Conheça a doença crônica pouco falada, seus sintomas e o impacto da Hidradenite Supurativa na vida de quem convive com ela
O que é a Hidradenite Supurativa?
Quais os Sintomas e as Regiões Afetadas?
A hidradenite supurativa é uma doença inflamatória crônica da pele que costuma se manifestar após a puberdade, embora também possa surgir na vida adulta e em pessoas idosas. As regiões mais comumente afetadas são axilas, virilhas, nádegas e, nas mulheres, a região mamária.
A condição provoca lesões dolorosas, como nódulos inflamados com pus, abscessos, fístulas e drenagem de sangue. As lesões são recorrentes e podem deixar cicatrizes e fibroses permanentes, comprometendo a mobilidade e o bem-estar físico e emocional dos pacientes.
De acordo com estimativas do Ministério da Saúde, aproximadamente 870 mil pessoas convivem com a doença no Brasil. Embora tenha predisposição genética e, em alguns casos, caráter hereditário, fatores como tabagismo, obesidade e resistência insulínica podem agravar o quadro — ainda que pacientes sem essas condições também possam ser acometidos.
Segundo o dermatologista Dr. Eduardo H. K. Oliveira a hidradenite é frequentemente confundida com infecções cutâneas, como furúnculos, o que dificulta o diagnóstico correto. Apesar de ser uma doença benigna, a condição afeta significativamente a autoestima, o convívio social e atividades cotidianas simples, como caminhar ou pedalar.

Os três estágios da Hidradenite Supurativa/ Ilustração
Avanços no tratamento
Até recentemente, o tratamento era baseado no uso de antibióticos, com eficácia limitada. No entanto, avanços recentes ampliaram as possibilidades terapêuticas. Medicamentos imunobiológicos — injetáveis de alta tecnologia — já estão disponíveis tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), oferecendo alternativas para pacientes que não respondem aos antibióticos convencionais.
Nos casos mais graves, com lesões profundas e cicatriciais, a remoção cirúrgica das áreas afetadas pode ser recomendada. Embora seja um procedimento complexo, por envolver regiões sensíveis, a cirurgia pode ser decisiva para a recuperação da qualidade de vida.
O especialista destaca que o acompanhamento contínuo com um dermatologista é essencial para controle da doença, já que a hidradenite tende a evoluir com o tempo. Estratégias como a perda de peso, abandono do cigarro, cuidados com a pele e mudanças na alimentação também podem auxiliar no controle das crises.
Diagnóstico ainda é desafio
O diagnóstico precoce permanece como um dos principais desafios. Muitos pacientes só descobrem a doença em estágios avançados. O especialista alerta para a importância de que profissionais de saúde que atuam em pronto-atendimentos e unidades básicas estejam capacitados para reconhecer os sinais iniciais.
Segundo Dr. Eduardo, é comum que o paciente passe por vários profissionais antes de receber o diagnóstico correto, o que pode atrasar o início do tratamento adequado por anos. A falta de informação e o estigma das lesões — muitas vezes localizadas em áreas íntimas — também contribuem para o silêncio e o sofrimento dos pacientes.
A importância da conscientização
Campanhas de conscientização e educação voltadas tanto ao público quanto aos profissionais da saúde são fundamentais para melhorar a identificação e o tratamento da doença. A Sociedade Brasileira de Dermatologia tem trabalhado na divulgação de informações sobre a condição, mas especialistas avaliam que ainda há muito a ser feito para reduzir o tempo de diagnóstico e ampliar o acesso aos tratamentos mais modernos.
“A hidradenite supurativa não oferece risco direto à vida, mas impõe um peso psicológico e físico significativo. Quanto mais cedo for identificada, maiores as chances de controle e melhor qualidade de vida para o paciente”, afirma Dr. Eduardo.












