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Criança sem sobrancelha reacende discussão sobre Bullying escolar


Aos 13 anos, criança com condição rara passa por transplante capilar e foge da discriminação estética 

O bullying escolar continua em ascensão no Brasil, deixando marcas profundas na saúde mental de crianças e adolescentes. Dados recentes indicam que cerca de 70% dos estudantes enfrentam algum tipo de discriminação dentro do ambiente escolar, e os efeitos emocionais são severos: 32% das vítimas desenvolvem ansiedade, enquanto 19% apresentam sintomas de depressão (Instituto Hortense, 2025). Especialistas alertam que o bullying está entre as principais causas de sofrimento psicológico na infância, afetando autoestima, autoconfiança e convívio social.

Entre tantos casos de exclusão, a história de um garoto de 13 anos, que nasceu sem sobrancelhas devido a uma condição genética rara chamada hipotricose congênita, chama atenção. A doença, que afeta uma em cada 350 mil crianças, impede o crescimento normal dos pelos do corpo, incluindo sobrancelhas, cílios e couro cabeludo (Almeida, 2025). Desde cedo, o menino convive com olhares curiosos e comentários maldosos, transformando uma diferença estética em dor emocional profunda.

Créditos: Imagem de kp yamu Jayanath por Pixabay

Nas escolas brasileiras, o bullying é uma realidade que preocupa educadores e famílias. Estudos do DataSenado indicam que aproximadamente 6,7 milhões de estudantes — 11% do total de quase 60 milhões de alunos matriculados — relataram ter sofrido algum tipo de violência escolar no último ano. Quando o foco é o bullying, o número sobe para cerca de 33%, o equivalente a 20 milhões de estudantes (DataSenado, 2025).

O problema também é refletido nos registros formais. Em 2023, mais de 121 mil ocorrências de bullying e cyberbullying foram registradas em cartórios brasileiros, com uma média de 10 mil casos notificados por mês (ANOREG-BR, 2023). O bullying pode gerar impactos duradouros na vida do indivíduo, incluindo tristeza, apatia, medo de ir à escola, queda no desempenho acadêmico, isolamento social e mudanças de comportamento. A longo prazo, podem surgir depressão, ansiedade e pensamentos suicidas. O agressor também corre riscos de desenvolver transtornos psicológicos, como depressão e dificuldades de relacionamento.

Para lidar com casos mais específicos, como o do garoto com hipotricose congênita, a médica Izabela Almeida, especialista em Tricologia e Transplante Capilar da clínica Capilife, explica:

“É uma condição extremamente rara, em que a criança nasce sem pelos na região das sobrancelhas ou com fios muito finos. Essa diferença estética pode causar um impacto psicológico intenso, especialmente na infância, quando a aparência influencia a aceitação social. O bullying agrava o sofrimento e compromete o bem-estar emocional” (Almeida, 2025).

Com o objetivo de restaurar a autoestima do menino, a equipe da Capilife realizará gratuitamente um transplante de sobrancelhas hoje, 12 de outubro de 2025, no estado de Goiás. O procedimento utiliza fios capilares do próprio paciente, garantindo resultados naturais e duradouros.

“Esse tipo de transplante vem se consolidando como uma solução eficaz para casos de ausência de sobrancelhas, seja por condições congênitas ou traumas. Mais do que estética, é uma questão de autoestima e saúde mental”, acrescenta a médica.

A mãe do garoto relatou a emoção ao receber a notícia:

“Ele já pediu para trocar de escola porque não aguenta mais as provocações. Essa cirurgia é uma esperança de que ele possa se sentir bem consigo mesmo”, conta a mãe do garoto. 

A sobrancelha, segundo Izabela Almeida, desempenha papel fundamental na expressão facial e na identidade visual. Restaurar esse traço é também restaurar a confiança e o senso de pertencimento da criança.

O combate ao bullying no Brasil também conta com ações legais. Em 7 de abril de 2016, foi instituído o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, por meio da Lei nº 13.277, em memória ao ataque ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, em 2011. A lei visa conscientizar a sociedade sobre a necessidade de prevenir a violência nas instituições de ensino e promover respeito e empatia entre estudantes (Brasil, 2016).

Fonte: 

Hora Campinas. (10 de junho de 2024). Violência escolar atingiu 6,7 milhões de alunos nos últimos 12 meses no Brasil. Hora Campinas. Recuperado de https://horacampinas.com.br/violencia-escolar-atingiu-67-milhoes-de-alunos-nos-ultimos-12-meses-no-brasil-aponta-datasenado/?utm_source=chatgpt.com

Instituto Hortense, “O Bullying escolar no Brasil: Números alarmantes e seu impacto dentro do ambiente escolar”, 9 de abril de 2025. Disponível em: https://institutohortense.org.br/noticias/o-bullying-escolar-no-brasil-numeros-alarmantes-e-seu-impacto-dentro-do-ambiente-escolar/. Acesso em: 11 out. 2025

Madeiro, C. (25 de janeiro de 2024). Com 10 mil casos por mês, país tem recorde de registros de bullying em 2023. UOL Notícias. Recuperado de https://noticias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2024/01/25/com-10-mil-casos-por-mes-pais-tem-recordede-registros-de-bullying-em-2023.htm?utm_source=chatgpt.com

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