“Hip-Hop 80’sp – São Paulo na Onda do Break” propõe uma viagem pela origem e consolidação do movimento na capital paulista
O Sesc 24 de Maio, no centro da capital, recebe desde 24 de julho a exposição “Hip-Hop 80’sp – São Paulo na Onda do Break”, que revisita as origens e os desdobramentos do movimento hip-hop na cidade
O gênero, que surgiu nos bairros periféricos de Nova York nos anos 1970, desembarcou no Brasil na década seguinte, encontrando solo fértil em São Paulo.
Mais do que um estilo musical, o hip-hop é apresentado na mostra como um movimento cultural multifacetado, que atravessa a música, a dança, as artes visuais e o comportamento social.
A curadoria reúne mais de 3.000 peças, muitas delas pertencentes aos próprios curadores, colecionadores e colaboradores. Nomes como OSGEMEOS, Rooneyoyo, ALAM Beat, Sharylaine, Rose MC, Thaíde e DJ KL Jay assinam a curadoria, junto com a produção executiva de Camila Miranda e Ricardo Samelli. A realização é do Sesc São Paulo.
Logo na entrada, o visitante encontra um mapa do metrô que serve como guia para a visita. A proposta é uma imersão cronológica: discos de vinil, livros, fotografias, gibis, acessórios, micro systems com luzes coloridas e até reproduções de vagões de metrô compõem o percurso expositivo.
Embora a cena paulista seja o foco principal, outras capitais brasileiras também são lembradas por suas contribuições ao movimento, como Belém, Manaus, Goiânia, Porto Alegre e João Pessoa.
Pilares
Millena Mendes, estagiária e guia da mostra, afirma que a exposição se estrutura a partir de alguns pilares do hip-hop: DJ, rap, grafite e breakdance.
“Além disso, há um elemento muito presente, que é a consciência social. A dança, a música e a estética do hip-hop estão profundamente ligadas à noção de classe, ao papel do indivíduo na sociedade e ao pertencimento à comunidade”, diz Milena.
O local onde a exposição acontece tem valor simbólico. O cruzamento da rua 24 de Maio com a rua Dom José de Barros é apontado como um dos pontos de encontro da juventude periférica paulistana nos anos 1980. Ali se formavam rodas de conversa, danças e apresentações de DJs e MCs, consideradas a gênese do hip-hop na cidade.
Retrato de época
A ambientação inclui uma réplica cenográfica da estação São Bento, referência direta a um dos marcos históricos do hip-hop na capital. O espaço será utilizado para oficinas de DJ, grafite, rodas de conversa e dança.
Foi na estação São Bento que grupos como Funk & Cia e Back Spin Crew se reuniam para criar passos de dança e um estilo que ecoaria em outras expressões culturais.
A DJ Marina Roquete, visitante da mostra, se disse surpreendida com a abrangência da exposição.
“Sempre gostei da cultura de rua e da moda ligada ao hip-hop, mas não conhecia metade do que está sendo mostrado aqui. A exposição vai além da música e da dança. Vale muito a pena visitar”, afirma a DJ.
Presença feminina
Embora figuras masculinas tenham dominado a cena por muitos anos, a participação feminina no hip-hop é reconhecida como fundamental. Sharylaine e Rose MC, por exemplo, são nomes pioneiros e integram tanto a curadoria quanto a história retratada na mostra.
Sharylaine é considerada uma das primeiras-damas do rap nacional, enquanto Rose MC esteve entre as primeiras mulheres a ocupar os palcos do gênero no país. A própria produção da exposição é liderada por Camila Miranda, reforçando o protagonismo feminino na preservação e celebração dessa memória cultural.
Serviço:
Exposição: HIP-HOP 80’sp– São Paulo na Onda do Break
Período da exposição: até 29 de março de 2026
Horário de funcionamento: terça a sábado, das 9h às 21h; domingos e feriados, das 9h às 18h
Local: Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109 – República
Classificação Livre | Entrada gratuita
Agendamento de visitas para grupos: agendamento.24demaio@sescsp.org.br











