Foto: Gláucio Viana/ Acervo pessoal
Como os humanos, os animais de estimação podem precisar de cuidados e gerar gastos inesperados. Será que compensa fazer um plano pet?
Assim como os humanos, os animais de estimação também podem precisar de cuidados médicos e gerar gastos inesperados. Para muitos tutores, os planos de saúde pet surgem como uma alternativa para facilitar o acesso a serviços veterinários e garantir mais tranquilidade financeira.
Funcionando de forma semelhante aos convênios médicos tradicionais, os planos oferecem uma série de atendimentos mediante o pagamento de uma mensalidade fixa.
A cobertura varia conforme o tipo de contrato, podendo incluir consultas, vacinas, exames, internações, cirurgias e até castração. Os valores mudam de acordo com fatores como idade, porte do animal e abrangência do plano, que pode ser básico, intermediário ou completo, e ainda contar com coparticipação.
A fotógrafa Lisa Moura, tutora da gata Ágata – que vive com o vírus da FELV – conta que considera o plano um investimento importante. “Olha, eu acho que vale muito a pena sim, porque como qualquer plano de saúde, o maior benefício é a segurança que ele dá. Porque nós sabemos que em relação às doenças, algo pode acontecer do dia pra noite e de repente nos pegamos em uma situação que não foi planejada financeiramente”, explica.
Segundo Lisa, o principal benefício é estar preparada para emergências sem comprometer o orçamento. “Então eu acho que no quesito da segurança o plano me dá. Se amanhã acontecer alguma coisa eu não vou ter que desembolsar uma grande quantia. Acaba que realmente é uma economia que vale a pena na minha opinião.”
No entanto, ela também aponta limitações. “O lado negativo que eu acho é porque eu tinha uma percepção de que eu poderia fazer mais exames com a Ágata, eu poderia acompanhar o vírus, a carga viral e tudo mais. E a realidade é que não. Que no primeiro momento que eu precisei acionar o seguro para um exame de sangue completo, eu já estourei todos os limites do plano.” Apesar disso, considera vantajoso manter o serviço, principalmente em caso de necessidade de internação.
Já para tutores de animais que necessitam apenas de um check-up anual, o custo-benefício pode ser menos evidente. É o caso do editor de vídeo Gláucio Viana, que contratou um plano para sua cachorrinha Xibi, mas avalia que, na ausência de doenças, o gasto mensal pode não compensar.
“O mais caro tem internação, fisioterapia, etc., mas como ela tá nova e não tem doença, não precisa dessas coisas”, diz. Apesar disso, ele segue com o plano devido ao baixo custo e ao desconto nas vacinas.
“Fica muito barato as vacinas com plano. Quarenta por mês daria 480 por ano. Eu gastei quase isso quando ela passou mal uma vez. Então, meio que seria elas por elas. Se ela não passar mal no ano, pelo menos compensa nas vacinas.”
Antes de contratar um plano pet, especialistas recomendam observar com atenção a rede de clínicas credenciadas, os serviços cobertos, possíveis períodos de carência, política de reembolso e exclusões como doenças pré-existentes. A leitura detalhada do contrato é essencial para evitar surpresas.
O mercado pet brasileiro reflete essa crescente demanda. Segundo dados da Abinpet e do Instituto Pet Brasil, o setor faturou R$ 75,4 bilhões em 2024, um aumento de 9,6% em relação ao ano anterior. Os serviços veterinários representam a quarta maior fatia, com R$ 7,7 bilhões em receita.
Esse movimento também começa a alcançar a legislação. A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 5636/23, que permite incluir planos pet como benefício aos trabalhadores. A proposta, que ainda precisa passar por outras comissões e ser aprovada na Câmara e no Senado, representa um avanço tanto na legislação trabalhista quanto no reconhecimento do papel dos animais nas famílias brasileiras.
Mais do que uma tendência, os planos pet traduzem uma mudança no comportamento dos tutores. Se escolhidos com critério, podem garantir mais qualidade de vida ao animal e tranquilidade ao tutor. A decisão, no entanto, deve sempre levar em conta a realidade e as necessidades de cada pet.












