Hugo Souza, goleiro titular da equipe do Corinthians / Foto: Evander Portilho
A alta performance e longevidade não permitem substituições para esses atletas, colocando o gol como território difícil de conquistar.
A rotatividade de atletas pelo meio-campo, no ataque, algumas vezes na defesa é muito comum e gera competitividade de posições. Agora o goleiro parece ser intocável por longas temporadas – até mesmo quando está em má fase. Nos grandes jogos, os goleiros tendem a se destacar pelas excelentes defesas e, algumas vezes, participam de lances importantes para uma jogada.
Contudo, o torcedor quase nunca vê o goleiro principal ser substituído ou não começar um jogo sendo titular. Normalmente, fazem parte de todos os jogos da temporada, ganham minutagem em todas as competições que o clube participa e, com isso, desencadeia cansaço físico e mental no fim do ano. Existe sim um revezamento de goleiros, entre o principal até o atleta das categorias de base, é um trabalho extenso e exige muito da performance de cada profissional. O ex-goleiro e atual preparador de goleiros do Madureira EC, do Rio de Janeiro, explica como é a rotina de treinamento:
“A gente trabalha sempre com três a quatro goleiros, sempre com três profissionais e um menino da base, do sub-20, para angariar a experiência. Dentro da competição, a gente vai monitorando o rendimento técnico […] Quando ele está muito bem, vai se consolidando cada vez mais como titular e por isso que se criou essa palavra, intocável, mas, dentro do futebol, dentro do critério que a gente usa, sempre vai jogar quem está melhor.” — comenta Alex Brandão, preparador de goleiros do Madureira EC, em entrevista para O Informe.
Depois da volta do Mundial de Clubes FIFA, os goleiros titulares se consolidaram no Campeonato Brasileiro e em competições internacionais. Everson, do Atlético-MG, salvou o time na decisão de pênaltis pela Sulamericana e o Galo avançou para as oitavas de final do campeonato; Hugo Souza, do Corinthians, sofre com algumas falhas do sistema defensivo do clube porém, é um ótimo líder e já fez extraordinárias defesas em jogos importantes pelo Timão – como na final do Campeonato Paulista deste ano contra o Palmeiras; Cássio, atualmente no Cruzeiro, chegou no cabuloso com uma certa insegurança depois dos descuidos pelo Corinthians, agora é o titular do time e brilha mais uma vez como goleiro; Rafael, do São Paulo, considerado o melhor da categoria do time pós Rogério Ceni, faz um trabalho difícil pelo tricolor e sempre se destaca nos jogos; entre outros goleiros que sempre brilham em algum momento.
A durabilidade da carreira do goleiro é admirável. O trabalho dos treinadores de goleiros é essencial quando o assunto é como adquirir segurança e experiência no gol. O treinamento não é apenas técnico, ele também é mental, ajudando os atletas no alto rendimento e, consequentemente, na longevidade.
“A longevidade do goleiro hoje se dá pela questão de você se cuidar mais. Nós vemos alguns goleiros que estão com 40 anos ou mais e jogando em alto nível. Isso é cuidado. Isso é uma forma que você tem de colocar também a parte daqueles profissionais que estão na área da preparação de goleiro […] Emocionalmente, às vezes, os mais velhos têm uma tranquilidade maior, não sofrem tanto como os mais novos, porém tem muito goleiro novo que também não sente, não tem pressão, está tudo tranquilo e consegue fazer um grande trabalho.” — destaca Mauri Lima, ex-preparador de goleiros do Corinthians e do Grêmio, sobre a longevidade dos goleiros e o preparo mental dos mais novos, em entrevista para O Informe.

Dentro das rotinas de preparação é muito importante que os atletas mais novos e com menos minutagem treinem junto com os veteranos da posição. Nenhum e nem outro é certamente “intocável”, de acordo com preparadores de goleiros, todos passam por momentos de dificuldades, baixas atuações, lesões e, além disso, a forma como o treinador do time pensa em relação ao desempenho e preparo dos goleiros que estão no clube condiz com o nível de jogos realizados por aquele atleta na temporada.
O goleiro é fundamental em todos os jogos. Seu preparo físico é diferente dos demais atletas, porém, no campo, o trabalho é coletivo e exige muito dos dois lados, daquele que está no gol e daqueles que jogam pelas linhas.












