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Facção no Ceará eleva cobrança para R$ 1 mil e comerciante paga somente R$ 400; mas acaba sendo executado aponta investigação

Mateus dos Santos foi preso por suspeita de matar Alexandre Roger, em Itapajé (CE), e confessou o crime — Foto: Polícia Civil do Ceará

Comerciante foi morto após não pagar valor exigido por facção em Itapajé.

Na noite de 17 de agosto de 2025 o comerciante Alexandre Roger Lopes de 23 anos foi executado a tiros enquanto atendia clientes em seu espetinho no bairro Santa Rita em Itapajé, no Ceará. Jovem trabalhador e também motorista particular ele havia montado o pequeno negócio na calçada da casa onde morava como forma de complementar a renda. O caso chocou a cidade e chamou a atenção das autoridades por revelar a atuação direta do Comando Vermelho no controle de atividades comerciais na região.

De acordo com a Polícia Civil Alexandre vinha pagando 400 reais mensais como taxa de proteção à facção criminosa. Era o preço imposto para que pudesse manter o negócio aberto sem sofrer represálias. Nos últimos meses no entanto o grupo elevou a cobrança para mil reais, valor considerado inviável para a realidade financeira do comerciante.

No dia 15 de agosto Alexandre transferiu apenas os 400 reais de costume. Dois dias depois, enquanto trabalhava normalmente, foi surpreendido por um homem que chegou pedindo que ele atendesse uma ligação. Ao se virar com o celular na mão o comerciante foi alvejado por dois disparos. Socorrido inicialmente no hospital municipal, acabou transferido para o Instituto Dr. José Frota em Fortaleza, mas morreu no dia 19 de agosto em decorrência dos ferimentos.

O autor dos disparos foi identificado como Lucas Mateus dos Santos. Testemunhas o reconheceram na cena do crime e câmeras de segurança confirmaram sua participação. Preso em 22 de agosto ele confessou a execução. No dia seguinte a Justiça converteu a prisão em preventiva garantindo que permaneça detido até o julgamento.

As investigações apontaram que o crime foi motivado pela recusa em pagar integralmente a quantia exigida. Para a polícia a execução teve caráter de retaliação e serviu como recado para outros comerciantes da cidade que também sofrem com a mesma forma de extorsão. Depoimentos colhidos revelam que diversos empreendedores estão sendo coagidos e que muitos já fecharam as portas com medo da violência.

O aumento de 400 para mil reais representa não apenas o peso financeiro, mas a escalada de uma política de intimidação que paralisa a economia local. Pequenos comerciantes como Alexandre se tornam os alvos mais vulneráveis por não terem meios de proteção. A falta de alternativas e o medo constante de represálias deixam famílias inteiras em situação de risco.

Especialistas em segurança pública observam que esse tipo de cobrança funciona como uma falsa forma de regulação econômica. Facções se impõem como autoridades paralelas substituindo o papel do Estado. Com isso controlam não só a economia local mas também o comportamento social, criando um ambiente de medo que favorece a permanência do crime.

Para além da repressão imediata a situação expõe a necessidade de políticas públicas que deem suporte a comerciantes ameaçados. Programas de proteção, acesso a microcrédito e presença policial constante são apontados como caminhos para reduzir a vulnerabilidade. Sem medidas estruturais a tendência é de que novas vítimas surjam em municípios onde a criminalidade avança de forma acelerada.

A morte de Alexandre Roger Lopes simboliza essa realidade. Jovem de apenas 23 anos, viu no espetinho uma oportunidade de renda e de independência financeira. No entanto, acabou alvo de um esquema que transforma o sonho de empreender em sentença de morte. Sua execução mostra que a violência das facções não atinge apenas grandes negócios, mas sufoca também iniciativas simples, que poderiam sustentar famílias e movimentar a economia local.

O caso continua em investigação. A Polícia Civil busca identificar os mandantes da execução e mapear a rede de cobrança que opera em Itapajé. Enquanto isso a comunidade permanece em alerta, temendo que o episódio seja apenas um de muitos casos que ainda podem acontecer caso não haja resposta rápida do poder público.

A tragédia não representa apenas a perda de um jovem comerciante, mas também o retrato da fragilidade das instituições diante do avanço do crime organizado.

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