Home / Esporte / Fluminense: onde idade e dinheiro são só números

Fluminense: onde idade e dinheiro são só números

Clube carioca faz história contrariando as tendências do futebol moderno

O Fluminense é o único representante não apenas do Brasil, mas de fora da Europa ainda vivo na Copa do Mundo de Clubes, o chamado Super Mundial. Aquilo que parecia uma missão impossível está, agora, a apenas duas partidas de se tornar realidade para o clube carioca.

Mesmo tendo trocado de técnico em 2025, o Tricolor mantém um ótimo desempenho na competição. Já deixou pelo caminho Borussia Dortmund, Internazionale e Al-Hilal, permanecendo invicto até aqui. O feito envia uma mensagem clara ao mundo do futebol: é possível ser competitivo com um elenco mais experiente e uma folha salarial equilibrada.

Elenco maduro, gestão consciente

O time das Laranjeiras tem uma média de idade de 28,4 anos, uma das mais altas entre os participantes do Mundial, atrás apenas de Monterrey, River Plate e Atlético de Madrid. Na Série A do Brasileirão, essa média também figura entre as maiores.

No quesito financeiro, o clube adotou uma postura cautelosa em 2025. Soteldo foi a principal contratação para o torneio e mesmo após lesão, já aparece relacionado no banco de reservas. O clube optou por não avançar na negociação com Neymar, preservando sua folha salarial, que gira em torno de R$ 22,4 milhões por mês. Isso coloca o Fluminense na 19ª posição entre as folhas do Mundial, e entre a 9ª e 11ª no Campeonato Brasileiro.

O clube mantém o equilíbrio financeiro como prioridade, sem comprometer ainda mais uma dívida que já ultrapassa R$ 600 milhões. E apesar dos desafios, segue mostrando competitividade. Muito disso passa pelas mãos de Renato Gaúcho.

Renato Gaúcho e a força da experiência

Ícone do futebol brasileiro, Renato Gaúcho tem provado mais uma vez que idade não é limitação. Conhecido por sua habilidade em gerenciar vestiários e lidar com atletas experientes, o treinador já mostrou isso em outras ocasiões: na Copa do Brasil de 2007 com o Fluminense (com Alex Dias, 35, e Roger Machado, 32); no Grêmio campeão da Copa do Brasil em 2016 e da Libertadores em 2017, com Douglas (34), Geromel (32), Fernandinho (32) e Lucas Barrios (33).

Hoje, no Fluminense semifinalista, ele conta com Thiago Silva (40) e Fábio (44) como pilares. Para Renato, jogador experiente tem bola para entregar e ele sabe extrair o máximo disso.

Em outra frente, Renato também já foi crítico à dependência de altos investimentos. Em 2020, declarou que só poderia ser cobrado por “futebol bonito” se tivesse R$ 200 milhões para contratações. A fala repercutiu mal quando, no ano seguinte, assumiu o Flamengo, terminou vice no Brasileirão e na Libertadores e caiu na semifinal da Copa do Brasil, sendo demitido em novembro de 2021.

Muito além da conta bancária

Jogadores do Fluminense | Foto: REUTERS/Hannah Mckay

Não é novidade que os clubes brasileiros enfrentam graves problemas financeiros. Dívidas, processos e desorganização seguem como rotina. Em 2025, SAFs e grandes patrocinadores aparecem como únicas saídas para a saúde financeira de muitos clubes.

Claro, dinheiro ajuda. Mas o Fluminense mostra ao mundo que nem sempre os milhões vencem e que idade não é obstáculo quando há trabalho, estratégia e futebol bem jogado.

Afinal, no fim das contas, o que ganha jogo ainda é bola na rede.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *