Mais de cem documentos foram retificados e entregues a parentes em cerimônia na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco
Mais de cem certidões de óbito de vítimas da ditadura militar (1964–1985) foram corrigidas e entregues a familiares nesta terça-feira (8), durante cerimônia realizada no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, região central de São Paulo.
O evento contou com a presença da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo; da procuradora Eugênia Gonzaga, presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos; de Vera Paiva, filha do ex-deputado Rubens Paiva e integrante da comissão; do reitor da USP, Celso Fernandes Campilongo; da vice-reitora, Maria Arminda do Nascimento Arruda; e de Diva Soares Santana, representante das famílias das vítimas.
Ao longo da cerimônia, foram entregues 102 certidões de óbito retificadas. Cada nome de desaparecido político foi chamado individualmente, seguido da saudação “presente”, em ato simbólico de memória.
Entre os homenageados estavam Vladimir Herzog, cujo documento foi recebido pelo filho Ivo Herzog; Rubens Paiva, representado pelo filho Marcelo Paiva e pelo neto Chico Paiva; e Santo Dias, operário morto durante uma greve em 1979, representado pela filha Luciana Dias.

Em discurso, Chico Paiva destacou a importância da juventude na defesa da democracia e lembrou o legado dos avós.
“Minha avó sempre dizia que o assassinato de Rubens Paiva não era um crime apenas contra nossa família, mas contra o país. Meus avós deram a vida pela democracia. Este evento é uma vitória dos direitos humanos, e é simbólico ver uma mulher negra, Macaé Evaristo, à frente do ministério”, afirmou.
A escritora e ativista Amelinha Teles, também vítima da ditadura, afirmou que a entrega das certidões representa um passo importante no reconhecimento histórico e na reparação da memória das vítimas. Ela lembrou que as famílias reivindicam há décadas o paradeiro dos desaparecidos políticos.
O ato contou com dois momentos especialmente emocionantes. O sambista Tobias da Vai-Vai entoou o Hino Nacional à capela. Ao final, os parentes ergueram as fotos dos mortos e desaparecidos, um gesto coletivo de memória e resistência que encerrou a cerimônia.












