Baseado na obra de Daniel Munduruku, espetáculo infantojuvenil com elenco indígena terá oito apresentações em Madureira, Penha, Sulacap e Centro do Rio
O premiado projeto Karaíba está de volta ao palco com uma nova montagem teatral especialmente voltada para o público infantil e juvenil. A peça “Karaíba: Uma História pré-Brasil” estreia em agosto com oito sessões gratuitas em diferentes espaços culturais do Rio de Janeiro, incluindo as zonas Norte, Oeste e o Centro da cidade.
Inspirada na obra do escritor indígena Daniel Munduruku, a montagem propõe uma experiência lúdica, educativa e decolonial, ao convidar crianças e jovens a mergulharem em histórias que antecedem o “descobrimento” do Brasil. A narrativa traz mitos, tradições e sabedoria ancestral dos povos Tupinambá e Tupiniquim, com direção de Simone Kalil, indicada ao Prêmio Shell.
Do palco à sala de aula: teatro como ferramenta de ensino
Pensado como instrumento de educação, o espetáculo foi concebido para dialogar diretamente com estudantes de escolas públicas e ampliar o debate sobre identidade, ancestralidade e diversidade cultural.
“Levar este projeto para o ambiente escolar é uma chance de potencializar a arte como ferramenta de educação. O universo Karaíba se torna uma maneira sensível e potente de conectar crianças e jovens às pautas indígenas e ao movimento decolonial”, afirma Juliana Gonçalves, idealizadora e diretora de produção do projeto.
Diferente de sua montagem anterior, o novo espetáculo é uma adaptação direta do livro homônimo, com narrativa renovada e mais próxima do universo infantojuvenil. A história acompanha Perna Solta, um jovem indígena que precisa unir três aldeias frente à profecia de um monstro vindo do mar — uma metáfora clara para a chegada dos colonizadores europeus.
Elenco indígena e olhar decolonial
A montagem conta com um elenco inteiramente indígena, com nomes como:
- Pri Gomes (Disney+, Star+)
- Sendí Baré (Netflix)
- Eli Correa (mestre em Artes Cênicas pela UNIRIO)
- João Raphael (Armazém da Utopia)
- Ruan Viana (também responsável pela preparação corporal)
A proposta é valorizar a representatividade indígena nas artes cênicas e trazer à cena uma perspectiva autêntica e ancestral sobre o que hoje chamamos de Brasil.
Sobre o projeto
“Karaíba: uma História pré-Brasil” é realizado com patrocínio do edital Pró-Carioca Linguagens, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
A produção é uma parceria entre arte e educação, e sucede a bem-sucedida primeira montagem, “Karaíba, um musical originário”, que circulou por 16 cidades entre 2022 e 2024, com 12 indicações ao Prêmio CBTIJ e vitórias em categorias como Melhor Atriz, Figurino e Texto Adaptado.
A importância de um movimento que resgata narrativas originárias
Mais do que um espetáculo teatral, “Karaíba: uma História pré-Brasil” representa um movimento artístico e pedagógico fundamental para o fortalecimento das vozes indígenas no cenário cultural brasileiro. Ao ocupar palcos públicos com uma história contada por e com indígenas, o projeto rompe com séculos de silenciamento e reafirma a potência da ancestralidade como ferramenta de transformação social. Em tempos de revisão histórica e busca por equidade, iniciativas como esta não apenas reeducam o olhar do público sobre o passado, mas também constroem pontes para um futuro mais justo, diverso e plural.
Temporada gratuita nos quatro cantos do Rio
Com uma temporada compacta e acessível, o espetáculo circulará por importantes equipamentos públicos da Secretaria Municipal de Cultura:
- 15 de agosto (sexta-feira) – Arena Cultural Fernando Torres (Madureira): R. Bernardino de Andrade, 200
- 21 de agosto (quinta-feira) – Arena Carioca Dicró (Penha Circular): Parque Ari Barroso – Entrada pela R. Flora Lôbo, s/n,
- 29 de agosto (sexta-feira) – Arena Cultural Gilberto Gil (Sulacap): Av. Marechal Fontenelle, 5000
- 01 de setembro (segunda-feira) – Teatro Municipal Gonzaguinha (Centro): R. Benedito Hipólito, 125
Em todos os locais, as apresentações acontecerão em sessões duplas, às 11h e 14h, com entrada gratuita e classificação livre.











