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Hard Power x Soft Power: entenda como os países influenciam o mundo 

Desde tarifas até o K-pop, potências globais utilizam diversas estratégias para ampliar sua presença no cenário internacional

Com a tarifa de importação de 50% aplicada sobre produtos brasileiros pelo presidente estadunidense Donald Trump entrando em vigor hoje (6), novas discussões entre os internacionalistas estão sendo suscitadas e, mais uma vez, termos como Hard Power e Soft Power são mencionados. Mas você sabe o que eles significam?

Definidos pelo cientista político Joseph Nye no início do século, esses conceitos estão entre os principais dentro do campo das Relações Internacionais e Ciências Políticas. Tudo o que um país faz ecoa dentro desses polos: desde sua produção cultural aparentemente inofensiva até a imposição de tarifas em importações intracontinentais. Sobre o tema, o professor da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP (Universidade de São Paulo), Caio Gracco, comenta no Jornal da USP:

“O poder é entendido, classicamente, pelo poder militar, então é o hard power, o poder de você obrigar os outros a fazer o que você quer. O soft power, por sua vez, vai se afirmar em oposição a esse conceito de hard power e vai tentar abarcar outros recursos para convencer sem a necessidade de recorrer à violência.”

Dessa forma, em um mundo cada vez mais globalizado e interconectado, as estratégias de poder dos países para ampliar sua presença no cenário internacional vão muito além da força militar. Enquanto o termo Hard Power se refere à imposição através de força e coerção, o  Soft Power aposta no poder da influência, cultura e diplomacia. 

Hard Power

O termo Hard Power (poder duro) é, mais objetivamente, a capacidade de coerção que um país impõe através da força. No entanto, isso nem sempre significa um conflito armado, pois para que um país influencie o outro diretamente também pode usar meios além dos militares, como sanções econômicas ou incentivos financeiros. Um exemplo? A guerra tarifária proposta pelo presidente norte-americano Donald Trump, que ainda está em curso em 2025. Com as novas taxas aplicadas às importações de outros países para os Estados Unidos, Trump exerce o Hard Power quando impõe porcentagens e fecha o espaço para negociação diplomática – como ocorre hoje no Brasil.

Com isso, percebe-se que o Hard Power de uma nação é proporcional à sua competência bélica e econômica, mas uma economia forte também não significa a utilização plena do Hard Power. Ou seja, um país rico não precisa, obrigatoriamente, articular esse conceito em suas relações com outros Estados, como acontece com o Canadá e o Brasil: ambas nações com economias fortes, mas cuja articulação diplomática não se alinha tanto à coerção.

Soft Power

O conceito de Soft Power (poder brando) se refere à capacidade de um país influenciar os outros por meio da atração e da persuasão, em vez da coerção. Isso pode incluir valores culturais, educação, mídia, diplomacia e instituições políticas. Não há armas ou tarifas, há exemplos e a venda de ideais. A influência de uma nação ultrapassa as fronteiras sem tanques de guerra ou sanções econômicas, mas com sua própria produção nacional que é importada a outros países. 

Um caso de sucesso do Soft Power é o K-pop, gênero de pop musical criado na Coreia do Sul que se espalhou pelo globo, levando a cultura sul-coreana consigo. O maior expoente do K-pop é o grupo Bangtan Boys (BTS), que quebrou recordes e o mercado musical estadunidense, que nunca foi tão abalado pela presença asiática. Os números não mentem e os lucros também não. Hoje, o BTS possuí milhões de fãs em diversas nações. O grupo, inclusive, recebeu a Ordem de Mérito Cultural Hwagwan pelo presidente sul-coreano, Moon Jae-In, em 2018, por “seus esforços em espalhar a cultura sul-coreana ao redor do mundo.”

A combinação: Smart Power

Como nenhum país utiliza apenas uma forma de poder, é necessário combinar o Hard Power e Soft Power para preservar os interesses de todos os envolvidos nas relações internacionais. Surge então o Smart Power (poder inteligente), que une elementos dos dois conceitos previamente definidos por Joseph Nye. Ao utilizar essa estratégia, um país pode impor sanções em um país e ao mesmo tempo oferecer ajuda humanitária, por exemplo.

Assim, entender a diferença entre Hard Power e Soft Power é essencial para compreender como as potências globais moldam o cenário mundial. Se o Hard Power mostra os músculos, o Soft Power conquista corações e mentes. No jogo de poder entre as nações, saber quando usar força e quando persuadir pode ser a chave para o sucesso estratégico das relações internacionais entre os países.

Crédito da foto (Donald Trump): Carta Capital/ Brendan Smialowsky/ AFP | Crédito da foto (Bangtan Boys – BTS): Disney+

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