Foto: Imagem de Christo Anestev por Pixabay
Desatenção, exposição prolongada ao sol e falta de hidratação estão entre as principais causas do problema, que pode evoluir para quadros graves
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Com a chegada do verão e das férias escolares, viagens às praias e atividades ao ar livre se tornam cada vez mais frequentes entre as famílias. No entanto, esta época também acende um alerta ao risco de exposição excessiva ao sol, o que pode causar insolação em crianças e bebês.
Conversamos com a pediatra Greter Fernandez, médica cubana e especialista em febre, para entender os riscos do calor elevado na saúde infantil e como prevenir a condição.

Os perigos da insolação infantil
A insolação é uma condição médica causada pelo excesso de exposição ao sol e calor intenso. Nos pequenos, o risco é frequente, geralmente desencadeado pela falta de cuidados adequados para evitar a exposição ao sol.
“As crianças têm dificuldade de regular a temperatura interna: quanto mais pequena a criança, mais difícil fica. E quando você está em um ambiente de muito calor, ela não consegue regular essa temperatura, e então surgem os sintomas que podem até ser fatais”, disse Fernandez.
Os sintomas nem sempre são percebidos na hora, podendo surgir horas após a exposição ao sol ou até 1 dia depois. Entre os sinais mais comuns, pode-se observar dor de cabeça, vômitos, enjoos e a pele avermelhada e quente, mas geralmente sem suor. Já os bebês menores podem ficar muito irritados, com choros sem lágrimas, saliva mais grossa, pegajosa ou esbranquiçada, e sem urinar.
Em casos mais graves, pode haver convulsão, perda da consciência ou até mesmo óbito. Ademais, a insolação pode causar sequelas a longo prazo, em especial quando há convulsões por longos períodos sem os cuidados urgentes ou falta de oxigenação para o cérebro.
Como evitar a insolação infantil?
Para prevenir a insolação nas crianças, é importante que o adulto responsável fique atento e tome todos os cuidados necessários para evitar a condição, que incluem:
- Evitar exposição no sol entre às 10h e 16h, quando a radiação UV é mais intensa;
- Uso de protetor solar para crianças acima de 6 meses, com o FPS recomendado pelo pediatra responsável. O ideal é que o produto seja reaplicado a cada 2 horas;
- Uso de roupas protetivas, como de mangas longas, tecidos com proteção UV e acessórios como bonés, chapéus e óculos;
- Promover uma hidratação adequada, sem substituir a água por outros líquidos como sucos ou água de coco.
A pediatra também ressalta que a insolação pode ocorrer mesmo sem o contato direto com o sol, portanto, a prevenção segue sendo crucial mesmo em ambientes fechados:
“Mesmo quando não há muito sol, há a incidência dos raios ultravioletas. Não é necessário ter contato com o sol diretamente. Até mesmo em lugares fechados, como galpões, que aumentam o nível da temperatura, podem levar também a esses casos. Mesmo que esteja nublado, se está com uma criança na praia, é necessário adotar todas as medidas de segurança”.
O tratamento da insolação
Após notar os primeiros sintomas, é importante que o tratamento seja rápido. Em casos mais leves, em que a criança está enjoada ou com dor de cabeça, mas aceita água e não tem temperatura elevada, seguindo as orientações do pediatra, podem ser usadas medicações para enjoo, manter uma boa hidratação e o ambiente mais fresco, e observar o quadro do pequeno.
Contudo, se o termômetro atingir 39 °C ou mais, o mais adequado é levá-lo ao pronto-socorro para que sejam implementadas as medidas anti-térmicas necessárias.
“É diferente de uma febre por doença, nesse caso, é uma febre por hipertermia. Então são utilizados banhos gelados para controlar a temperatura e observar se haverá convulsões, para que esteja tudo pronto para intervir”, afirma a médica.
Devido às complicações sérias da insolação, é importante que a prevenção seja a principal aliada para garantir um verão seguro para as crianças. Portanto, é crucial ficar atento às crianças nas atividades de lazer para evitar complicações posteriores.
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