Tensão cresce entre Colômbia e Estados Unidos após suspensão de ajuda financeira e ofensivas militares no Caribe
A Colômbia convocou, nesta segunda-feira (20), seu embaixador em Washington, Daniel García Peña, para consultas em Bogotá. A decisão ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar, através de um post na rede Truth Social, que o presidente colombiano Gustavo Petro, seria um “traficante de drogas ilegais”.
As declarações foram feitas no domingo (19), em meio ao anúncio de que os EUA suspenderiam toda a ajuda financeira à Colômbia. Segundo Trump, o país sul-americano tem falhado em conter o cultivo e a exportação de entorpecentes.
Retirada de apoio e ofensas públicas aumentam tensão
As críticas de Trump incluíram a acusação de que Petro incentiva diretamente a produção de drogas. O presidente estadunidense ainda ameaçou que, caso Petro não mude sua conduta, os Estados Unidos agirão de forma mais agressiva.
Em resposta, Petro classificou Trump como “grosseiro e ignorante”. Em publicação na rede social X (antigo Twitter), afirmou: “Tentar promover a paz na Colômbia não é ser narcotraficante”. A embaixada colombiana em Washington, até o momento, não emitiu nota oficial. O governo de Bogotá afirmou que divulgará novas decisões nas próximas horas.
Ajuda humanitária e subsídios foram suspensos
A suspensão do apoio financeiro dos EUA inclui o encerramento das atividades da USAID (Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional). A agência era uma das principais fontes de subsídios para programas sociais e de combate ao narcotráfico no interior.
A Colômbia já foi, durante décadas, um dos maiores beneficiários da assistência externa dos EUA no Hemisfério Ocidental.
Ofensivas militares no Caribe agravam o cenário
O clima diplomático se deteriorou ainda mais após ataques militares conduzidos por embarcações da Marinha dos EUA no Mar do Caribe. Desde agosto, os norte-americanos mantêm navios de guerra na região, alegando combater cartéis de drogas internacionais que se concentram na América Latina.
Em 17 de outubro, uma dessas operações resultou na morte de três supostos integrantes do Exército de Libertação Nacional (ELN), grupo guerrilheiro colombiano. Ao todo, ao menos 27 pessoas já morreram em ofensivas semelhantes, conforme informações divulgadas pelo Pentágono.
Confira outras informações:
Trump também ameaça impor tarifas comerciais
Além do corte de verbas, Trump anunciou que pretende elevar tarifas sobre produtos colombianos exportados para os Estados Unidos. Atualmente, essas mercadorias pagam em média 10% de imposto, conforme as regras impostas pelo governo republicano desde o primeiro mandato.
Ainda não está claro quais setores seriam mais afetados, mas exportações de flores, café e têxteis, os principais itens colombianos no mercado norte-americano, podem sofrer impacto direto.
Acusações vêm após rompimento diplomático anterior
O embate entre os dois líderes não é inédito. No mês passado, Trump revogou o visto diplomático de Petro após o presidente colombiano participar de uma manifestação pró-Palestina em Nova York. Na ocasião, Petro também criticou a política externa dos EUA e pediu aos soldados estadunidenses que desobedecessem ordens contrárias ao direito internacional.
Além disso, em setembro, a Casa Branca incluiu a Colômbia em uma lista de países que “falharam” em combater o tráfico de drogas, ao lado de Afeganistão, Bolívia, Venezuela, Mianmar e outros.
Governo colombiano avalia resposta
Fontes do Ministério das Relações Exteriores colombiano afirmaram que a convocação do embaixador é um “gesto diplomático grave”, mas ainda dentro das normas internacionais. A medida é usada para sinalizar descontentamento sem romper relações formais entre os países.
Diplomatas consultados por agências internacionais afirmam que a Colômbia estuda levar a questão à Organização dos Estados Americanos (OEA) ou até mesmo ao Conselho de Segurança da ONU, dependendo da evolução da crise.
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