Líderes se encontraram na Coreia do Sul para discutir fornecimento de terras raras e aumento de tarifas; Encontro representa primeira reunião presencial entre Xi Jinping e Trump desde 2019.
Os presidentes dos EUA e da China, Donald Trump e Xi Jinping, se encontraram no Aeroporto Internacional de Gimhae, em Busan, na Coreia do Sul, na madrugada dessa quinta-feira, no horário de Brasília. O encontro, agendado desde o início deste mês, passou por diversas incertezas, ocasionadas por atritos entre ambos os governos. Terras raras, TikTok e soja americana marcou o primeiro encontro entre Trump e Xi deste segundo mandato de D. Trump. O último havia sido em 2019.
Neste encontro, os líderes discutiram questões comerciais em uma reunião que durou em torno de 2 horas. Além dos presidentes, a reunião contou com a presença do Secretário de Estado, Marco Rubio, e o Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. Pelo lado da China, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi.
A reunião, marcada desde o início do mês, por pouco não ocorreu após contraofensiva do governo dos EUA, anunciando um aumento das tarifas de importação de produtos chineses a partir do dia 1 de novembro, atingindo um percentual que poderia chegar aos 145%. A resposta do governo do governo EUA deu-se a ação da China em barrar exportação de terras raras ao comércio global.

“Foi uma reunião incrível”, “[Reunião nota] 12 de 10.”, declarou o presidente americano, Donald Trump.
De acordo com a Casa Branca, a China aceitou uma paralisação temporária no bloqueio de Terras Raras para os EUA que durará 1 ano. Também, de acordo com os EUA, a China restabelecerá canal comercial entre o empresariado chines ao setor de soja dos EUA, setor este que passava por resseção, após paralisação gradual de compra da soja americana pela China, maior comprador global. Em contrapartida, os EUA retornaram às tarifas anteriores, de 57%, reduzindo para 47% as tarifas para produtos chineses.
Terras Raras
De acordo com a Agência Internacional de Energia, a produção global de terras raras se concentra majoritariamente na China, com 92% de percentual de produção que Pequim controla. Estes dados, preocupa Washington pois, em meio a guerra comercial e divergências geopolíticas entre ambas as potencias, se vê dependente de produção chinesa e legislação flexível destes minerais para desenvolvimento de sua indústria de tecnologia e bélica, que exige quantidades especificas de terras raras para seu funcionamento pleno.

Além de deter 92% da produção, contém em seu controle, mais da metade desses minerais em sua posse. De acordo com analistas e o próprio governo americano, a economia mundial, tão dependente da distribuição de terras raras, pode colapsar a depender da utilização dessas comodities como arma geopolítica por parte da China.
Guerra dos chips
A guerra comercial, iniciada por Donald Trump em seu primeiro mandato, movimentou o comércio e relação multilateral entre nações na distribuição de tecnologia. Desde sanções a gigantes da tecnologia, como a Huawei, quanto a bloqueios de venda de chips de primeira linha, como os produzidos pela gigante americana NVIDIA.
Esses bloqueios, representam uma tentativa do governo americano em solidificar seu plano hegemônico como potência tecnológica central no mundo, algo que, apesar de ser a principal potência, a distância para a rival continua sendo constantemente reduzida, com a China utilizando desses bloqueios para fomentar o desenvolvimento de uma indústria de chips e investindo cada vez mais em know-how no setor.

Esses bloqueios, de acordo com a China, representaram uma ofensiva unilateral contra seu país e seu projeto de crescimento nacional por parte dos EUA.
Desde o início da guerra na Ucrania, o crescimento da produção bélica aumentou e o setor de tecnologia se envolveu mais nas questões de segurança nacional, tornando a importância a terras raras cada vez mais alarmantes.
Com eminência de conflito em Taiwan e crescente tensão no pacífico, a China encontrou-se encurralada, com a presença norte-americana, somada a japonesa e sul-coreana na intervenção no seu plano de “Grande China” que o Partido Comunista Chines arquitetou para integração da ilha de Taipé e a dominância do Mar do Sul da China – reivindicado como território chines.
Pequim passou a exigir relatórios e rastreamento na utilização de terras raras fornecidas aos EUA, alegando segurança nacional, indicando que o aumento de burocracia a venda de terras raras se dá a utilização em armamentos bélicos que possam, um dia, ser usados contra a China, e à utilização desses materiais em tecnologias que são bloqueadas ao consumidor chines.
“As recentes ações dos Estados Unidos violam os princípios básicos do comércio internacional e demonstram hipocrisia, já que o próprio governo americano defende livre mercado apenas quando lhe convém”, declarou o porta-voz do Ministério do Comércio chinês.
VEJA mais: Guerra por chips: Disputa por empresa de tecnologia causa temor na indústria automotiva mundial / NVIDIA e Intel fecham parceria inédita de US$ 5 bilhões com foco em inteligência artificial












