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Cúpula do BRICS no Brasil é marcada por ausências e levanta dúvidas sobre coesão do bloco.

Segundo dia do encontro é ofuscado por ausências de peso entre os líderes dos 11 países-membros.

Iniciada no último domingo (6), no Rio de Janeiro, a 17ª Cúpula do BRICS foi marcada por um esvaziamento simbólico e político. Líderes importantes como Vladimir Putin (Rússia) e Xi Jinping (China), ausentes na reunião, causaram um desconforto diplomático e com a novidade, questionamentos foram levantados sobre a coesão e o futuro do bloco, que agora ampliado conta com 11 membros permanentes.

Desde que ascendeu ao poder é a primeira vez que o presidente chinês não compareceu a uma cúpula do BRICS. Em nota oficial a justificativa de Pequim seria um conflito de agenda, motivo pelo qual analistas e diplomatas brasileiros interpretaram como muito vaga, principalmente pela importância estratégica que a China vinha atribuindo ao bloco.

O presidente russo, alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional, participou por videoconferência. A representação presencial ficou a cargo do chanceler Serguei Lavrov. A situação jurídica de Putin impediu sua vinda ao Brasil, que é signatário do Estatuto de Roma.

Além dos dois, não compareceram também os presidentes do Egito e do Irã, ambos envolvidos nos conflitos que ocorrem no Oriente Médio. Ausências essas que comprometeram a tentativa do Brasil em projetar o BRICS como uma alternativa sólida ao modelo de governança global liderado pelo Ocidente.

Durante a reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, buscou fortalecer o multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Porém, o cenário que contou com faltas significativas, levou ao enfraquecimento da mensagem brasileira e a redução do impacto político do encontro.

Dentre as pautas discutidas, a prioridade do governo brasileiro se fez através de uma agenda mais moderada, tais como, o combate às mudanças climáticas, a cooperação em saúde pública e a regulação da inteligência artificial. Tais pautas, foram vistas como uma tentativa brasileira em evitar divisões internas e de se obter um grau de consenso entre os membros.

Tendo sido ampliado, o grupo de países que agora tem entre seus membros a Etiópia, Arábia Saudita e Indonésia, encontrou uma dificuldade na construção de consensos. Tornando-se mais diversos, especialistas apontam que o dilema enfrentado agora é o seu crescimento em número ou na sua influência.

Encerrado o primeiro dia da cúpula, o “BRICS menos”, como ficou conhecido, traz aos estados integrantes do grupo uma reflexão sobre seu futuro, pois apesar dos esforços brasileiros em fortalecer seus rumos, revela-se mais fragilidades do que sua força transformadora.

Créditos da foto: Alexandre Brum/Brics Brasil

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Um comentário

  • Não vejo com bons olhos esse distanciamento do Brasil das democracias ocidentais. Percebemos agora uma aproximação do Brasil com países com regimes autoritários, como Rússia, Irã e China. Isso contraria a nossa tradição de país pacífico e ligado ao Ocidente, pois somos uma país Ocidental e democrático. Dá tempo do presidente Lula refletir nas consequências de seus atos. Pode ser bom para ele (Lula), mas não será bom para o Brasil. Parece que estamos trazendo problemas dos outros para o nosso colo.

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