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Embarcações da Global Sumud Flotilha são interceptadas por Israel em águas internacionais

Delegação brasileira com 12 integrantes da Global Sumud Flotilha que seguiu em missão humanitária rumo a Gaza

Foto: Reprodução/Instagram @gmtgbrasil

Dois brasileiros estão desaparecidos; governo brasileiro acompanha situação e presta assistência consular aos detidos

As embarcações da Global Sumud Flotilha, missão humanitária internacional que levava ajuda para a Faixa de Gaza, foram interceptadas na quarta-feira (1), pela Marinha de Israel em águas internacionais. A flotilha é composta por cerca de 50 embarcações e reúne aproximadamente 500 ativistas de mais de 44 países. Segundo a organização, pelo menos 23 navios foram abordados, enquanto outras embarcações seguem sendo monitoradas.

Brasileiros entre os detidos e desaparecidos

A delegação brasileira contava com 14 integrantes, entre eles o ativista Thiago Ávila, a vereadora de Campinas Mariana Conti (PSOL), João Aguiar (Núcleo Palestina-PT), a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), o cineasta Miguel de Castro e o jornalista Hassan Massoud, correspondente da Al Jazeera no Brasil.
Segundo comunicado da coordenadora nacional da delegação, Letícia Aguiar, dois integrantes da missão não foram mais localizados desde os ataques da marinha israelense:

João Aguiar, a bordo do barco Mikeno, que foi atacado com canhões de jatos de água suja e fétida. Durante o ataque, as câmeras da embarcação foram danificadas e o sistema de rastreamento parou de funcionar.

Miguel de Castro, cineasta que estava no barco Catalina, teve sua comunicação interrompida na madrugada do dia 2 de outubro, sem confirmação da interceptação ou localização da embarcação.

O restante da delegação brasileira, incluindo Hassan Massoud, está seguro em outro barco, Shireen, que não entrou na zona de risco.

Diante do desaparecimento de João Aguiar e Miguel de Castro, a delegação brasileira comunicou imediatamente o Itamaraty, cobrando prioridade na resposta de Israel sobre o paradeiro dos dois brasileiros, bem como a situação dos demais 12 participantes detidos.

Nota do governo brasileiro

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores reafirmou o princípio da liberdade de navegação em águas internacionais e ressaltou o caráter pacífico da missão humanitária. O governo brasileiro destacou que a segurança dos detidos e desaparecidos passa a ser responsabilidade de Israel e que a Embaixada do Brasil em Tel Aviv está em contato permanente com as autoridades israelenses, prestando assistência consular.

Uso de força e denúncias de agressão

A organização denunciou que a marinha israelense utilizou canhões de água e drones para intimidar. Relatos indicam que embarcações não identificadas chegaram a tocar músicas durante a noite para pressionar os ativistas. Até o momento, não há registros de feridos, mas dois integrantes permanecem desaparecidos.

Repercussão internacional

A ação israelense gerou críticas imediatas da comunidade internacional. Governos europeus, como Espanha e Itália, já haviam enviado navios militares para acompanhar a flotilha, mas evitaram ultrapassar o limite marítimo imposto por Israel.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, os ativistas detidos foram transferidos para um porto israelense e deverão ser deportados, e o governo alega que qualquer tentativa de romper o bloqueio marítimo representa uma ameaça à sua segurança.

Organizações humanitárias e movimentos de solidariedade ao povo palestino classificaram o episódio como crime de guerra e intensificaram protestos em diferentes capitais ao redor do mundo.

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