Foto: Divulgação/ Fran Gomes
Em seu terceiro álbum autoral, mergulha nas sombras e silêncios da vida para transformar densidade em música e reflexão
O músico, compositor e produtor Fernando Peters lança “Milonga Oscura“, seu terceiro álbum autoral, já disponível nas plataformas de streaming. O trabalho é uma travessia sonora por territórios de introspecção e resistência, resultado de mais de três décadas dedicadas à música e à busca de uma voz própria.
Gravado ao lado de Leonardo Bittencourt (piano) e Júlio Falavigna (bateria), o disco parte da formação clássica do piano trio, consagrada no jazz, para dialogar com o universo da música popular brasileira e com as milongas e tangos do sul. O resultado é um som que combina sutileza, densidade e identidade.
“Milonga Oscura foi a última música a ser composta no disco e acabou resumindo bastante o espírito do álbum, tanto na aproximação com as características musicais do Prata, onde a milonga é uma voz importante, quanto na ideia de trafegar por estas vias mais escuras ou ensimesmadas da vida e como isto é traduzido artisticamente. Talvez por isso tenha virado o título”, explica Peters.
Parceria e liberdade criativa
A parceria com Bittencourt e Falavigna teve papel essencial na construção da sonoridade. “Tanto o Júlio quanto o Leo deram importante contribuição ao resultado final – muito por estarem dispostos a entender a proposta inicial, tanto em composição como em textura, e terem sido capazes, neste cenário, de acrescentar sua própria voz”, afirma o músico.
Referências e densidade do álbum
Sem seguir uma referência única, “Milonga Oscura” é fruto de um longo processo de amadurecimento. “É o resultado de décadas procurando meu caminho enquanto artista, mas também o recorte do que sou neste momento. Identifico reflexos de coisas que consumi durante minha vida, de Gismonti a Kurosawa, de Piazzolla a Rubem Fonseca, mas não vejo nada muito literal. Agora, é um disco notadamente denso, muito por ter sido majoritariamente escrito durante a pandemia, e não procurei fugir disso”, conta.

A densidade também se expressa nas composições, que cruzam ritmos e atmosferas. Peters cita algumas faixas como marcos simbólicos dessa jornada. “‘Tangorine’ e ‘Milonga’ são as mais recentes e indicam um pouco do norte do meu próximo trabalho. Mas também acho que ‘Serpentine’, lançada anteriormente, é um bom cartão de visitas para o álbum”, comenta.
Um convite à reflexão
Mais do que um registro sonoro, “Milonga Oscura” se apresenta como um convite à pausa e à reflexão em meio ao ritmo acelerado do cotidiano. “O artista não tem lá muito poder sobre o que desperta em quem ouve, mas vejo o disco como um convite à reflexão. São tempos de muita velocidade, pouca profundidade e um certo cinismo em relação aos óbvios problemas dos nossos dias. É preciso respirar e aceitar dor, dificuldades e dúvidas, o lado escuro das coisas, para poder encontrar um caminho e seguir em frente”, conclui Peters.
Com “Milonga Oscura”, Fernando Peters aprofunda sua trajetória autoral e propõe uma escuta que atravessa o emocional e o estético. O álbum está disponível em todas as plataformas de streaming.












