Filme revive a Revolta dos Malês, marco de resistência negra no Brasil, com direção de Antonio Pitanga e roteiro de Manuela Dias.
O filme Malês estreia nos cinemas brasileiros em 2 de outubro e promete resgatar um capítulo importante da história do país. Dirigido por Antônio Pitanga, o longa retrata a Revolta dos Malês, levante ocorrido em 1835 em Salvador, considerado um dos maiores movimentos de resistência negra contra a escravidão no Brasil. Com roteiro de Manuela Dias e participação de Rocco e Camila Pitanga, a produção une arte e memória histórica em uma narrativa sobre luta, fé e liberdade.
Narrativa
A trama acompanha um casal muçulmano, arrancado da África durante o casamento e trazido à força para o Brasil como escravos. Em busca de sobrevivência e do reencontro, ambos se envolvem no levante dos Malês.
O filme mostra como diferentes etnias e religiões se uniram na resistência à escravidão. As filmagens foram realizadas em Cachoeira e Salvador, na Bahia, e em Maricá, no Rio de Janeiro.
Elenco e personagens
O elenco reúne atores de diferentes gerações. Entre eles:
- Rocco Pitanga como Dassalu
- Antônio Pitanga como Pacífico Licutan
- Camila Pitanga como Sabina
- Samira Carvalho como Abayome
- Rodrigo de Odé como Ahuna
- Bukassa Kabengele como Manuel Calafate
- Wilson Rabelo como Dandará
- Indira Nascimento como Edum
- Edvana Carvalho como Iyá Nassô
- Patricia Pillar como Mamãe
- Heraldo de Deus como Vitório Sule
- Jhonas Araújo como Nomonim
- Thiago Justino como Luís Sanim
- Nando Cunha como Belchior

O retorno de Antônio Pitanga à direção
A direção é de Antonio Pitanga, que retorna ao posto após 46 anos de seu primeiro trabalho, “Na Boca do Mundo” (1978). No novo projeto, Pitanga também assume papel de destaque no elenco, interpretando Pacífico Licutan, líder da rebelião.
O roteiro é de Manuela Dias, autora de “Amor de Mãe”. A produção é de Flávio Ramos Tambellini, da Tambellini Filmes, com produção associada de Cacá Diegues e Lázaro Ramos. O filme é uma coprodução da Globo Filmes, Obá Cacauê Produções, Gangazumba Produções e RioFilme. A distribuição é da Imovision e a direção de fotografia, de Pedro Farkas.
A trilha é de Antônio Pinto e Barulhista. A direção de arte ficou a cargo de Rafael Cabeça, e os figurinos são assinados por Rô Nascimento.
A equipe técnica também inclui Quito Ribeiro (montagem), Uirandê Holanda (maquiagem), José Moreau Louzeiro (som), Waldir Xavier (edição de som) e Rodrigo Noronha (mixagem).
Financiamento e apoios culturais
“Malês” conta com patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Cultural, e do Governo Federal. Também recebeu apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, da Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador, do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá e da Prefeitura de Maricá.
O projeto recebeu investimento do BNDES, além de apoio financeiro da Secretaria de Cultura da Bahia via Lei Paulo Gustavo. Empresas como Light, BahiaGás, Embasa, Ambev e Tupy também contribuíram. Recursos da Ancine, FSA e BRDE completaram o financiamento.
A Revolta dos Malês
O termo “malê” vem de “imalê”, palavra iorubá que significa “muçulmano”. Era utilizado no Brasil do século XIX para se referir a africanos escravizados de etnias como haussás e nagôs, maioria entre os combatentes do levante.
A revolta ocorreu em 25 de janeiro de 1835, no fim do Ramadã, período sagrado para os muçulmanos. O movimento contou com cerca de 600 participantes, mas foi denunciado antes da execução do plano. A repressão foi rápida e violenta: aproximadamente 70 africanos e nove soldados morreram.
A última batalha aconteceu na região de Água de Meninos, em Salvador. Muitos rebeldes tentaram fugir pelo mar, mas acabaram se afogando. Os líderes foram duramente punidos e a repressão contra a população negra se intensificou.
Apesar da derrota, a Revolta dos Malês permanece como símbolo da resistência negra e da luta pela liberdade.












