Piloto brasileiro reivindica título perdido em 2008 por manipulação de resultado em Singapura
Na última quarta-feira (29), a Corte Inglesa deu início às primeiras audiências do caso Felipe Massa. O piloto brasileiro move uma ação contra a Fórmula 1, a Federação Internacional do Automobilismo e o ex-gestor Bernie Ecclestone, pela perda do título mundial de 2008, em razão do Crashgate na etapa de Singapura.
Felipe Massa iniciou a movimentação em busca do título mundial em 2023, quando Bernie Ecclestone revelou que ele e Max Mosley, na época chefes da Fórmula 1, já sabiam do Crashgate em 2008, mas não o revelaram para preservar a imagem da categoria. Massa reagiu às falas de Ecclestone, e cinco meses depois deu o primeiro passo judicial para reivindicar o título mundial e a reparação de danos morais.
A defesa do piloto busca o reconhecimento do título de 2008 e uma indenização financeira de 64 milhões de libras, cerca de R$455 milhões de reais. Segundo a argumentação, o brasileiro não busca tirar o título de Hamilton, mas quer que FIA e FOM (Fórmula One Management) declarem que a manipulação em Singapura e a falta de ações da instituição, resultaram na perda do campeonato para ele:
“A FIA agiu em violação de seus próprios regulamentos ao não investigar prontamente as circunstâncias do acidente (de Nelsinho Piquet) em 2008”.
“Se a FIA não tivesse agido em violação de seus próprios regulamentos, ela teria cancelado ou ajustado os resultados do Grande Prêmio de Singapura, com a consequência de que o Sr. Massa teria vencido o Campeonato de Pilotos de 2008”.
O que foi o Crashgate?
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Na 15° etapa da temporada, Felipe Massa e Lewis Hamilton chegavam a Singapura com um ponto de diferença na tabela, a Renault, chefiada por Flavio Briatore e Pat Simmons, estava pressionada por resultados, já que Fernando Alonso e Nelson Piquet Jr, companheiros de equipe, não haviam conquistado nenhum pódio até o momento. No sábado, Massa cravou a pole e dividiria a primeira fila com Lewis Hamilton. Alonso e Piquet Jr largariam no fim do pelotão, 15° e 16° colocados, respectivamente.
Na época, os carros passavam por reabastecimento e as regras sob bandeira amarela eram diferentes das quais estão no regulamento de 2025. O piloto da Ferrari liderava a corrida até a volta 14, quando Nelson Piquet Jr, bateu na curva 17 e acionou o Safety Car. Felipe Massa entrou nos boxes e ao sair, a mangueira de reabastecimento ficou presa ao carro, o obrigando a parar na saída do pit-lane, lhe custando muito tempo.

O piloto brasileiro terminou a corrida na 13° colocação, enquanto Hamilton foi 3°, saindo com uma vantagem de seis pontos. Fernando Alonso ganhou a corrida, saindo da 13° posição.
O escândalo de manipulação do resultado só foi revelado um ano depois, por Reginaldo Leme, durante a transmissão da etapa de Spa-Francorchamps (Bélgica). As informações eram que Briatore havia obrigado Piquet Jr a bater para favorecer Alonso, com a ameaça de demitir o brasileiro caso o mesmo não atendesse o pedido.
Massa chegou ao GP do Brasil, última corrida do campeonato, com chances de título, e cruzou a linha de chegada em primeiro lugar, se sagrando campeão mundial por 36 segundos, quando Hamilton passou Timo Glock na última curva e conquistou seu primeiro título.
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Ação judicial
A defesa de FIA, FOM e Ecclestone quer o encerramento ou que o caso seja julgado de maneira sumária, se baseia em quatro pontos: limitação, contrato, limite de tempo e declarações.
Para Ecclestone, o ex-piloto da Ferrari sabia dos limites contratuais desde 2009 e entrou na justiça anos depois por uma questão publicitária. A FIA argumenta que as questões contratuais já foram fechadas, e que a ação judicial extrapola o tempo limite de revisão dos mesmos. Por fim, a FOM afirma que o movimento de Massa não se sustenta, pois o piloto perdeu o campeonato desportivamente, por erros dele e da equipe.
Em documento, a FIA declara:“A reivindicação do senhor Massa é tão tortuosa quanto ambiciosa demais. […] O senhor Massa ignora uma série de erros próprios ou da equipe Ferrari durante o GP de Singapura e em outras corridas daquela temporada, que contribuíram para sua segunda colocação no Mundial de Pilotos”.
A defesa do piloto brasileiro declara que Massa entrou na justiça mais 15 anos depois, por falta de evidências na época, já que FIA e FOM não tornaram o caso público, quando ocorreu, e a entrevista reveladora de Ecclestone em 2023 foi o estopim para a ação judicial.
O andamento do processo judicial entre as partes começou na última quarta-feira (29), na Corte Inglesa, em Londres. Com as argumentações apresentadas até o momento, o juiz britânico Robert Jay pode encerrar o processo já nesta sexta-feira (31), ou determinar que ele siga para uma nova fase.
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