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COP30 sob pressão: escalada entre Trump e Lula agrava crise climática global

Rivalidade entre Brasil e EUA às vésperas da COP30 acirra tensões comerciais e diplomáticas, enquanto incertezas geopolíticas e ausência norte-americana ameaçam ambição climática em Belém.

A Conferência do Clima da ONU (COP30), marcada para novembro de 2025 em Belém, já se desenha como uma das mais desafiadoras da história recente. Em meio a uma escalada de tensões entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, novamente à frente da Casa Branca, o evento se vê ameaçado por uma combinação de disputas comerciais, retração econômica global e a ausência dos Estados Unidos nas negociações preparatórias.

A imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelos EUA, anunciada após críticas de Trump à atuação de Lula no BRICS, gerou uma crise diplomática. Em resposta, o governo brasileiro intensificou contatos multilaterais, acionou a OMC e prepara medidas de apoio a empresas afetadas. “Ninguém põe a mão nos recursos naturais do Brasil”, afirmou Lula, em tom firme, após o encarregado de negócios norte-americano sinalizar interesse em minerais estratégicos do país.

A tensão se reflete diretamente na COP30. Para o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da conferência, o cenário global impõe um “negacionismo econômico” que enfraquece compromissos climáticos. A ausência dos EUA nas reuniões em Bonn, especialmente grave por serem o segundo maior emissor global, compromete o avanço de metas ambiciosas e o financiamento climático esperado por países em desenvolvimento.

Apesar disso, 37 Estados norte-americanos prometeram seguir o Acordo de Paris, representando 70% do PIB dos EUA, o que traz algum alento. Ainda assim, a liderança federal americana, historicamente responsável por decisões chave, permanece ausente.

No Brasil, a COP30 é vista como uma oportunidade de afirmação da soberania nacional e de liderança climática no Sul Global. A expectativa é que o encontro seja palco do lançamento de um novo “roadmap climático”, elaborado por Brasil e Azerbaijão, com o objetivo de viabilizar o financiamento de US$ 1,3 trilhão para ações climáticas — valor muito além dos US$ 300 bilhões acordados na COP29. Entre o otimismo do corpo diplomático e o realismo imposto pela geopolítica, o futuro da COP30 permanece incerto. Como afirmou Corrêa do Lago: “As circunstâncias internacionais são particularmente complexas. Mas sigo vendo o copo meio cheio”.

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