Home / Entretenimento / 7ª edição de evento gratuito promove autores independentes

7ª edição de evento gratuito promove autores independentes

A Flipei ocorreu em quatro espaços diferentes e luta por presença na capital de São Paulo.

Flipei no Galpão Elza Soares | Imagem: Victoria Marques

O evento Flipei (Festa Literária Pirata das Editoras Independentes) promove mais uma vez a literatura da periferia em sua 7ª edição, reunindo editoras e autores independentes, ajudando a ampliar a diversidade em um evento gratuito para o público e para os expositores, entre os dias 6 e 10 de agosto.

Ocorreria inicialmente no Theatro Municipal de São Paulo, mas foi cancelada pelo local por motivos de “cunho político-ideológico”, segundo documento divulgado pela comunicação do evento, e foi reorganizada nos espaços: Galpão Elza Soares, Casa Luís Gama, Café Colombiano e Sol Y Sombra.

Cynthia Oliveira Fonseca, editora da Editora Mapa das Letras – que surgiu de um coletivo de mulheres -, contou que o evento vai além das vendas, os autores podem se conhecer e conversar com os leitores: “Esse contato pessoalmente é sempre muito interessante e importante para ampliar o nosso trabalho além das redes sociais”.

A autora acredita que o cancelamento no Theatro Municipal fortaleceu o evento, pois essa situação teve grande repercussão nas redes sociais, e criticou o ocorrido: “Uma censura escrachada mesmo. Mas a literatura é isso, é resistência. Literatura não tem como não ser política de certa forma. Então, eu acho esse um ato absurdo. Fortaleceu ainda mais quem de fato trabalha pela literatura, pela cultura e pela democracia de forma geral”.

Luana Cristini é um autor independente que veio de Riberão Preto, interior de São Paulo, e é uma pessoa não-binária, que é uma identidade de gênero que não se identifica exclusivamente como homem ou mulher, e ele retrata isso em suas HQs, que falam sobre feminismo e questões de gênero.

Ele elogiou o evento, mas conta que é muito difícil ampliar o alcance do seu trabalho tanto como autor independente quanto trans: “As pessoas passam, mas não compram. Eu sinto que é muito essa questão de nicho, porque as pessoas que geralmente passam na nossa mesa, são trans e são elas quem compram.”

“Literatura trans não é só para pessoas trans, assim como falar sobre questões neurodivergentes, assim como falar sobre mulher e feminismo, não é só de mulher. Eu acho que ainda falta um pouco dessa questão para pessoas entenderem as minorias”, desabafa Luana.

Luís Fernando Prado é um homem trans, autor do livro “Simplesmente Homem”, que conta as histórias de homens trans e busca educar os leitores sobre esse assunto. “Cada história tem um pouco da minha, eu trouxe informações para as mães, para os pais, familiares, professores e qualquer pessoa. Não tem desculpa para ser transfóbico. Então, esse trabalho é para dizer que a masculinidade e a feminilidade de alguém não está pela minha perspectiva e sim pela dela.”

Prado elogia o evento, mas acha que pode melhorar: “Eu acredito que deveria ter uma mesa específica [no debate] para quem se interessa em falar do trabalho dos stands, não é porque é independente que elas não precisem vender, elas precisam vender e elas precisam que o trabalho delas seja difundido”.

Ele relembra que o motivo da mudança de espaço do evento ocorreu por questões políticas e da ligação da Flipei com a luta pró-Palestina e criticou duramente e Prefeitura de São Paulo pela atitude: “O prefeito de São Paulo compactua com uma política higienista no centro da cidade. Ele tira essas pessoas ao relento em pleno frio. A gente não precisa ir muito longe, como Israel e Palestina, a gente vive um apartheid aqui mesmo”.

Durante o evento em si, muitos assuntos foram debatidos, como a resistência da Palestina, segurança pública, feminismo, racismo e a escala 6×1, além de vários outros. Kate Medeiros é redatora publicitária e antropóloga, e compareceu para assistir às mesas sobre habitação social, privatização da cidade e a escala 6×1.

Ela já participou de outras edições, e disse ter achado um absurdo o cancelamento pela prefeitura. “Eu acho que a gente está numa democracia e tem que ter espaço, inclusive para aquilo que a gente discorda.”

À imprensa, a organização afirma que “A FLIPEI é uma festa pirata — não porque seja clandestina, mas porque se recusa a aceitar o naufrágio cultural promovido pelo mercado e pelo conservadorismo. A cada edição, se consolida como um projeto coletivo, transgressor e essencial para repensar a cena literária no Brasil”.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *