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Entre demissões e torcida apaixonada: quem está sofrendo mais no futebol?

A relação entre o técnico Abel Ferreira e a torcida do Palmeiras exemplifica o ciúme que preenche os corações no futebol brasileiro.

Você não leu errado. A relação entre técnicos de futebol e torcidas brasileiras é uma das mais ciumentas que existem. Pode parecer estranho aplicar um sentimento de casal a uma dinâmica de clube, mas o ciúme nos dá a lente perfeita para entender a loucura da Série A do Brasileirão, onde técnicos caem mais rápido do que chuva em dia de sol.

Dizem por aí que o ciúme é o tempero do amor, e a desconfiança mantém a chama acesa. Só que no futebol brasileiro, está mais para um fogo incontrolável. Torcida e técnico se sentem nesse casamento doentio, um tipo de paixão tão doída que, se fosse um casal de verdade, já estaria nos noticiários policiais, citado como: “Psicopata”, “doente de amor”, “esse(a) aí não tem mais jeito”, diriam.

Agora, imagine que esse casal cheio de ciúmes resolve criar 11 filhos: alguns muito bons, outros mais teimosos, ou mais inteligentes. Tem tudo para dar errado. Afinal, todos carregamos uma concepção de mundo própria e educamos os filhos a partir dela. Basta imaginar como seria se o casal entrasse em conflito sobre a criação dos “meninos”? É aí que você entenderá por que acontece essa situação complexa e conflituosa na maioria dos clubes do Brasil.

O pai, o técnico, é o mais próximo. Ele conhece os segredos, as dores e os sonhos de cada garoto. Acha que a mãe, a torcida, cobra demais, pressiona demais. A mãe, por sua vez, se desdobra 24 horas por dia, preocupada em manter os filhos na linha. Ela passa noites em claro, sonhando e pedindo que cada um deles dê o melhor de si. E quando percebe que a coisa não vai andar, não hesita: “Ele perdeu a rédea, ninguém mais o obedece, não sabe mais educar nossos filhos. Está na hora de se separar!”

Esse casamento entre torcida e técnico está beirando o divórcio?

O divórcio, no caso, é a demissão, que para muitos já está à espreita. Para se ter ideia, até o dia em que se escreve esta crônica, já houve 13 mudanças de técnicos em times da Série A, em um campeonato que conta com 20 times. Desse total, somente 9 não demitiram: Palmeiras, Mirassol, Internacional, Ceará, Bragantino, Bahia, Atlético Mineiro, Flamengo e Cruzeiro. Mas desses, nem todos estão bem aceitos pela torcida. O caso do Palmeiras, então, é o que mais chama a atenção. Nos últimos anos, o time coleciona taças e campanhas históricas, mas parece viver em uma paz de fachada. Quem olha de fora pensa que está tudo em ordem, mas não é bem assim. A fala de Abel Ferreira na última coletiva, quinta-feira passada (15), exaltando a torcida do Universitario-PER, foi entendida por muitos como uma indireta à própria torcida palmeirense, o que só acirrou o clima de divórcio no ar.

“Encheram um estádio. E estavam a perder de 4 a 0 e estavam a aplaudir os jogadores. Era isso que estavam a fazer. Parabéns, parabéns. É sempre bonito ver quando uma equipe está a precisar do apoio de seus torcedores. Um estádio que é mítico, um clube histórico, lendário. Foi bonito chegar hoje aqui com o estádio cheio, mas dar-lhes parabéns, parabéns pelo comportamento deles”, disse ele.

Essas coisas me fazem olhar o futebol com questionamentos. O que é mais insalubre: a carreira de técnico ou ser torcedor? Todo mundo acha que sabe demais, que é mais dono do clube, cujo direito é reclamar do que recebe. Não acho justo opinar no casamento alheio, e na Barra Funda, pelo visto, nem terapia de casal resolve mais. Mas deixo hoje a reflexão: talvez não haja certos ou errados em muitos casos de demissões. Apenas vence o parceiro mais decidido e que bate o pé mais forte.

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