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Dia da cachaça: conheça a história da bebida destilada mais popular do país

Entre cores e sabores, neste sábado (13), é celebrado o dia da caninha mais querida dos brasileiros

Celebrado em 13 de setembro, o Dia da Cachaça marca a importância de uma das bebidas mais emblemáticas do Brasil. A bebida atravessou revoltas, movimentos de independência e tornou-se símbolo de resistência e identidade nacional. 

No século XVII, durante a Revolta da Cachaça, os líderes do movimento preferiram brindar a vitória com vinhos portugueses, considerados mais nobres na época. Ainda assim, foi em outros episódios históricos que a bebida ganhou força como símbolo de brasilidade.

Na Inconfidência Mineira, no século XVIII, os conspiradores que sonhavam com a independência do Brasil faziam questão de beber cachaça como gesto de repúdio à Coroa Portuguesa. Tiradentes, figura central da conspiração, teria pedido: “molhem minha goela com cachaça da terra” antes de ser enforcado.

Anos mais tarde, em 1817, a bebida também esteve presente na Revolução Pernambucana, quando os líderes do movimento adotaram a cachaça e boicotaram os produtos vindos de Portugal, reforçando o caráter nacionalista do destilado.
Alguns registros sugerem que a primeira cachaça teria sido feita em Itamaracá (PE) entre 1516 e 1526; outros, em Porto Seguro (BA), por volta de 1520. Já o historiador Câmara Cascudo, em sua obra Prelúdio da Cachaça, defende que o destilado nasceu em São Vicente (SP), em 1532, versão considerada a mais provável.

O diferencial da cachaça

A coloração da bebida está relacionada ao tipo de madeira usada no envelhecimento. Ela se apresenta em diferentes cores: branca, amarela, dourada ou escura. O Brasil se destaca nesse quesito, são mais de 30 tipos de madeiras permitidas para o descanso do destilado. Esse contato com o barril não define apenas a cor, mas o aroma e sabor também, que sofrem influência do solo, do clima, da cana-de-açúcar utilizada e do estilo de fermentação.

Comece pela cachaça branca: sem passagem pela madeira, ela revela a bebida em sua forma mais pura, direto do alambique, sem disfarces. Imagem: reprodução

A coloração e sabor dão um toque especial à bebida, agradando a todos os paladares. Se você é do time que gosta de algo mais adocicado, pode optar por uma bebida envelhecida em jequitibá, que lembra a baunilha. Para um gosto fortemente amadeirado, a tradicional amburana, pode ser uma boa escolha e já a de bálsamo traz um caráter de ervas e especiarias ao líquido.

O empresário, José Lúcio Ferreira, fundador e diretor da Expocachaça destaca:

“Apesar de ser um dos principais mercados nacionais do setor de bebidas, globalmente, o pequeno produtor que luta para conquistar o mercado americano tem ainda o desafio de enfrentar os produtores industriais que chegam no mercado com preços bem baixos competindo predatoriamente com os produtores de cachaça de alambique. E mostrar para o mercado que existem dois processos produtivos, o de coluna ou industrial e o de cachaça de alambique, para mostrar essa diferença é preciso um investimento que os pequenos produtores não têm.”

Muitos produtores fazem o uso do carvalho e amburana, que são madeiras bastantes intensas. Essa é uma forma para disfarçar falhas na qualidade da base do destilado.

Um dos principais estudiosos do destilado no Brasil, José Lúcio Ferreira, observou que recentemente uma marca de cachaça de alambique foi vendida por um valor 15 vezes maior que o das indústrias e enfrentou forte concorrência das marcas industriais, resultando na redução do preço pela metade.

“As empresas importadoras que trabalham com produtos de alto valor agregado sabem das diferenças entre as cachaças industriais e da cachaça de alambique, mas explicar isso para o público consumidor requer investimento que o produtor não tem como fazer, em sua grande maioria. Não tem capacidade”, pontua o especialista.

A acidez da cachaça e a procura por qualidade

Os motivos para a ardência da cachaça podem ser: baixa qualidade da destilação e a sensibilidade, temporária ou crônica, do seu organismo com o álcool. O que facilita a queimação no esôfago, seja com cachaça, vodca ou tequila.

Dependendo da forma de produção e região, a acidez da cachaça sofre alteração, podendo ser mais forte ou mais fraca, não sendo um defeito. Bebidas com um alto teor de metanol, costumam elevar a ardência na garganta causando desconforto, e em casos mais graves, levando a cegueira e até a óbito.

Com o propósito de dar visibilidade aos produtores registrados que nasceu a Expocachaça há praticamente 18 anos, entretanto com a sua 34ª edição realizada no mês passado, em Belo Horizonte. Imagem: Projeto Antenados/Expocachaça

A falsificação de bebidas e o grande número de alambiques ilegais, é um sério problema no Brasil. Por essa razão, é importante avaliar a procedência do destilado, incentivando os consumidores a adquirirem as bebidas de cachaças e outras categorias em empórios e e-commerces confiáveis e registrados, reforça José Lúcio Ferreira.

Um fator mensurado é o preço da cachaça, para alguns produtores o critério de avaliação é estimado no longo período de envelhecimento do destilado, misturando líquidos de diferentes bárris até chegar na combinação que consideram especial. O envelhecimento da cachaça exige mais tempo e investimento do que engarrafar a bebida branca diretamente do alambique. Muitas vezes, o preço elevado de garrafas de cristal reflete mais o luxo e o prestígio do produto do que a qualidade do destilado.

Os rankings lançados anualmente, como o da Cúpula da Cachaça, podem ser um bom ponto de partida para aqueles que não têm conhecimento sobre o destilado. 

A história da cabeça, coração e cauda

A história é sobre o caminho de produção da cachaça, chegando até o produto final. Ela se inicia com um produtor dedicado a criar um destilado de qualidade descartando a primeira parte da destilação, conhecida como cabeça, que contém substâncias prejudiciais, como os altos índices de metanol. 

O coração da cachaça, livre de impurezas, representa a parte mais pura e apreciada do destilado.

Chegando ao final da destilação, chamado rabo ou cauda, é a etapa que tem menor concentração alcoólica e também deve ser descartado. Produtores criteriosos concentram-se em selecionar apenas o coração para engarrafar, garantindo o melhor resultado possível.

Embora existam exceções, é recomendável degustar cachaças de pequenos produtores respeitados, sempre em doses moderadas.

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