Foto: Ricardo Stucket
Instalação em Pernambuco vai fabricar albumina e imunoglobulina, reduzindo a dependência de importações e garantindo economia ao SUS.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou, nesta semana, a nova fábrica da Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia) no município de Goiana, em Pernambuco. A unidade representa um marco na história da saúde pública brasileira, colocando o país em um novo patamar de independência na produção de medicamentos estratégicos.
Com capacidade para produzir, inicialmente, albumina e imunoglobulina, a instalação permitirá ao Brasil reduzir drasticamente a necessidade de importação desses insumos de alto custo, que são essenciais para milhares de pacientes. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a medida pode gerar economia de R$ 1 bilhão por ano para os cofres públicos, beneficiando diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS) e garantindo mais segurança no abastecimento.
O que será produzido
A albumina é um importante medicamento utilizado no tratamento de queimaduras graves, cirrose hepática e outras doenças que afetam a circulação sanguínea. Já a imunoglobulina é fundamental para pacientes com imunodeficiências primárias, doenças autoimunes e condições neurológicas raras. Ambos os produtos são considerados estratégicos pelo Ministério da Saúde e frequentemente registram alta demanda no SUS.
Antes da nova fábrica, o Brasil dependia majoritariamente do mercado internacional para obter esses medicamentos, ficando vulnerável a variações cambiais, crises globais de abastecimento e atrasos logísticos. Com a produção nacional, será possível atender pacientes com mais rapidez e estabilidade, além de reduzir custos com importações.

Funcionária da nova fábrica da Hemobrás em Goiana (PE) manuseia bolsa de plasma para produção de albumina e imunoglobulina Foto: Ricardo Stucket
Histórico da Hemobrás
Fundada em 2004, a Hemobrás é a única indústria farmacêutica estatal da América Latina especializada na produção de hemoderivados. Sua missão é fornecer medicamentos de alta complexidade para o SUS, garantindo acesso gratuito a tratamentos que, na rede privada, chegam a custar milhares de reais por dose.
O projeto da fábrica de Goiana começou há quase duas décadas e enfrentou desafios como paralisações nas obras, disputas judiciais e questões contratuais. Ainda assim, a empresa manteve investimentos em tecnologia e parcerias estratégicas, inclusive com indústrias internacionais, para viabilizar a produção nacional de hemoderivados.
Impacto econômico e social
A economia de R$ 1 bilhão ao ano é apenas um dos benefícios esperados. A operação da nova unidade deve gerar centenas de empregos diretos e indiretos, movimentando a economia local e regional. Além disso, o fortalecimento da capacidade produtiva nacional abre espaço para que o Brasil avance em pesquisas de novas biotecnologias e expanda sua linha de medicamentos.
A iniciativa também reforça a soberania sanitária, conceito que ganhou destaque durante a pandemia de Covid-19, quando muitos países enfrentaram dificuldades para adquirir medicamentos e vacinas devido à alta demanda global. Com produção própria, o Brasil passa a ter mais controle sobre seu estoque e planejamento estratégico de saúde.
Outro ponto relevante é que a Hemobrás poderá ampliar no futuro seu portfólio, incluindo tratamentos para doenças raras e novas terapias avançadas, fortalecendo a posição do Brasil como referência na produção pública de medicamentos essenciais.
Declarações oficiais
Durante a cerimônia de inauguração, o ministro Alexandre Padilha ressaltou que o momento marca uma virada na política industrial da saúde:
“Estamos garantindo que o Brasil tenha independência para produzir medicamentos vitais e que o SUS continue sendo referência mundial em acesso à saúde.”

foto: Ricardo Stucket
Registro do momento
O evento foi registrado pelo fotógrafo oficial da Presidência, Ricardo Stuckert, e amplamente divulgado nas redes sociais. As imagens mostram Lula, trabalhadores da Hemobrás e representantes locais celebrando a conclusão de um projeto que promete transformar o cenário da saúde pública no país.

Foto: Ricardo Stucket











