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Estudo indica que cannabis medicinal pode ajudar reduzir tumores e melhorar qualidade de vida de pacientes com câncer

Pesquisa internacional aponta benefícios em mais de 70% dos estudos e reforça debate sobre ampliação do uso no Brasil

Um novo estudo publicado pela revista científica Frontiers in Oncology revelou que mais de 70% das pesquisas sobre o uso de cannabis medicinal no tratamento de câncer indicam efeitos positivos. A análise foi conduzida por pesquisadores do Whole Health Oncology Institute, nos Estados Unidos, liderados por Ryan Castle, com financiamento da organização sem fins lucrativos Cancer Playbook.

Para chegar aos resultados, foi aplicado um algoritmo de Inteligência Artificial que examinou mais de 10 mil artigos científicos já publicados sobre o tema. O levantamento apontou que 71,4% dos estudos apresentaram conclusões favoráveis ao uso da cannabis medicinal, 25,6% desfavoráveis e 2,9% apresentaram achados incertos.

Entre os benefícios relatados, destacam-se efeitos anti-inflamatórios, controle da dor, redução de náuseas e melhora do apetite em pacientes oncológicos. Segundo a médica Amanda Medeiros, em estágios mais avançados da doença muitos pacientes deixam de responder aos medicamentos tradicionais, tornando uma alternativa complementar. “O uso dos canabinóides junto com quimioterapia e radioterapia revelou grandes benefícios. É um tratamento coadjuvante, que deve ser realizado apenas realizado junto ao principal”, ressalta.

Fonte: Reprodução

No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reconhece a eficácia dos canabinóides apenas em casos de epilepsia e esclerose tuberosa. Para Amanda, a nova pesquisa reforça a necessidade de revisão dessas diretrizes. “Esperamos que o CFM passe a reconhecer a importância do uso também em pacientes com câncer. Embora não haja autorização formal, o médico pode prescrever o que considerar importante para o paciente”, afirma.

Casos clínicos reforçam a percepção positiva. O agricultor Nobelino Cavalcante Neto,diagnosticado com câncer na língua em 2022, voltou a apresentar tumor em 2024. Segundo sua irmã, Salvelina, após de iniciar o uso de canabidiol prescrito pela médica, houve redução da inflamação, eliminação do mau odor e, posteriormente, a quimioterapia diminuiu o tumor em 50%. “Confiamos muito no efeito do remédio”, disse.

Outro paciente, o médico veterinário Antônio Carlos Bernardes, de 65 anos, morador de Três Pontas (MG), em tratamento de câncer no pulmão, relatou melhora significativa após incluir o canabidiol em sua rotina. “Como parte do meu tratamento, acho imprescindível. Tem efeito anti-inflamatório, age como ansiolítico, broncodilatador e analgésico”, afirma.

Apesar dos avanços, o uso da cannabis medicinal para fins oncológicos ainda enfrenta barreiras regulatórias. Especialistas defendem que os novos dados podem abrir caminho para mudanças nas políticas de saúde e ampliar o acesso a esse tipo de tratamento

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