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EUA enviam destróieres para a costa da Venezuela em operação contra o narcotráfico

Movimentação militar envolve 4 mil homens, aviões de vigilância e submarino; governo Maduro reage e classifica ação como ameaça à estabilidade regional

Os Estados Unidos iniciaram o deslocamento de três destróieres para a costa da Venezuela em uma operação militar voltada ao combate ao narcotráfico no Caribe. A movimentação, que deve se concretizar nas próximas 36 horas, foi confirmada por duas fontes do governo norte-americano à agência Reuters na segunda-feira (18).

As embarcações USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson, fazem parte de um contingente que inclui cerca de 4.000 marinheiros e fuzileiros navais. Segundo funcionários norte-americanos, sob condição de anonimato, a missão contará ainda com aviões de vigilância P-8 Poseidon e ao menos um submarino de ataque.

De acordo com as fontes, a operação terá caráter prolongado, com uso de meios navais e aéreos para coleta de inteligência e vigilância, mas também poderá servir como plataforma de ataques direcionados caso seja tomada essa decisão.

Reação da Venezuela

O governo de Nicolás Maduro reagiu, classificando a movimentação como uma ameaça à estabilidade regional. Em discurso na segunda (18), o presidente afirmou que o país está preparado para defender “mares, céus e terras” diante do que chamou de “ameaça de um império em declínio”.

O Ministério das Relações Exteriores venezuelano declarou em nota que a iniciativa dos EUA coloca em risco “a paz e a estabilidade de toda a região, incluindo a Zona de Paz declarada pela Celac”. Caracas também acusou Washington de “falta de credibilidade” e de fracasso em sua política antidrogas.

Na mesma linha, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, afirmou que a Venezuela está mobilizada para responder à presença militar norte-americana. Maduro anunciou ainda o reforço interno com 4,5 milhões de milicianos armados, criados originalmente pelo ex-presidente Hugo Chávez como força de apoio às Forças Armadas.

Pressão de Washington

Em Washington, a Casa Branca justificou a medida como parte da estratégia contra cartéis de drogas que atuam na região, incluindo o Tren de Aragua, da Venezuela, e o cartel de Sinaloa, no México.

Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca (Foto: Getty Images via BBC)

“A administração está preparada para usar todos os elementos do poder americano para impedir que drogas cheguem aos EUA”, disse a porta-voz Karoline Leavitt nesta terça-feira (19).

O governo Donald Trump já havia elevado, no início do mês, a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro para US$ 50 milhões (cerca de R$ 270 milhões). O presidente venezuelano é acusado por Washington de integrar uma rede de narcotráfico internacional, acusação que ele nega.

Em comunicado, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, classificou Maduro como “um dos maiores narcotraficantes do mundo” e afirmou que cartéis ligados a Caracas e ao México representam “ameaça à segurança nacional”. Segundo ela, o Departamento de Justiça apreendeu mais de US$ 700 milhões em ativos vinculados ao governo venezuelano, incluindo jatos privados e veículos.

Histórico de tensão

Os EUA já haviam deslocado outros navios para o Caribe nos últimos meses em operações de combate ao tráfico. Trump, crítico contumaz de Maduro, não reconhece sua legitimidade após a reeleição contestada de 2018, acusada de fraude e repressão à oposição.

Apesar das hostilidades, Washington e Caracas tiveram episódios recentes de cooperação, como uma troca de prisioneiros em julho.

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