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Cresce na Faria Lima o interesse pelo conceito de Empresas Biblicamente Responsáveis

Executivos reunidos em prédio corporativo da Avenida Faria Lima, simbolizando o crescimento das Empresas Biblicamente Responsáveis no mercado financeiro.

Por: Fernanda Comenale & Fernanda Araújo

Foto: Créditos/Gueratto Press

A busca por coerência ética, propósito e impacto humano ganha espaço no centro financeiro do país, impulsionando novos modelos de gestão e atraindo executivos e investidores.

Cresce no maior centro econômico da América Latina, símbolo da racionalidade dos números e da competitividade corporativa — A Avenida Faria Lima em São Paulo (SP) — um movimento incomum: o avanço de um modelo de gestão que coloca valores espirituais, responsabilidade moral e propósito no centro das decisões de negócio.


São chamadas de Empresas Biblicamente Responsáveis (EBR) aquelas que seguem esses valores. As respectivas empresas vêm ganhando adesão entre líderes e investidores, impulsionadas por um cenário em que consumidores e colaboradores cobram coerência entre discurso e prática.

No Brasil, onde 86% da população se declara cristã e cerca de 30% dos pequenos e micro empreendedores afirmam tomar decisões influenciadas pela fé, esse conceito aumenta. A estimativa é que aproximadamente 400 companhias brasileiras já adotem os princípios da EBR — os quais incluem integridade, justiça, transparência, serviço ao próximo e valorização da vida.
O movimento, ainda em expansão, começa a consolidar-se como uma alternativa de governança atenta tanto à performance financeira quanto ao impacto humano.

Entre os exemplos está o Grupo Med+ — a maior empresa de emergências aeroportuárias da América Latina — sendo reconhecida publicamente em Brasília como uma das primeiras organizações biblicamente responsáveis do país.
Para o presidente da companhia, Victor Reis, o conceito vai além de religiosidade. “Ser uma Empresa Biblicamente Responsável é reconhecer que o lucro não pode ser o único norte. É preciso impactar vidas com propósito, tomar decisões com temor e, acima de tudo, honrar princípios que não mudam com as tendências do mercado”, afirma.


A adesão ao modelo cresce em paralelo a uma mudança global na forma como negócios são avaliados. Se a última década foi marcada pela ascensão da agenda ESG, agora é a camada ética — especialmente ligada à integridade e à justiça — que começa a despontar como diferencial competitivo.
Para especialistas, estas empresas ampliam o escopo de medição de performance ao adotar indicadores como segurança psicológica, práticas justas com fornecedores, integridade contratual e impacto social contínuo.


Criando um tipo de governança de longo prazo baseado em confiança e consistência, características cada vez mais valorizadas em um ambiente corporativo exigente e altamente exposto. Entre investidores da Faria Lima, o interesse surge não apenas por afinidade religiosa, mas pela percepção de que culturas organizacionais sólidas reduzem riscos e fortalecem a reputação.


Diante desse cenário, executivos que já adotam o modelo ou buscam implementá-lo têm se organizado para discutir práticas e padronizar diretrizes. Um dos espaços que vêm ganhando destaque é o Entre Reis, encontro realizado justamente na Faria Lima e voltado a líderes interessados em aprofundar o conceito de Empresa Biblicamente Responsável.


Com a combinação entre uma base cultural cristã ampla e um mercado que exige postura ética consistente, a tendência é que o movimento das EBR continue crescendo — abrindo espaço para que propósito, responsabilidade e desempenho caminhem lado a lado no epicentro financeiro do país.

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