A licença concedida nesta segunda-feira (20) autoriza a Petrobrás a perfurar um poço na Margem Equatorial brasileira.
O instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) permitiu à estatal a perfuração de um poço exploratório no bloco FZA-M-059, localizado em águas do Amapá, a 500 km da foz do rio Amazonas e 175 km da costa.
A ação, prevista para iniciar imediatamente com duração de cinco meses, faz parte de uma pesquisa da Petrobrás para coleta de informações geológicas e avalição de existência de petróleo e gás em escala comercial. Essa fase do processo é caracterizada apenas pelo reconhecimento da região, não há extração e produção de petróleo durante o período.
Em nota, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a concessão do órgão foi permitida após deliberação extensa e criteriosa: “Foram quase cinco anos de jornada, nos quais a Petrobras teve como interlocutores governos e órgãos ambientais municipais, estaduais e federais. Nesse processo, a companhia pôde comprovar a robustez de toda a estrutura de proteção ao meio ambiente que estará disponível durante a perfuração em águas profundas do Amapá”, aponta.
Impactos ambientais
Há menos de um mês para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025, a COP30, o debate da exploração representa uma contradição para o país que sediará o evento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em diversas ocasiões, que não está disposto a abrir mão de combustíveis fósseis e que a exploração será feita com responsabilidade, ainda que o país-sede se posicione como liderança climática diante das autoridades internacionais.
A reserva de petróleo do Brasil, atualmente comprovada de 16,8 bilhões de barris, seria suficiente para manter o país sem precisar comprar petróleo de outros países ou criar novos campos de extração até 2030.
Foz do Amazonas e Petrobrás
A região possui uma capacidade estimada de até 10 bilhões de barris, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). A Foz do Amazonas é vista com potencial para abrir uma importante fronteira energética para o país e para se tornar o novo “pré-sal”.
O governo estima que as possíveis reservas permitiriam explorar 1,1 milhão de barris de petróleo por dia, capacidade superior aos dois principais campos da Bacia de Santos: Tupi, com cerca de 850 mil barris por dia, e Búzios, que ultrapassou os 900 mil.
Próximas etapas
Conforme afirmado pela estatal em nota, o processo atual consiste apenas no reconhecimento da região. Contudo, para que a Petrobrás possa produzir o combustível, será necessário o cumprimento de algumas etapas.
O início da extração será autorizado mediante constatação de volume suficiente de matéria que justifique o investimento em produção, declaração de comercialidade da área e licenciamento ambiental válido aprovado pelo Ibama para a atividade produtiva.
Por Rafaela Vazquez / 21 de outubro de 2025












