Exportações brasileiras para a Argentina crescem com impacto do tarifaço de Trump e valorização do peso argentino. Entenda os efeitos no comércio regional.
O tarifaço de Trump tem provocado efeitos inesperados no comércio exterior da América do Sul, especialmente nas relações comerciais entre Brasil e Argentina.
A imposição de tarifas mais rígidas por parte dos Estados Unidos sobre produtos estrangeiros, incluindo os brasileiros, alterou a dinâmica das exportações da região. Enquanto o Brasil enfrenta barreiras comerciais com o mercado norte-americano, observa um aumento expressivo nas exportações para o país vizinho.
De janeiro a junho de 2025, a Argentina aumentou em 55,4% as compras de produtos brasileiros em comparação com o mesmo período de 2024, totalizando US$ 9,1 bilhões.
Essa movimentação acontece em paralelo ao tarifaço de Trump para o Brasil, que levou o governo brasileiro a buscar novos mercados para compensar as dificuldades enfrentadas nos Estados Unidos.
Argentina se torna destino estratégico para exportações brasileiras
Com a imposição do tarifaço de Trump no Brasil, empresas brasileiras redirecionaram suas estratégias de exportação.
A Argentina se beneficiou dessa mudança, especialmente pela valorização do peso argentino e pela abertura econômica promovida pelo governo de Javier Milei. O novo cenário facilitou a entrada de produtos estrangeiros, incluindo os brasileiros.
Os principais produtos exportados do Brasil para a Argentina no primeiro semestre de 2025 foram veículos de passageiros (21,6% do total), autopeças e acessórios (9,7%), e veículos de transporte de mercadorias (6,4%).
Até mesmo setores tradicionalmente dominados pela produção local, como o de carnes, registraram aumento nas importações brasileiras.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a exportação de carne bovina brasileira para a Argentina cresceu de US$ 1 milhão no primeiro semestre de 2024 para US$ 22,9 milhões em 2025.
Apesar de ainda representar uma parcela pequena do total de importações argentinas, o aumento é significativo e demonstra como o comércio regional está se reorganizando diante do novo cenário tarifário internacional.
Produtos brasileiros ganham espaço no varejo argentino

A presença de produtos brasileiros em supermercados e lojas argentinas tornou-se mais visível.
Em diversas cidades da Patagônia, por exemplo, o quilo da carne brasileira era vendido a 9.000 pesos em março de 2025, enquanto a carne argentina custava mais que o dobro. Outros itens, como pão fatiado e leite, também chegam da indústria, competindo diretamente com os produtores locais.
A preferência por produtos brasileiros é explicada não apenas pelos preços mais acessíveis, mas também pela maior previsibilidade nos contratos de compra, resultado da recente estabilização da economia argentina.
A valorização do peso frente ao dólar tornou os produtos importados mais atrativos, inclusive em viagens curtas de consumidores argentinos a cidades fronteiriças no Brasil.
Impacto nas pequenas e médias empresas argentinas
Apesar do aumento nas importações beneficiar consumidores argentinos com preços mais baixos, o impacto para as empresas locais tem sido desafiador. De acordo com a IPA (associação de pequenas e médias empresas da Argentina), cerca de 11% das empresas exportadoras deixaram de vender ao exterior em 2025. Além disso, 41,3% das PMEs relataram queda nas vendas internas devido à concorrência com produtos estrangeiros.
Setores como o têxtil, metalúrgico e de eletrodomésticos têm enfrentado perda de competitividade, o que levou a um aumento do desemprego em algumas regiões. A abertura comercial e a redução de tarifas, embora tenham estimulado o consumo, não vieram acompanhadas de políticas de proteção ao setor produtivo interno.
Brasil busca alternativas diante das tarifas norte-americanas
A estratégia do governo brasileiro tem sido diversificar mercados, com foco em parceiros da América do Sul e da Ásia.
O tarifaço de Trump, imposto com o argumento de proteger a indústria norte-americana, impôs um custo significativo aos exportadores brasileiros, principalmente nos setores de aço, alumínio, autopeças e alimentos processados.
Em resposta, empresas brasileiras têm intensificado negociações com países latino-americanos. O aumento das exportações para a Argentina reflete essa reorientação.
Ao mesmo tempo, o Brasil também ampliou os contatos comerciais com o Chile, o Uruguai e o Paraguai, aproveitando a demanda crescente por bens industrializados e insumos.
O tarifaço de Trump no Brasil gerou um cenário adverso, mas também serviu de impulso para a adaptação do comércio exterior brasileiro.
Ao focar na América do Sul, o Brasil se reposiciona na cadeia regional de suprimentos e fortalece o Mercosul como alternativa viável para a circulação de mercadorias, especialmente em tempos de protecionismo global.
Fonte: Portal O Tempo e Portal Folha de S.Paulo












