria e avaliação de empresas — de 90 para 55 dias, automatizando a análise de contratos e indicadores financeiros.

Já o portal Movimento Econômico destaca que empresas com modelos de IA próprios e base de dados estruturada podem alcançar valorização até 30% superior durante as negociações de compra e venda.
“A IA deixou de ser acessório e passou a ser o núcleo das empresas”, afirma Antonio Netto, especialista em inteligência artificial. “Quem domina o núcleo torna-se comprador ou alvo.”
De acordo com o estudo CEO Outlook 2025, da Ernst & Young, 28% das empresas brasileiras já utilizam IA em larga escala, enquanto outras 28% estão em fase de implantação — fator que explica o aumento expressivo das transações envolvendo startups do setor.

Empresas médias lideram fusões e aquisições
O avanço da IA também impulsiona a consolidação entre empresas de médio porte. Levantamento da Bridge One M&A News mostra que a maioria das operações no país ocorre entre companhias com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 300 milhões, sinalizando uma maturação do mercado nacional de tecnologia.
Segmentos como fintechs, cibersegurança, automação e edtechs concentram mais de 60% das transações, segundo o M&A Tech Report 2025, da KPMG LATAM.
“Com o crédito caro, a fusão virou alternativa à nova rodada de investimento”, explica Sá.

Desafios e riscos da corrida por inovação
Apesar do otimismo, especialistas alertam para os desafios do processo de integração. Um estudo da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) aponta que 45% das fusões não atingem as sinergias esperadas, principalmente por dificuldades em integração tecnológica e retenção de talentos.
O levantamento também chama atenção para o risco de valuations inflados em startups de IA e a importância de uma governança de dados robusta para garantir sustentabilidade e segurança nos negócios.

Perspectivas para o mercado brasileiro
O portal Negócios Brasil projeta que o setor de tecnologia deve registrar crescimento de 10% a 15% nas operações de M&A até o fim de 2025, mantendo a inteligência artificial como o principal motor de inovação e consolidação.

“A inteligência artificial é o divisor de águas. As empresas que não inovarem terão de se integrar a quem domina o algoritmo”, resume Netto.












